Jim Hiller – novo técnico do Toronto: o que se sabe sobre ele e o que esperar

Ainda há muitas perguntas.
Após um mês de buscas e entrevistas, o “Toronto” finalmente definiu seu novo técnico: Jim Hiller, que anteriormente era o principal no “Los Angeles”.

A nomeação foi o mais inesperada possível – nem mesmo os insiders sabiam da opção por Hiller.
Vamos entender quem é esse treinador e o que ele pode ter chamado a atenção da diretoria do clube canadense.
Hiller já trabalhou no Toronto: ajudou Babcock e foi responsável pelo power play
A carreira de técnico de Jim seguiu um caminho tradicional e clássico. Primeiro, ele trabalhou por mais de 10 anos em ligas juvenis, e na temporada 2011/12, foi até reconhecido como o melhor treinador da CHL (Liga Canadense de Hóquei). Em 2014, ele foi promovido e se tornou assistente de Mike Babcock no Detroit.
Pouco tempo depois, Babcock se mudou para o Toronto e levou seu assistente consigo. Lá, eles trabalharam juntos por quatro anos, e durante todo esse período, Jim foi responsável pelo power play. O resultado foi bom: em termos de aproveitamento de superioridade numérica, os Leafs estavam consistentemente entre os melhores da liga. A única exceção foi a temporada 2015/16, quando o clube caiu para o fundo do poço para garantir a primeira escolha no draft.

Depois do “Toronto”, Hiller ajudou Barry Trotz no “Islanders” e Todd McLellan no “Los Angeles”. Nestes clubes, ele também foi convidado como treinador de ataque e/ou de power play. Este é um detalhe importante, ao qual voltaremos mais tarde.
No “Kings”, Jim acabou recebendo sua primeira oportunidade de trabalhar de forma independente. Após a demissão de McLellan em fevereiro de 2024, ele foi nomeado treinador interino. O estreante levou a equipe aos playoffs, mas foi eliminado pelo “Edmonton” na primeira rodada. A diretoria ficou satisfeita com o resultado – e Hiller permaneceu no cargo.
Na temporada regular de 2024/25, o “Kings” teve um desempenho excelente: 48 vitórias, 105 pontos (igualando o recorde do clube) e o segundo lugar na Divisão do Pacífico. No entanto, nos playoffs, foram eliminados novamente pelo “Oilers”. A derrota foi dramática: o “Los Angeles” vencia a série por 2-0 e tinha boas chances de vencer o terceiro jogo, mas após sofrer um gol no terceiro período, Hiller fez um desafio mal-sucedido – o que resultou em um power play para o “Edmonton”, que assumiu a liderança e venceu. Esse jogo acabou mudando o rumo do confronto.
Na última temporada, o “Kings” caiu de rendimento e foi muito instável. Anze Kopitar, Drew Doughty e Phillip Danault tiveram um desempenho abaixo do esperado, e não houve um substituto à altura para o saída de Vladislav Gavrikov. Tudo isso afetou o nível da equipe, e Hiller não encontrou soluções táticas para sair da crise. Nem mesmo a contratação de Artemi Panarin salvou a situação. O treinador foi o bode expiatório e demitido em 1º de março.

Depois disso, nada se ouviu sobre Hiller por mais de três meses. E agora ele retornou ao “Toronto” – já como treinador principal.
O “Los Angeles” de Hiller é bom em estatísticas avançadas. Mas havia reclamações sobre o estilo de jogo
Como o “Los Angeles” jogava sob o comando de Hiller? Isso, talvez, seja o principal fator de preocupação para os torcedores do “Toronto”.
Jim assumiu a equipe durante a temporada 2023/24 e não fez mudanças drásticas. Por exemplo, na zona neutra, sob McClellan, os “Kings” usavam um esquema bastante defensivo de 1-3-1. Hiller, inicialmente, manteve a mesma formação.

