Hervé Renard e a Tunísia: terceiro Mundial consecutivo e a camisa branca que salva a seleção

A Tunísia contratou Hervé Renard, o mesmo técnico da Arábia Saudita que derrotou a Argentina na Copa do Mundo de 2022.

Renard vai para sua 3ª Copa do Mundo consecutiva. Apesar de ter sido demitido da Arábia Saudita 2 meses antes do Mundial
Hervé é um frequentador assíduo das Copas. Em 2018, com o Marrocos, ficou em último no grupo com Espanha, Irã e Portugal.
Renard saiu um ano depois. Em julho de 2019, assumiu a Arábia Saudita, onde deixou sua marca. Hervé classificou o time para a Copa de 2022, onde, na primeira partida, causou uma grande surpresa ao derrotar os futuros campeões, a Argentina. Depois, perdeu para Polônia e México: contra os poloneses, desperdiçou um pênalti quando o placar estava 0:1 e terminou em último no grupo.
Após a Copa, Renard surpreendentemente foi para a seleção feminina da França. Mas, em outubro de 2024, retornou: classificou novamente os sauditas para o Mundial, mas com dificuldade. As vagas diretas ficaram com Japão e Austrália, então foi necessário disputar uma rodada extra, onde superou com dificuldade iraquianos e indonésios.

Em março de 2026, tudo piorou: em amistosos, derrotas por 0:4 para o Egito e 1:2 para a Sérvia, o que levou a Federação de Futebol da Arábia Saudita a realizar uma reunião extraordinária. Na mídia local, o técnico foi criticado: diziam que a seleção não estava evoluindo, havia se tornado taticamente previsível e os jogadores não queriam mais defendê-la.
Segundo o L’Équipe, o fator decisivo para a demissão de Renard foram os rumores de interesse por parte de Gana. Embora Hervé tenha recusado, a federação decidiu se despedir dele. Renard, aparentemente, ficou sem sua terceira Copa do Mundo na carreira.
Mas eis que surge uma nova chance.
Renard é uma lenda na África: conquistou a CAF com Zâmbia e Costa do Marfim

Hervé pode até ser lembrado pela Arábia Saudita, mas essa está longe de ser o capítulo principal de sua carreira.
Em outubro de 2011, Renard assumiu o comando da Zâmbia: era um técnico desconhecido, que antes havia trabalhado com Gana como “instrutor de condicionamento físico”. Em sua primeira entrevista na Zâmbia, perguntaram-lhe: como um professor de educação física iria comandar a seleção nacional? Em resposta, Hervé causou sensação: primeiro levou a equipe às quartas de final da Copa da África de 2010, e em seu segundo mandato, venceu o torneio, algo que nunca havia acontecido com a Zâmbia. Apenas chegar à final já era considerado uma surpresa: lá, enfrentaram a poderosa Costa do Marfim, com Yaya Touré, Gervinho, Salomon Kalou e Didier Drogba.
Na final, todos esperavam uma goleada sobre a Zâmbia, mas não Renard. Um dia antes do jogo, ele levou os jogadores a uma praia perto de Libreville, capital do Gabão, onde a final foi disputada, para homenagear os zambianos que morreram em 1993. Na época, o avião que transportava a seleção, a caminho de uma partida classificatória para a Copa do Mundo de 1994 contra o Senegal, caiu na costa. Ninguém sobreviveu. “Queria lembrar aos jogadores que, na final, jogaríamos por eles, pelos que morreram em Libreville”, explicou Renard sobre a visita à praia.
A motivação ajudou. A Zâmbia resistiu à pressão da Costa do Marfim por 120 minutos e depois venceu nos pênaltis. Na edição seguinte da Copa da África, uma Zâmbia desgastada não passou da fase de grupos. Hervé entendeu que havia se esgotado e aceitou uma oferta do Sochaux, da Ligue 1, mas fracassou lá.
Depois, passou um ano na seleção da Costa do Marfim (chegando, aliás, no lugar de Lamouchi) – justamente a equipe que ele havia derrotado em 2012. Sob o comando de Renard, os marfinenses só se classificaram na última rodada da fase de grupos da Copa da África seguinte, passaram facilmente por duas fases eliminatórias e, na final, protagonizaram uma nova disputa de pênaltis, vencendo por 9:8 contra Gana, de Avram Grant. Renard tornou-se o primeiro europeu a vencer duas Copas da África e o primeiro técnico a conquistar o título com dois países diferentes.
Por isso, ele ganhou o apelido de Mago Branco. E isso não tem a ver apenas com a cor da pele.
A camisa branca é uma superstição de Renard. Ele sempre a usa

A tradição começou em 2010: na época, Renard era técnico de Angola e apareceu com uma camisa azul, mas a equipe perdeu para Camarões. Após a partida, o treinador mudou o visual:
“No jogo seguinte, usei uma camisa branca. Ganhamos e ficamos em primeiro no grupo”, relembra o técnico. “Claro, desde então, perdi algumas partidas. Ou talvez mais que algumas. Mas também venci muitas! Gosto do estilo, mas é preciso dizer que, obviamente, o clima precisa estar bom. Quando treinei na Inglaterra, em dezembro, não dá para usar camisa branca. Talvez seja por isso que não deu certo lá!”
Às vezes, Hervé até muda a camisa branca, mas passa a maior parte dos jogos usando branco. “Ganhei duas Copas da África com a camisa branca, vocês querem que eu mude? Durante a disputa de pênaltis na final de 2015 entre Costa do Marfim e Gana, tomamos dois gols, mas depois recuperamos e vencemos. Sou muito supersticioso, não tem como mudar”, diz o técnico.
Na Copa do Mundo de 2026, com certeza veremos Hervé de camisa branca novamente. Para dar sorte.
Renard substituiu Lamouchi. Ele foi acusado de nepotismo
Sabri Lamouchi já entrou para a história: foi a primeira vez que um técnico foi demitido após o jogo de estreia em uma Copa do Mundo.

