Vozinha – história de sucesso do goleiro de Cabo Verde pelos olhos de um amigo de escola

Falou Lyubov Kurcheva.
Aconteceu que, após a surpreendente ascensão do goleiro da seleção de Cabo Verde, Vozinha, acabei espalhando um boato sem querer. Vi no Instagram uma publicação assim:

E traduzi para o canal do Telegram e para os fóruns.
Logo tive que me desculpar. Acontece que o autor, o ex-capitão da seleção de vôlei de Cabo Verde, Valdir Reis, estava brincando na conta da escola de vôlei que ele fundou.
Ele me contou isso em uma troca de mensagens, mencionando que estudou na mesma escola que Vozinha. Depois disso, rapidamente combinamos uma entrevista.
Reis compartilhou memórias sobre Vozinha e explicou o que o sucesso dele significa para Cabo Verde.
Esclarecendo a situação com o vôlei: Vozinha definitivamente não é treinador
– Como surgiu essa postagem?
– Vou dizer logo: Vozinha nunca jogou vôlei.
Eu tenho uma escola de vôlei de praia em Cabo Verde. Desde o ano passado, convido pessoas famosas do nosso país, e realizamos algo como uma aula aberta.
Convidamos Vozinha porque nos conhecemos desde a escola. Inicialmente, ele disse que não tinha tempo, mas mesmo assim veio por um curto período e jogou. Foi quando nosso fotógrafo tirou essas fotos.


Publiquei o post como uma brincadeira. Queria apoiar o Vozinha antes do jogo contra a Espanha – e nem imaginava que tanta gente veria. Toda essa confusão aconteceu por causa da fama repentina dele. Todos os nossos seguidores sabem que o Vozinha não é treinador de vôlei. Mas depois, até grandes contas sobre vôlei compartilharam, e assim a informação se espalhou.
Tive que publicar um novo post para parar essa onda.
– Você convidou o Vozinha para a escola porque ele já era uma estrela em Cabo Verde na época?
– Cem por cento. Ele é um dos capitães da seleção, todo mundo o conhece. Convidamos o Vozinha quando a seleção já havia se classificado para o Mundial, então havia muita empolgação.
– Como os meninos da escola reagiram quando viram o Vozinha?
– Ah, foi incrível.
Difícil imaginar como todos em Cabo Verde estavam felizes apenas com a classificação para o Mundial. Quando os meninos veem alguém que estava no gol da seleção jogando vôlei com eles… Claro, é maravilhoso.
Vozinha foi tirado do time da escola por causa de Reis. Mas ele não se chateou – e ajudou antes da série de pênaltis na final
– Você e o Vozinha estudaram juntos.
– Sim, no ensino médio. Foi quando nos conhecemos.

– Na mesma classe?
– Não, mas tínhamos algumas aulas em comum. Por exemplo, educação física.
Depois, entrei para a seleção de futebol da escola. Lá, aconteceu uma história engraçada.
Hoje, tenho dois metros de altura, e na adolescência também era o mais alto, então o treinador decidiu que eu seria o goleiro. Apenas por causa da minha altura. Tínhamos outro goleiro lá – o Voziña. Enfim, ao me escolher, o treinador tirou o Voziña do time. Sinceramente, a pior escolha que o treinador poderia ter feito 😀.
Fomos para o torneio assim. Não joguei nenhuma partida, chegamos à final. E o goleiro titular, por algum motivo, não apareceu – sinceramente, não me lembro do que aconteceu. Terminamos 0:0, e veio a disputa de pênaltis. E eu sou um goleiro terrível 😀.
E na pausa antes dos pênaltis, o Voziña, que tinha ido apenas para torcer, desceu das arquibancadas para me explicar como jogar nos pênaltis. Ele disse: “Dá um passo, escolhe um lado e pula com toda a força”. No final, fiz uma defesa, e ganhamos.
Essa história explica tudo. O Voziña é especial. Imagine: você é o goleiro, mas o treinador, por algum motivo, te exclui. Mas você não fica chateado, e ajuda quem foi escolhido no seu lugar. Uau.
– Parece que ele não é nada egoísta.
– É exatamente isso. Não consigo imaginar o Voziña com esse tipo de atitude. Ele simplesmente faz o seu trabalho. Se você pedir algo, ele com certeza fará.
Mas o Voziña nunca foi de falar muito. É difícil imaginar como ele está lidando com tudo o que está acontecendo agora.
– Você e o Voziña já relembraram essa situação?
– Ha-ha, já. Ele contou que encarou de forma filosófica: é a escolha do treinador, e eu a respeito.
Agora, quando eu e meus amigos assistimos primeiro à qualificação e agora ao próprio campeonato mundial, posso sempre dizer: “Imaginem, ele foi tirado do time por minha causa” 😀.