Nas temporadas seguintes, o treinador variou entre os sistemas 1-3-1 e 1-2-2. Em geral, o estilo era focado principalmente na defesa. E isso trouxe resultados específicos: em 175 jogos sob o comando de Hiller, o “Los Angeles” sofreu menos gols que qualquer outro time da liga no formato 5 contra 5 (273 gols) e teve uma média de 2,6 gols sofridos por jogo.
Segundo estatísticas avançadas, o desempenho também foi bastante satisfatório: segundo lugar na liga em relação entre gols marcados e sofridos, e sétimo lugar em chances de gol criadas/concedidas (em 5 contra 5). Pode-se dizer que, na temporada regular, o sistema de Hiller funcionou bem. Mas será que ele se encaixa no elenco atual do “Toronto”, que (no momento) tem poucos atacantes que se destacam na defesa?
Hiller foi criticado por problemas no ataque e também por não se adaptar ao “Edmonton” nos playoffs. Os “Oilers” aprenderam a superar as formações defensivas do “Los Angeles” graças à velocidade de alguns atacantes e aos passes longos e rápidos dos defensores. Os “Kings” muitas vezes não conseguiam se organizar, e o jogo já estava em sua zona. No entanto, o técnico principal não fez ajustes significativos durante ambas as séries.
O que acontecerá no “Toronto”? Há suposições, mas poucos fatos até agora
Vamos analisar os principais detalhes e nuances para entender o que Hiller trará para o “Toronto”.
● As visões de Hiller e Chayka sobre o hóquei coincidem? O gerente geral do “Toronto”, John Chayka, tem pelo menos um ponto em comum com o novo técnico: a atenção à análise e às estatísticas. Ainda durante seu trabalho na CHL, Hiller, junto com o ex-defensor Brad Verenka, fundou a empresa de análise “TruPerformance”. Bob Tory, gerente geral do clube juvenil “Tri-City”, onde Hiller treinou, destacou em uma entrevista a paixão de Jim por essa área: “Ele estava muito envolvido na indústria de análise quando ela ainda estava em seus estágios iniciais. Ele estava interessado e dedicava muito tempo a isso”.
Se o gerente e o técnico estão alinhados na visão da equipe e do estilo de jogo, ainda é difícil dizer. Chayka já garantiu que não há problemas nesse aspecto: “Queremos que nada separe treinadores e gestores. E acreditamos que Jim nos dá a melhor chance de alcançar isso”.
Mas se isso é verdade, o tempo dirá. Para o “Toronto”, a integridade da estrutura do clube é uma questão especialmente importante, já que houve problemas no passado. Portanto, é essencial que Chayka e Hiller estejam em sintonia.
● Como o “Toronto” jogará? É claro que há uma grande tentação de afirmar que, no “Toronto”, Hiller adotará o mesmo modelo defensivo que no “Los Angeles”. Mas será que essa conclusão é precipitada? Como assistente, Jim sempre foi responsável pelo power play e chegou à liga com a reputação de treinador ofensivo.
O jornalista Justin Bourne, que trabalhou como treinador de vídeo no sistema do “Toronto” entre 2015 e 2017 e teve contato com Hiller, afirma que o técnico não é dogmático e não se apega rigidamente aos princípios de jogo da época do “Los Angeles”. Por exemplo, segundo Bourne, o uso do sistema 1-3-1 era determinado pelas características do elenco, que (antes da chegada de Panarin) não tinha grandes estrelas ofensivas, mas contava com muitos atacantes versáteis.
O próprio Hiller já disse que quer que o estilo de jogo agrade aos jogadores. Mas se Jim realmente é capaz de se adaptar e mudar, só saberemos em outubro. Por enquanto, só podemos supor que, no power play, Matthews voltará para a ala esquerda e Nylander para a direita. Foi assim que Hiller os posicionou quando trabalhou no “Toronto”.

● E o que acontece com Matthews? Não há motivos para acreditar que o capitão do “Toronto” esteja insatisfeito com a decisão do clube. Segundo informações de jornalistas e insiders como Jeff Marek e Nick Kypreos, durante o período em que trabalharam juntos entre 2016 e 2019, Matthews e Hiller tinham uma relação muito boa. Em geral, Jim tem uma reputação positiva entre os jogadores. Por exemplo, Drew Doughty, Phillip Danault e James van Riemsdyk falaram bem dele.
● E agora? A escolha de assistentes e a formação do elenco. É bem possível que John Gruden, treinador do time afiliado do “Toronto” na AHL, ajude Hiller – eles se cruzaram no “Islanders”. Também é esperado o retorno de DJ Smith ao “Leafs”, que trabalhou com Hiller não apenas no “Toronto”, mas também no “Los Angeles”.
O elenco do “Leafs” ainda tem muitas lacunas: é necessária uma modernização e rejuvenescimento da defesa, além do fortalecimento das linhas inferiores. No entanto, a recente troca com o “Philadelphia”, na qual o clube canadense adquiriu o defensor ofensivo Emil André, grande e técnico, parece sugerir que o “Leafs” de Hiller será uma equipe mais ofensiva.
No entanto, por enquanto, essa nomeação ainda parece controversa. E se Hiller não der certo, com certeza lembrarão que Kypreos recusou o convite de Bruce Cassidy por causa de Jim.





Toronto tem a primeira escolha do draft, onde obviamente selecionará um atacante. Além disso, já contam com 3 atacantes estrelados. Com essa situação, a defesa fica em segundo plano – os Leafs precisam liderar em gols marcados na conferência. Caso contrário, a diretoria toda deve ser demitida…
A disputa será acirrada. Este ano, as classificações de Penguins e Flyers podem ser consideradas em grande parte aleatórias, e em seus lugares, Toronto, Florida, New Jersey, Islanders e possivelmente Detroit não podem ser subestimados. Apenas Capitals e Penguins parecem estar em declínio, não acredito em nenhum dos dois, é hora de uma reformulação. Resumindo, será intenso.