Futebol

Uruguai dormiu no primeiro tempo – Bielsa usou Valverde de forma terrível

Análise de Vadim Lukomsky.

A Arábia Saudita surpreendeu novamente na primeira rodada da Copa do Mundo contra uma seleção sul-americana. Em 2022, a Argentina foi chocada por uma ousada armadilha de impedimento e perdeu por 1:2. A nova vítima é o Uruguai (1:1).

Padrões – a base dos maiores 5 minutos na história da seleção saudita

O trecho entre os 35 e 40 minutos foi simplesmente emocionante. Os sauditas iniciaram uma série grandiosa de padrões, e ainda devolviam a bola o mais rápido possível – ou seja, não permitiram que o Uruguai atacasse.

Na série, houve um pênalti, vários laterais longos e três escanteios, cada um deles representando uma ameaça. Além disso, foram executados de maneiras diferentes (um escanteio foi curto), mas sempre encontraram o zagueiro central Abdulelah Al-Amri. Ele marcou um chute de 11 metros, um passe agudo após uma disputa vencida e um gol de rebote dentro da área.

Do lado do Uruguai, houve um anti-herói igualmente evidente: Matías Olivera. Basta observá-lo nesses lances – é melhor ver isso em movimento. Ele também cometeu uma série de erros: perdeu disputas, atrapalhou os companheiros ao bloquear as corridas, desapareceu em momentos cruciais e abandonou os oponentes.

Foi bonito ver que o gol dos sauditas surgiu justamente nesse momento de grande pressão.

Primeiro tempo: sauditas organizados e uruguaios sonolentos

Durante todo o primeiro tempo, a Arábia Saudita se defendeu com confiança e ganhou fôlego com períodos de posse de bola. As bolas paradas foram o aspecto mais destacado, mas todo o desempenho foi de qualidade. O esquema principal foi um compacto 4-4-2 no bloco intermediário:

A equipe de Georgios Donis se movia muito bem nessa formação e fechava o corredor central. A organização de qualidade dava uma confiança especial diante de um Uruguai problemático.

No primeiro tempo, a equipe de Bielsa parecia completamente sem ideias. A disposição mais comum era:

Manuel Ugarte ao lado dos zagueiros centrais (às vezes com Rodrigo Bentancur), e todos os outros mais à frente. Formalmente, as posições ofensivas foram ocupadas de forma muito ousada, mas não havia conexão alguma com o setor de ataque da equipe.

No final, o Uruguai ou trocava passes ou fazia lançamentos longos e pouco precisos para o ataque.

Segundo tempo: retranca + sorte

Desde o início do segundo tempo, os sauditas adotaram uma postura mais defensiva. O ponta Mohammed Abu Al-Shamat constantemente recuava como quinto defensor:

Nessa configuração, a equipe passou muito mais tempo do que no esquema inicial 4-4-2.

Estatísticas do segundo tempo: 76% contra 24% de posse de bola e 22:2 em finalizações. A Arábia Saudita concentrou suas duas finalizações em um único ataque aos 87 minutos. Antes disso, não conseguiu criar oportunidades.

Desde o início do segundo tempo, a dinâmica do jogo mudou. Primeiro, os sauditas pararam de contra-atacar. Segundo, a velocidade e o volume dos ataques uruguaios aumentaram significativamente.

O Uruguai fez muitos cruzamentos na área (37 no total). A equipe foi previsível, e nem todas as 22 finalizações foram de alta qualidade, mas com tantos ataques, o gol era iminente. Poderia até ter marcado mais de um.

Os sauditas tiveram muita sorte. As razões para o progresso da equipe de Bielsa serão discutidas mais adiante. Por enquanto, registramos que o desempenho no segundo tempo foi influenciado por Donis, que adotou uma postura extremamente defensiva.

Valverde não é ponta direita

As principais mudanças de Bielsa ocorreram no intervalo. A primeira foi posicional: Juan Sanabria entrou no lugar de Matías Viña (ambos laterais esquerdos). A segunda foi a entrada de Agustín Canobbio no lugar de Darwin Núñez, com uma série de ajustes. Canobbio ocupou a ponta direita, onde Valverde atuou no primeiro tempo.