– Em uma entrevista, Vozinha contou que apanhava e sofria bullying na escola.
– Acontecia. Mas, infelizmente, em Cabo Verde isso é uma triste realidade.
– Essas situações o mudaram?
– Com certeza, ele me falou sobre isso. O que não te mata, te fortalece. Isso se aplica ao Vozinha. Quando um treinador constantemente diz que você não é bom o suficiente, quando alguém te espanca depois da aula… Você ou se quebra ou se torna mais forte.
– Quando vocês eram adolescentes, havia algo que indicava que Vozinha se tornaria um atleta de topo em Cabo Verde?
– Sim, embora muitos não acreditassem nele. Até mesmo aquele treinador da escola que acabei de mencionar. Mas Vozinha tem uma personalidade que transformava isso em motivação.
Somos parecidos nesse aspecto. Eu também ouvi muitas vezes que não daria em nada.
Agora, eu e Vozinha não somos amigos próximos, mas frequentemente discutimos questões esportivas e temos muito respeito um pelo outro.

– Quando você sentiu pela primeira vez que Vozinha estava se tornando uma figura importante para Cabo Verde?
– Sinceramente, só agora 😀. Eu nem poderia imaginar algo assim. É loucura.
Toda essa febre começou com um blogueiro brasileiro. Durante o jogo contra a Espanha, ele disse: “Como esse goleiro pode ter apenas 50 mil seguidores?” E depois aconteceu o que aconteceu.
Ninguém em Cabo Verde poderia imaginar algo assim. Agora ele tem mais de 13 milhões de seguidores… Se eu tivesse contado isso para alguém uma semana atrás, diriam que eu era louco. Mas Vozinha mereceu absolutamente tudo isso.
Eu assisti ao jogo, mas mal me lembro dele. Porque era como se eu estivesse na defesa com os caras. Com certeza ajudei, haha.
Depois, entrei no Instagram – e Vozinha estava em todo lugar. Literalmente diante dos meus olhos, o número de seguidores dele aumentava em milhares. Em minutos.
“Estamos prontos para tudo para não voltar à vida antiga”. A trajetória de Vozinha como símbolo das histórias de muitos cabo-verdianos
– Como você assistiu ao jogo contra a Espanha?
– Coloquei a camisa da seleção e peguei a bandeira. Em Cabo Verde, costumamos dizer: “1% é a nossa chance. O resto é destino”. Claro, não esperávamos esse resultado, mas rezamos muito por ele.
Durante o jogo, celebramos tudo: o primeiro desarme, o primeiro cartão amarelo, a primeira substituição, cada defesa. Para nós, tudo isso era novo – uma felicidade enorme.
Recebi uma quantidade enorme de mensagens. E isso sou eu. Imagine o que está acontecendo com os jogadores da seleção?

