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Argentina na Copa do Mundo 2026: quem ajudará Messi a defender o título

Estrelas no lugar.

Há aqueles que dizem que tudo vai dar certo, e aqueles que dizem que tudo vai dar errado. A Copa do Mundo é um torneio muito complexo. Eu não faria previsões ou daria promessas. Estamos bem, estamos motivados e entendemos que nossos adversários agora podem jogar de maneira diferente. O status de atual campeão dá a eles uma motivação extra”, disse Lionel Scaloni com cautela antes da Copa do Mundo de 2026.

Diante dele está uma tarefa incrivelmente difícil: defender o título e entrar para a história (apenas Itália e Brasil venceram a Copa do Mundo duas vezes seguidas) com o Leo Messi de 38 anos, que jogará seu último torneio na carreira.

A Argentina manteve seu elenco estrelado (apenas Ángel Di María se aposentou da seleção), continua tão flexível e já não se perde tanto sem Messi (derrotou o Brasil por 4:1 nas eliminatórias). Scaloni pode seriamente contar com mais uma Copa do Mundo bem-sucedida.

Que versão da Argentina veremos na América do Norte?

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Como está a Argentina? Scaloni experimentou bastante e reduziu um pouco a dependência de Leo

Na Copa do Mundo de 2022, Scaloni mostrou uma adaptabilidade incrível: usou diferentes combinações e integrou Messi muito bem no sistema. Este foi um dos fatores mais importantes para o triunfo.

A Argentina começou com o esquema 4-4-2, mas na 3ª rodada mudou para o 4-3-3 contra a Polônia. Contra a Austrália nas oitavas de final, voltou ao 4-4-2, mas após a mudança para o trio no segundo tempo, Scaloni manteve a formação também no jogo contra a Holanda. A Croácia foi goleada nas semifinais com o 4-4-2, e na final, Lionel optou pelo 4-3-3.

A Argentina, ao longo da Copa do Mundo, reagiu constantemente aos adversários e considerou as qualidades de Messi. Scaloni preparou, a cada vez, um plano sem a bola para defender sem Leo: Julián Álvarez e Alexis Mac Allister cobriram Messi e reduziram os riscos. Por exemplo, contra a Croácia, Álvarez marcou pessoalmente Marcelo Brozović e tirou o volante do jogo, enquanto Leo economizava energia.

A atual Argentina mantém essa linha: Scaloni experimenta e busca as melhores combinações. Graças a isso, a equipe é extremamente difícil de prever.

Na Copa de 2024, a Argentina, com a posse de bola, frequentemente se organizava em uma formação 2-3-4-1, onde ambos os laterais permaneciam na segunda linha junto com o volante. Mesmo dentro dessa ideia, havia variabilidade: Rodrigo De Paul podia trocar de posição com o lateral direito e mover a bola a partir dessa posição.

Se o adversário se adaptava, Enzo imediatamente recuava e formava um trio na defesa. Foi assim que a Argentina conseguiu vantagem na primeira etapa contra o compacto 4-4-2 do Canadá.

Na classificatória para a Copa do Mundo de 2026, Scaloni continuou suas experimentações: colocou Lisandro Martínez na lateral esquerda na defesa e, com a posse de bola, mudava para o 3-1-4-2 (com Lisandro mais recuado), retornando ao 4-3-3 da final da Copa do Mundo de 2022 e testando a dupla Lautaro e Álvarez no ataque. Messi jogou apenas 945 minutos (12 partidas de 18), permitindo que a Argentina ajustasse suas conexões sem seu jogador-chave.

Essa é uma das principais diferenças da equipe em relação à versão da última Copa: Scaloni está gradualmente reduzindo a dependência de Messi. Se Leo estiver indisponível por lesão ou fora de forma, a Argentina tem reserva de força para não cair tanto em qualidade.

O exemplo mais claro foi o 4:1 contra o Brasil há um ano. Scaloni se saiu bem sem Messi: Paredes iniciava os ataques ao lado dos zagueiros centrais, De Paul, Enzo, Mac Allister e Thiago Almada saturavam o meio-campo e desarticulavam a defesa.

