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Abbos deu esperança ao Uzbequistão, mas o 1+1 de Luis Díaz quebrou tudo. O que deu errado? – Copa do Mundo 2026

Ah.

A seleção do Uzbequistão estreou na Copa do Mundo de 2026 com uma derrota por 1:3 para a Colômbia. No segundo tempo, houve esperança de uma surpresa, mas os colombianos acabaram garantindo a vitória.

Shomurodov marcou o 1º gol do Uzbequistão na história das Copas. Foi também uma perda sua que levou ao gol decisivo sofrido

O primeiro gol veio no final do primeiro tempo: até então discreto, Luis Díaz fez um lançamento preciso do meio-campo, e Daniel Muñoz, que se desvencilhou dos defensores, desviou a bola para o gol com a ponta da chuteira. A bola passou direto sobre as mãos do goleiro Utkir Yusupov.

Durante todo o tempo, o Uzbequistão não criou nada no ataque: 1:7 em finalizações, 0,02 contra 0,82 em xG, 0:2 em chances claras de gol e 28% de posse de bola. Eldor Shomurodov esteve perto de marcar, driblou um defensor, mas no último momento outro apareceu na frente dele.

Abdukodir Khusanov recebeu um cartão amarelo antes do intervalo por uma entrada dura em Díaz. E também atingiu o câmera, que foi atingido após o carrinho do defensor do “Man City”.

Apesar do nome e da experiência, Khusanov é o segundo jogador mais jovem do time titular do Uzbequistão. O mais jovem foi o wing-back de 18 anos, Bekhzod Karimov: ele estreou pela seleção apenas em março – esta é sua terceira partida e apenas a segunda como titular. Fabio Cannavaro arriscou – e Karimov não decepcionou. Pelo Índice de Desempenho, ele tem 7.1 – o segundo melhor da equipe, atrás apenas de Abbosbek Fayzullaev, de 22 anos. Aliás, o terceiro jogador mais jovem do Uzbequistão.

E o autor do gol histórico para o país. Aos 60 minutos, Dostonbek Khamdamov alcançou a bola na linha de fundo, cruzou para o segundo poste, Shomurodov girou o corpo e chutou forte. O goleiro não conseguiu defender, e Fayzullaev completou de cabeça para o gol vazio.

É o primeiro gol do Uzbequistão na história das Copas do Mundo!

Infelizmente, a alegria durou pouco. Já aos cinco minutos, os colombianos roubaram a bola de Shomurodov no meio-campo, e ela chegou a Luis Díaz, que não perdoou o erro.

O capitão da seleção uzbeque discutiu com o árbitro Anthony Taylor, alegando que a bola havia sido tomada com falta. Mas não adiantou – o gol foi validado.

No final, os uzbeques avançaram, e os colombianos aproveitaram. Aos 90+9, Hámilton Campaz fez 3:1 – cabeceou após um cruzamento alto da lateral.

Nos últimos segundos, o Uzbequistão poderia ter reduzido a diferença, mas o potente chute de Karimov acertou o travessão.

O que deu errado para o Uzbequistão?

No primeiro tempo, o Uzbequistão foi um verdadeiro ônibus estacionado, sem qualquer sinal de ataque. Um pesado 5-4-1 na própria metade do campo, com 5-2-3 no bloco intermediário. A Colômbia assumiu o controle imediatamente e abriu a defesa com combinações pelo meio. O cérebro das trocas de passes foi John Arias, nominalmente um ponta-direita, mas que organizava todo o movimento à esquerda do centro.

A Colômbia sobrecarregou o meio-campo. Arias movia a bola para a esquerda, James Rodríguez criava livremente de qualquer lugar, Jefferson Lerma distribuía passes da defesa, próximo aos zagueiros centrais, e Gustavo Puerta fazia arrancadas para a última linha. Em alguns momentos, a Colômbia se organizava em um quadrado moderno.

A equipe não criou tanto, mas a pressão foi fortemente sentida: houve combinações elegantes pelo meio, saídas para cruzamentos, aberturas entre as linhas. O Uzbequistão teve dificuldades, não conseguindo se adaptar ao meio-campo da Colômbia.