– A autoestima dos cabo-verdianos mudou de alguma forma nesses dias?
– Sim. Por muitos e muitos anos, escolhemos uma seleção para torcer na Copa do Mundo. Alguns eram a favor do Brasil, outros de Portugal… Agora, simplesmente temos a nossa própria. Todos torcem para uma única equipe. Até mesmo aqueles que nunca se interessaram por esportes.
E agora acreditamos que podemos ser campeões. Estou brincando.
Tenho certeza de que essa experiência será uma enorme motivação para os jovens. Lembro-me de como acompanhei a seleção francesa em 1998. Isso me inspirou incrivelmente. Pensei: “Será que um dia poderei estar em um palco tão grande?” E imaginem o que os jovens estão sentindo agora? Eles talvez não conheçam esses jogadores pessoalmente, mas sabem que suas raízes estão aqui. Mesmo que tenham nascido na Irlanda, como nosso zagueiro Pico.
Muitos cabo-verdianos vivem fora do país. A imigração faz parte da nossa cultura, está no nosso sangue. Tenho certeza de que, graças a esse sucesso, muitos lembrarão de suas raízes.
– O que você acha que tocou tanto as pessoas na história de Vozinha?
– Claro, ela não teria sido conhecida por tantas pessoas se não fosse por esse blogueiro brasileiro. Ele simplesmente escolheu Vozinha. Foi coincidência. Destino.
Mas a história de Vozinha reflete o caminho de muitos cabo-verdianos. Não temos muitas condições. Isso se torna uma motivação para o crescimento. E depois você chega à Europa e ouve do treinador: “Ah, você precisa treinar algumas horas a mais”. E você pensa: “Ok, sem problemas. Farei tudo”.
Acho que muitos jogadores de Cabo Verde passaram por diálogos assim. Estamos dispostos a tudo – apenas para não voltar à vida antiga.

– Voinha é o melhor jogador da seleção de Cabo Verde?
– Sinceramente, acho que o melhor jogador é o técnico Bubista. Mas, claro, é impossível mudar tudo com um estalar de dedos. Nossa seleção começou a crescer ainda com o técnico anterior, o português Rui Águas. E, claro, a federação de futebol trabalhou muito bem.
E Bubista finalizou esse processo. Ele é nosso, local, então sabe muito bem o que tudo isso significa para os cabo-verdianos.
Ele tem o espírito nacional. Fala sobre como trabalhamos a vida toda com muito esforço, sem esperar nada em troca. Simplesmente trabalhamos. Em campo, vimos isso: taticamente estava tudo bem, mas a disciplina foi ainda melhor.
“Queremos fazer algo pelo país”. Voinha e Reis têm escolas esportivas em Cabo Verde
– Com que frequência você se comunica com Voinha?
– Depois da escola, nos tornamos atletas profissionais. Ficou mais complicado: eu fui para Portugal, ele para Angola. Mas continuamos nos escrevendo e, claro, enviando memes um para o outro 😀.
Mantivemos contato: afinal, ele é um dos capitães da seleção de futebol, e eu sou capitão da seleção de vôlei. Temos muito o que discutir. Ainda mais considerando que Voinha tem uma escola de goleiros na ilha de São Vicente, em Cabo Verde – ele sempre me conta sobre isso. Nesse aspecto, temos experiências parecidas.

– Como se torna um atleta profissional em Cabo Verde, por exemplo, um jogador de futebol ou vôlei?
– Todos têm educação física nas escolas, mas é só uma hora por semana, o que é pouco. Por isso, se um adolescente gosta de esportes, precisa procurar um lugar em um clube esportivo. Literalmente procurar. Você vai a diferentes lugares e pergunta: “Posso jogar aqui?” Se gostarem de você, te mantêm.
Antes, treinadores e professores de educação física tinham um grande papel nas perspectivas de carreira. Eles podiam recomendar uma criança para alguém. Era assim que se conseguia sair.
Já estou na Europa há 17 anos. Nesse tempo, muita coisa mudou. Por exemplo, surgiram escolas de futebol de verdade. Agora estou tentando criar algo semelhante para o futebol de praia.
– E em Cabo Verde é possível se tornar um profissional no sentido europeu da palavra?
– Não. Embora, novamente, muita coisa esteja mudando no futebol agora. Mas em Cabo Verde, você é apenas um “jogador”. Não um “profissional”.
Vou explicar com o meu exemplo. Comecei em Cabo Verde, venci o campeonato nacional duas vezes e fui eleito o melhor jogador do torneio duas vezes. Mas, aos 23 anos, me mudei para Portugal – e só então me tornei um profissional.
Há um problema: começamos muito tarde. Por exemplo, só comecei a levar o vôlei a sério aos 16 anos. Por causa disso, me tornei um central – basicamente, o jogador mais alto e forte da equipe, para quem a técnica não é tão importante. O principal é ter salto e força.
Antes, não tínhamos boas condições para começar – nem treinadores fortes, nem sistemas de preparação adequados. As coisas estão mudando gradualmente, mas é um processo longo.
Basicamente, não somos bons o suficiente.