Tudo isso foi confirmado pelo próprio Scaloni. “Agora a equipe está em um estágio em que podemos jogar com ou sem Leo. Antes, jogar sem Messi era bastante complicado. Tínhamos que fazer ajustes, mas agora não há necessidade. A equipe continua funcionando como antes. Conhecemos os pontos fortes de nossos jogadores e os utilizamos ao máximo”, explicou ele no verão passado. Messi ainda é o líder da Argentina e gera quase toda a criatividade, mas agora Scaloni tem um pouco mais de espaço para manobras quando Leo não está em campo.

Figuras-chave da seleção: Otamendi, de 38 anos, Enzo responsável pela base, Álvarez busca liberdade

Curiosamente, os protagonistas são praticamente os mesmos da Copa do Mundo de 2022: Scaloni manteve o elenco estelar e, entre as figuras determinantes, perdeu apenas Di María. Novos jogadores promissores surgem (Valentín Barco do Strasbourg, Thiago Almada do Atlético, Nico Paz do Como), mas ainda não superaram em influência o núcleo campeão.

Aqui estão os principais protagonistas da atual Argentina:

● Emiliano Martínez (Aston Villa): é difícil imaginar a equipe sem o goleiro de 33 anos. Além de suas proezas na meta e nas saídas, ele participa dos ataques e ajuda a superar a pressão.

● Nicolás Otamendi (River Plate): O veterano de 38 anos ainda está em forma. Perdeu apenas um jogo nas eliminatórias e foi o que mais atuou em campo (1454 minutos), embora na Copa tenha sido mais utilizado como reserva. Ainda é confiável na defesa, pode dar passes arriscados entre as linhas e se destaca nas bolas paradas (três gols nas eliminatórias para a Copa do Mundo).

● Rodrigo De Paul (Inter Miami): A transferência para a MLS não abalou a posição de De Paul na seleção. Agora, ele fornece assistências para Leo (já são três nesta temporada) e entende ainda melhor seus movimentos. Rodrigo é muito importante para as ideias de Scaloni devido ao seu volume de jogo: no ataque, ele se move para o centro e avança a bola com passes precisos, enquanto na defesa cobre o flanco direito no 4-4-2.

● Julián Álvarez (Atlético): O atacante leve complementa o ataque versátil da Argentina. Álvarez é uma ameaça na área, se adapta a Messi e identifica espaços com eficiência. Foi assim que deu a assistência contra o Chile: invadiu a área entre os defensores e passou para Mac Allister.

● Enzo Fernández (Chelsea): o cérebro da seleção argentina sob Scaloni. Ele é responsável pela organização da posse de bola, movimenta a bola e mantém a compactação na defesa. Enzo tem diferentes modos: volante controlador ou um meia ofensivo livre. Seus cruzamentos para a área se tornaram uma das armas mais perigosas da Argentina no ataque.

● Cristian Romero (Tottenham): em dupla com Otamendi, é responsável pela agressividade e constantemente avança para pressionar os atacantes. Sua reação, persistência e determinação nas disputas aéreas permitem que a Argentina interrompa passes entre as linhas e lide com contra-ataques.

● Alexis Mac Allister (Liverpool): Scaloni valoriza sua variedade de passes e movimentações inteligentes. Na última Copa do Mundo, Mac Allister formou uma parceria com Messi e ainda o abastece com assistências. “Messi e Mac Allister falam a mesma língua no futebol, e Leo entende perfeitamente o que Alexis é capaz de fazer. Messi o procurou várias vezes, e Alexis sempre deu passes precisos para ele”, descreveu Roberto De Zerbi.

● Lautaro Martínez (Inter): o artilheiro da Serie A ainda não garantiu sua vaga no time titular, embora possa superar Álvarez na disputa. Scaloni também testou uma dupla de atacantes (sem Leo). Lautaro se encaixa bem na estrutura de Scaloni devido à sua participação no jogo coletivo, embora tenha falhado nas finalizações na última Copa do Mundo.

As demais posições estão em dúvida ou sem grandes destaques. Tagliafico e Nahuel Molina já não dominam as alas com a mesma intensidade de 3 anos e meio atrás, mas têm poucos concorrentes. Outra dúvida é no ataque pela esquerda: Scaloni optará pelo trabalhador Nico González (com um papel abrangente, semelhante ao de Di María) ou arriscará com o criativo Almada?

Como está Messi? Ainda é líder, mas Scaloni precisa mostrar flexibilidade

Sobre Leo, é preciso um parágrafo separado. “Messi precisa estar na próxima Copa do Mundo, queremos que ele continue jogando. Se ele puder continuar, a camisa 10 sempre estará pronta”, refletiu Scaloni após o triunfo em 2022. Messi, aos 38 anos (quase 39), ainda é líder da equipe e chega à última Copa em boa forma.