Fede foi deslocado para o centro, com ampla liberdade e criatividade. Assim, Bielsa corrigiu um erro inicial grave. Parece que Marcelo finalmente encontrou uma posição onde Valverde não se destaca.

No primeiro tempo, Fede atuou como ponta direita. Ou seja, não apenas começou na direita, mas passou a maior parte do tempo em uma posição ampla, sem liberdade significativa para se movimentar. Aqui está o mapa de calor dele na primeira etapa:

O líder do Uruguai estava muito preso à linha lateral e recebia a bola raramente. Tudo isso com problemas claros de conexão no meio-campo.

Após as mudanças, Canobbio ocupou a ponta direita. Valverde atuou como meia ofensivo na defesa, mas na prática ajudava em todos os setores.

Imediatamente, uma tabela com entrada na área pelo lado esquerdo do campo (no primeiro tempo, nem conseguia chegar lá):

Houve constantes invasões na base adversária:

E os movimentos auxiliares que liberavam os parceiros e ajudavam a preparar melhor as jogadas decisivas:

Participação na progressão a partir da própria metade do campo:

No segundo tempo, Sua Onipresença ganhou liberdade, e na habilidade de estar em todos os lugares, não há igual. O Uruguai se transformou. O jogo ganhou fluidez. Todas as disputas de bola eram vencidas por apenas um time. Sim, o ataque faltava refinamento, mas o ritmo aumentou significativamente – o gol era quase inevitável.

A lição mais óbvia do início apagado do Uruguai: Valverde não pode ser preso à ponta, ele precisa de liberdade e ampla autonomia.

Lara Magalhães

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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18 Comentários

  1. Havia apenas um jogador de alto nível em campo, e Bielsa o neutralizou com maestria!
    Um grande treinador!

    1. Pois é.. Muita gente se lembra de como a Argentina, com Samuel, Verón, Zanetti, Simeone, Aimar, Batistuta, Ortega, Crespo, Kily González e Claudio López, era considerada uma das favoritas antes da Copa do Mundo de 2002, mas acabou nem passando da fase de grupos..

    2. Luko mski até escreveu um artigo sobre esse time: “A obra-prima esquecida de Bielsa”. Na prática, eles jogaram muito mal – além de cruzamentos, não ofereceram nada aos adversários e não foram a lugar nenhum.

  2. Pelo que entendi, Luko mski já tem 8 anos de obrigação de escrever sobre a Arábia Saudita depois daquela vergonha?

  3. Pois é.. Muita gente se lembra de como a Argentina, com Samuel, Verón, Zanetti, Simeone, Aimar, Batistuta, Ortega, Crespo, Kily González e Claudio López, era considerada uma das favoritas antes da Copa do Mundo de 2002, mas acabou nem passando da fase de grupos..

  4. O Uruguai apareceu tão desanimador quanto se esperava. Nos últimos dois anos, eles só venceram um adversário igual ou mais forte – a Colômbia, em novembro de 2024. Tanto na Copa quanto nas eliminatórias para a Copa do Mundo, eles foram uma equipe terrivelmente chata e sem graça, com muitos empates e derrotas. Bielsa, até agora, não tem se saído bem, para dizer o mínimo, e só é lembrado por escândalos na seleção uruguaia. Como ele ainda não foi demitido com um desempenho desses, eu não sei.

  5. Bielsa, quando é hora de falar sobre futebol: Ferrari
    Bielsa, quando é hora de ganhar jogos e troféus: Lada-Kalina

  6. Agora até a ‘celeste’ se deu mal. Pelo menos não foi como os argentinos na última vez: aqueles desistiram completamente

  7. Lembro que eles tinham um técnico que não conseguia ficar de pé sozinho, mas acho que ele foi demitido há muito tempo

  8. Luko mski até escreveu um artigo sobre esse time: “A obra-prima esquecida de Bielsa”. Na prática, eles jogaram muito mal – além de cruzamentos, não ofereceram nada aos adversários e não foram a lugar nenhum.

  9. Mais um jogo desanimador da seleção sul-americana. Depois do empate dos espanhóis, já estavam começando a comparar o Uruguai a um monstro aqui. Curiosamente, o único que jogou mais ou menos foi o Equador, mas foi exatamente ele quem perdeu. Uruguai, Brasil – desanimador, Paraguai é um desastre total.

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