– Como surgiu a sua escola de vôlei?
– Nós a criamos para ajudar os jovens de Cabo Verde. Agora existem duas. Por enquanto, são dois treinadores em duas ilhas. Quem participa são principalmente adolescentes, não crianças. Mas ainda é difícil para mim desenvolver o projeto seriamente, porque moro na Bélgica e só vou a Cabo Verde durante as férias. O Voziña enfrenta as mesmas dificuldades.
Queremos fazer algo por Cabo Verde. Pessoalmente, quero muito retribuir ao meu país o que ele me deu. Acho que o Voziña tem a mesma ideia.
Sair de Cabo Verde para o continente é muito difícil. Antes, eu pensava que era assim só no vôlei, mas o Voziña me contou que os jogadores de futebol enfrentam os mesmos problemas. Eu até disse a ele: “Para vocês, jogadores de futebol, tudo é mais fácil”. Mas ele discordou.
Quero muito que Cabo Verde forme jogadores de vôlei fortes. Temos um clima excelente, é possível jogar o ano todo. Quem sabe um dia poderemos competir nas Olimpíadas? (isso nunca aconteceu nem no vôlei de quadra nem no de praia) Acho que vocês podem imaginar por que é difícil montar uma seleção forte: no mínimo, todos vivem em ilhas diferentes. Não é fácil.
– Qual é o objetivo da sua escola?
– Se você nasceu em Cabo Verde e quer se tornar um atleta profissional, alguém precisa te ajudar. Não tem outro jeito. Foi assim com o Voziña, com outros jogadores da seleção e comigo. Fui ajudado por um ex-jogador da nossa seleção de basquete: ele veio a Cabo Verde de férias, me viu e me deu um par de tênis. Depois, disse: “Você é bom o suficiente para a Europa”.
Foi assim que cheguei a Portugal. Depois joguei em Luxemburgo, mas lá ainda precisava trabalhar paralelamente para me sustentar. Agora estou na Bélgica.
Para que tudo dê certo, alguém precisa te ajudar. Agora quero ser essa pessoa para os jovens de Cabo Verde. Quem sabe, um dia, algum deles poderá chegar à Europa?

Mas mesmo que não, meu objetivo também é que os rapazes se tornem bons cidadãos do nosso país. Por isso, também nos dedicamos à educação. Por exemplo, em breve começaremos a ajudar com idiomas – inglês, francês (em Cabo Verde, falam-se o português e o crioulo cabo-verdiano). Isso é necessário não apenas para jogar na Europa, mas também para a vida.
“Temos apenas uma chance”. O que os europeus não entendem sobre o esporte em Cabo Verde
– Sua história é semelhante à de Vozinha – ele cresceu com os avós porque a mãe trabalhava constantemente. Isso é comum em Cabo Verde?
– Infelizmente, sim. Temos condições difíceis para as crianças, e isso é um grande problema. Mesmo quando tudo está bem na família, muitas vezes os pais vão para a Europa em busca de trabalho. As mães ficam com os filhos. É extremamente raro que os pais consigam levar a família também – acaba que eles vivem na Europa em condições mais agradáveis, enquanto as mães criam os filhos.
– As pessoas frequentemente deixam Cabo Verde?
– Sim. Muitos querem ir para a Europa ou América. Até diria: vivemos com esse sonho. Alguns partem em busca de uma chance de uma vida melhor para a família e os pais.
Claro, não posso falar por todos, mas posso contar minha história. Cresci sem pai. Minha mãe criou dois filhos sozinha e trabalhava em dois empregos apenas para nos alimentar. Meu pai morava a dez minutos de distância, mas nunca tive uma relação com ele.
Em Cabo Verde, as pessoas não têm muitas oportunidades. Por isso, muitos querem chegar à Europa.