A segunda crítica a Cannavaro é a rigidez com a bola e a falta de qualquer pensamento ofensivo, sem nenhum indício de contra-ataques rápidos. O Uzbequistão nem mesmo conseguia fazer dois ou três passes precisos, embora tenha um elenco decente que permite respostas: há volantes que sabem passar, zagueiros com bons lançamentos, Shomurodov – um centroavante forte, capaz de recuar em um ou dois toques e se posicionar nas costas da defesa, Fayzullaev – um driblador rápido, que pode carregar a bola ou fazer passes em profundidade, e Oston Urunov, com dribles potentes.

Além disso, graças a trechos de posse de bola e contra-ataques, o Uzbequistão podia respirar aliviado das investidas da Colômbia. Mas houve lançamentos sem destino para Shomurodov. Se ele conseguisse dominar, o Uzbequistão podia descansar por alguns segundos antes de um novo ataque. Se não, sofria a segunda ou terceira onda e resistia. Nesse cenário, para conquistar pontos, era necessária uma defesa impecável e sorte. A Colômbia encontrou sua chance ainda no primeiro tempo.

O gol de Muñoz – um dos melhores da Copa do Mundo. Como aconteceu?

A principal direção dos ataques da Colômbia no primeiro tempo foram as tentativas de abrir a defesa pela zona à esquerda do centro. O Uzbequistão recuava bem em um bloco compacto, mas inicialmente estava em desvantagem numérica no meio. Além disso, os sul-americanos exploraram essa vantagem de diversas maneiras: o quarteto James – Lerma – Arias – Puertas no meio era reforçado pelos laterais e pelo ponta Luis Díaz. Eles confundiam com movimentos livres e encontravam espaços.

Basicamente, a ameaça surgia após dois tipos de passes. Ou cruzamentos de uma lateral para a outra (assim era possível pegar o bloco compacto do Uzbequistão na mudança de direção). Por exemplo, foi assim que surgiu a chance de Díaz acertar a trave: James encontrou Arias na meia-lateral.

Ou passes entre as linhas. Geralmente também passavam pela esquerda. A Colômbia carregava bem as zonas.

O gol de Muñoz ilustra todos os problemas do Uzbequistão nesta partida. James e Díaz estão livres nas meias-alas, sem marcação, e a linha de três zagueiros está sobrecarregada com seus próprios jogadores. No final, Lerma corta para Luis, e Rodríguez chuta no segundo tempo. Depois, o Uzbequistão não conseguiu se recuperar após o despejo – a Colômbia atacou imediatamente, antes que o adversário pudesse se reorganizar. A corrida do lateral-direito pelo meio funcionou.

Esses avanços dos zagueiros pelas laterais até a linha de fundo são uma ferramenta comum para a Colômbia nesta partida. Embora com Muñoz não tenha sido tão claro: antes do gol, ele recebia mais pela largura e errava mais passes. Mas aqui, funcionou perfeitamente.

No segundo tempo, o Uzbequistão se saiu melhor. As mudanças de Cannavaro surtiram efeito: ele repositionou Abbos na esquerda, onde se sente mais confortável, colocou Dostonbek Khamdamov no ataque (com um importante movimento no lance do gol), e intensificou a pressão e os contra-ataques. O Uzbequistão conseguiu se movimentar de forma razoável. Ainda sem chances reais, mas vale destacar. No entanto, na defesa, Fabio não conseguiu corrigir nada, e a Colômbia continuou superior.

O que vem a seguir para o Uzbequistão? Ainda os únicos sem pontos

Fabio Cannavaro é apenas o quarto vencedor da Bola de Ouro na história a participar de uma Copa do Mundo como jogador e como técnico. Depois de Franz Beckenbauer, Oleg Blokhin e Marco van Basten.

Já Luis Díaz é o primeiro colombiano a marcar 1+1 em sua partida de estreia na Copa do Mundo. Sim, o ponta de 29 anos está em sua primeira Copa do Mundo.

Na segunda rodada, o Uzbequistão enfrenta o adversário mais difícil: Portugal. A partida será no dia 23 de junho. Já a Colômbia enfrentará a RD Congo no dia 24 de junho, uma seleção que justamente já segurou os portugueses. Por enquanto, os uzbeques são os únicos do grupo sem pontos.

E é justamente o terceiro gol sofrido que pode atrapalhar bastante na briga pelos playoffs a partir da potencial terceira posição – lá, a diferença é muito importante.

Yara Brito

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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