Scaloni não o limita a uma zona específica: Messi mesmo define a direção para as jogadas. Os companheiros se adaptam e criam condições confortáveis para ele.

Leo influencia o ataque de diferentes maneiras: carrega a bola do campo defensivo, move-se entre as linhas e de lá finaliza ou faz passes cortantes para a área. Qualquer descida para buscar a bola é potencialmente perigosa: Messi ganha liberdade ou entrega a bola a um dos atacantes.

Na classificatória para a Copa do Mundo de 2026, Leo acumulou 8+3 (melhor do continente) e, como de costume, liderou em chutes, passes para finalização e dribles bem-sucedidos.

Há duas dúvidas: com Leo em campo, a Argentina depende demais do líder (uma fonte constante de perigo, mas em má forma, essa atividade pode diminuir) e não consegue organizar uma pressão alta. A principal tarefa de Scaloni é reduzir os riscos das fraquezas do jogador-chave.

Na última Copa do Mundo, ele já mostrou que pode construir um ataque flexível e integrar Messi, enquanto na defesa se adapta a cada adversário e cobre Leo. As ferramentas permanecem as mesmas, e além disso, a Argentina já não se perde tanto sem Leo (em algum caso de emergência).

Antes do torneio, Leo sofreu uma pequena lesão, mas deve se recuperar até a primeira rodada contra a Argélia. “Foi ótimo estar de volta ao campo, eu queria estar lá desde o início, mas quando me juntei à seleção, tinha alguns problemas físicos. Precisava esperar para ver como meu corpo reagiria, mas agora me sinto muito bem e mal posso esperar para o início da Copa do Mundo. Posso jogar livremente, e ainda temos uma semana para nos prepararmos”, garantiu Messi em uma entrevista recente à TyC Sports.

Nessa situação, Leo está às vésperas de seu último grande torneio, onde, aos 39 anos (completará em 24 de junho), pode dar à Argentina uma vitória histórica. Para o segundo título consecutivo, todos os fatores devem se alinhar: o gênio de Leo, a adaptação dos companheiros e a flexibilidade de Scaloni.

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Victória Simões

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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11 Comentários

  1. Não sei por que, mas por algum motivo acho que Nico Paz vai brilhar pela Argentina nesta Copa do Mundo.
    E se Scaloni o manter no banco e o colocar em campo por apenas 15 minutos, será um erro.
    Não estou impondo minha opinião, posso estar muito enganado, é só o que eu acho. O cara é realmente talentoso.

  2. Espero que a Argentina vença a Copa do Mundo este ano e se torne a primeira seleção do século 21 a ganhar duas Copas seguidas…
    Já estou cansado das campanhas de marketing da mídia, dos fãs de Ronaldo e Neymar se aproveitando de seus fortes companheiros no Real, PSG, Barça, Arsenal, United e City. É irônico que, até pouco tempo, eles desvalorizavam a Copa, chamando-a de um torneio de 7-8 jogos, e agora esperam a ajuda de Trump e imploram para que seu ídolo consiga vencê-la:)

  3. As estrelas estão no lugar.
    —————————————————-
    Todos os atletas também estão no lugar, pelo que entendi.

  4. Esta Argentina não é apenas forte, mas também experiente… Talvez, após quatro troféus consecutivos, haja uma perda de motivação. Mas isso pode ser resolvido assim que a Copa começar para eles. Outro ponto positivo é que não haverá tanta pressão como no Catar. E o principal: Messi está no lugar, criativo, com fome de vitórias e ainda brilhante em campo. Sim, ele está mais velho… Mas sabe reconhecer seus pontos fracos e encontrar pontos fortes em outros aspectos. Não é como o Ronaldo, que declinou completamente, especialmente no controle de bola, velocidade, precisão nos chutes e outros. E ele não poderá mudar isso… Não importa o quanto ele fale sobre suas “habilidades”…

  5. O mais importante é que a Argentina é a atual campeã da Copa do Mundo, o que alivia uma enorme carga psicológica de responsabilidade e dá mais força e confiança. Vai ser interessante, e claro que vamos torcer. Sucesso a vocês, amigos, vamos apoiar, vamos Albiceleste!

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