– Você sente saudade?
– Eu não teria saído se pudesse me tornar profissional em Cabo Verde. Quando encerrar minha carreira, voltarei, porque lá é a minha casa. Sei que muitos também querem isso. É só que em Cabo Verde não há tantas oportunidades.
– O que as pessoas na Europa podem não entender sobre o caminho dos atletas de Cabo Verde?
– Nós temos apenas uma chance.
Imagine: terminei a escola, minha mãe não podia pagar a universidade. Então, eu tinha apenas um caminho e uma chance. Você agarra com todas as forças – e simplesmente precisa aproveitá-la.
Agora trabalho como treinador na Europa e entendo que eles não podem fazer isso. Para eles, jogar vôlei é uma escolha. Se não der certo, eles vão para a universidade, encontram um emprego ou até tiram um ano de folga para se encontrar. Por isso, nas conversas com os jovens, não posso me basear na minha experiência. Não vou dizer que em Cabo Verde todos sonhariam com as condições deles, certo?
Para eles, não é uma questão de futuro.
– Você acha que, após a participação da seleção no Campeonato Mundial, os atletas de Cabo Verde terão mais chances na Europa?
– Tenho certeza disso. Agora as pessoas pelo menos sabem que existe esse país. Viram como somos.

Posso explicar usando o exemplo do vôlei. Quando nos mudamos para a Europa, nossa única chance é ser fisicamente mais forte que os concorrentes. Em Cabo Verde, você é especial – fui duas vezes o melhor jogador do campeonato local. Depois, me mudei para o Benfica e me tornei apenas “mais um”. Se o concorrente precisava repetir o exercício 10 vezes, eu tinha que fazer 20. Sem isso, em condições iguais, eu seria dispensado, e não ele.
Acho que no futebol funciona da mesma forma.
“Ele trabalhou silenciosamente por muitos anos. Só agora, aos 40, todos o viram”. Essa é a dramaticidade da história de Vozinha
– Você escreveu ou ligou para o Vozinha depois do jogo?
– Nem tentei. Lembrei da experiência da Copa da África, que é inútil. Quando a Copa do Mundo acabar, claro, entraremos em contato. Ainda preciso explicar o que aconteceu com essa postagem sobre vôlei 😀.
Seu telefone agora certamente não para de tocar. E ele ainda tem que jogar daqui a alguns dias. Acho que agora é muito importante que o Vozinha se concentre.

– Se você pudesse dar um conselho a ele agora, qual seria?
– Apenas aproveitar. Ele fez um trabalho silencioso por muitos anos, que ninguém notou. Só agora, aos 40 anos, as pessoas viram do que ele é capaz. Este é definitivamente sua última Copa do Mundo, então ele precisa viver cada minuto intensamente.
No lugar dele, eu choraria após cada partida. Pela consciência de que é a primeira – e última Copa do Mundo.
Agora, ele é um símbolo. Claro, sua vida vai mudar. Talvez ele seja premiado, ou uma rua ou estádio seja nomeado em sua homenagem. Eu gostaria que ele apenas aproveitasse.
– O que você espera dos próximos jogos?
– A mesma disciplina. Talvez não soframos gols novamente e façamos alguns contra-ataques bons para marcar? 1:0 ou 2:0 é um resultado absolutamente normal.
E, claro, mais 15 defesas dele.

– Se você tivesse que descrever Voziña com uma única palavra, qual seria?
– É resiliência (não traduzimos essa palavra devido à falta de um equivalente direto; resiliência – capacidade de manter a estabilidade psicológica e se recuperar após fracassos).
Ele percorreu um caminho difícil. Jogou em torneios pequenos, em times pequenos. Foi para Angola em busca de uma chance. Mas nunca desistiu e continuou trabalhando. Treinou, treinou, treinou.
E agora ele está no topo do mundo. Alguém pode dizer que ele teve sorte. Mas não. Definitivamente não foi sorte.