A Tunísia foi goleada pela Suécia por 1:5, mas o problema não é apenas o resultado. Há também um motivo inesperado – o comportamento do filho do técnico: no final do jogo contra a Suécia, ele brigou com um torcedor tunisiano, e a segurança precisou intervir. O torcedor sofreu ferimentos leves.
E o filho de Lamouchi viaja com a delegação oficial da Tunísia em todos os lugares, sem ocupar nenhum cargo na seleção. E não é só isso: ele aparece em fotos oficiais ao lado da comissão técnica e entra em campo com os jogadores durante os treinos. Até mesmo na Tunísia, ninguém entende completamente o papel do filho na equipe, o que gera muitas críticas e conversas sobre nepotismo.
Dizem que os dirigentes locais do futebol estão insatisfeitos com o clima estranho em torno do técnico principal por causa do filho, e o resultado na primeira partida foi a gota d’água.
E agora, o L’Équipe publicou um texto contando sobre o dia caótico do agora ex-técnico da seleção tunisiana.
● Desde os primeiros minutos, ele foi insultado por VIPs do camarote da Tunísia, que ficava logo atrás dele. Após o jogo, dois assistentes de Lamouchi se envolveram em uma discussão no elevador com três torcedores, que quase virou uma briga. Sorte que um segurança interveio.
● Em seguida, a federação postou nas redes sociais sobre a demissão de Lamouchi, que ainda não sabia de nada e se preparava para um treino de recuperação. A Reuters divulgou a notícia, mas depois a federação apagou a publicação. Todos fingem que nada aconteceu.

● Oito jogadores-chave da Tunísia abordaram Lamouche na segunda-feira e disseram: em caso de demissão, eles deixariam a seleção com ele. Eram contra a nomeação do técnico Mondher Kebaier, que, na verdade, é o diretor técnico da seleção.
● Lamouche ainda não assinou os documentos de rescisão de contrato, mas um novo técnico já foi encontrado. O L’Équipe suspeita que um acordo foi feito com ele antes mesmo da Copa do Mundo – após a derrota por 0:5 para a Bélgica no início de junho.
● O presidente da federação informou Lamouche sobre a demissão por telefone, mas nunca conversou com ele pessoalmente. Os documentos foram entregues ao agora ex-técnico pelo secretário-geral da federação.
● No final, Lamouche assinou os papéis encostado na parede de seu quarto de hotel. Nenhum dos jogadores cumpriu a promessa de deixar a seleção. Lamouche ficou chateado e não queria encontrar os jogadores.
● A parte mais comovente da história foi protagonizada pelo amigo de Lamouche e lenda do “Tigres”, André-Pierre Gignac. Ao saber da demissão, ele foi ao hotel da seleção e levou Sabri e seus assistentes para sua casa, para dar apoio.
● Lamouche e seus assistentes decidiram deixar o México o mais rápido possível. Não queriam encontrar Renard, que estava prestes a chegar ao local da equipe.
A Tunísia não está demitindo um técnico durante a Copa do Mundo pela primeira vez. Em 1998, Henryk Kasperczak pediu demissão após duas derrotas – para a Inglaterra e a Colômbia. Na época, a equipe já havia perdido as chances de avançar para as oitavas de final, e Ali Selmi teve que terminar o torneio.
Agora, as chances ainda existem, mas será difícil: primeiro, o forte Japão, depois a Holanda.






Jaime Lannister está de volta à ação
Sempre gostei desse treinador (dentro da lei), parece impressionante)
Esclarecimento importante
Eu diria que é necessário)))
*Mas estragou a vida dos espanhóis: devido ao 2:2 na última rodada, eles ficaram em segundo e enfrentaram a Rússia, e o resto você já sabe.*
Os espanhóis ficaram em primeiro no grupo e enfrentaram a Rússia, que ficou em segundo no seu grupo.
Então, aquele empate não mudou nada para a Espanha. A vitória também levaria à Rússia.
Obrigado, corrigimos.
Parece que o autor do artigo foi testemunha de alguma Copa do Mundo de 2018 alternativa🤦🏻
Esclarecimento importante
Deveria ser Tortorella)
Queimou o celeiro – que queime a casa também, chamem o Rotenberg)
Novamente um francês branco vai salvar um país africano. Depois, é claro, vão gritar sobre colonizadores e independência no artigo ao lado.
Eu diria que é necessário)))
Obrigado, corrigimos.
Parece que o autor do artigo foi testemunha de alguma Copa do Mundo de 2018 alternativa🤦🏻
A Tunísia não estava tão sem esperança, mas desmoronou durante o jogo. Uma mudança realmente pode ajudar.
Queimou o celeiro – que queime a casa também, chamem o Rotenberg)