Futebol

Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026: vitória sobre o Haiti, dobradinha de Cunha e retorno de Neymar

Reportagem de Denis Romantsov de Filadélfia.

Seis ou sete horas antes da partida, os torcedores cantavam e tiravam fotos na estátua do Rocky – a escultura de bronze de três toneladas surgiu como adereço para o terceiro filme sobre o boxeador Balboa, e depois Sylvester Stallone a presenteou à Filadélfia.

A Comissão de Belas Artes se indignou com o fato de que um adereço de cinema, supostamente desprovido de valor artístico, estivesse exposto no topo da escada do Museu de Arte da Filadélfia. A estátua foi deslocada para o complexo esportivo “Spectrum”, mas, sob pressão dos cidadãos, acabou sendo devolvida ao seu lugar original.

Lá, fui solicitado a fotografar quatro haitianos, um dos quais vestia uma camiseta de Jozy Altidore. Jozy é o terceiro maior artilheiro da história da seleção dos EUA (atrás apenas de Dempsey e Donovan) e, ao mesmo tempo, é haitiano.

Os homens contaram que, assim como muitos torcedores de sua seleção na Copa do Mundo de 2026, eles são do bairro Olney, no norte da Filadélfia, conhecido como o pequeno Haiti.

Devido à suspensão da emissão de vistos para cidadãos do Haiti, a seleção perdeu milhares de torcedores, mas dois dos três jogos da Copa do Mundo são realizados em regiões com grandes comunidades haitianas: contra a Escócia, jogaram em Massachusetts, cujo governador, Maura Healey, destinou cerca de mil ingressos para haitianos.

O placar de 0:1 no primeiro jogo é considerado injusto pelos torcedores haitianos, que atribuem o resultado à arbitragem tendenciosa do argelino Mustapha Ghorbal, que, na opinião deles, deixou de marcar dois pênaltis por mão dos escoceses e não expulsou Kenny McLean por uma entrada com studs no joelho de Josué Casimir.

Os brasileiros têm suas próprias preocupações: o empate na primeira rodada deixou todos perplexos, enquanto os torcedores esperam um carnaval.

Na sexta-feira, eles se aglomeraram não apenas na estátua do Rocky, mas também no principal mercado da cidade, o Reading Terminal Market, onde, assim como eu, não resistiram ao cheesesteak da Filadélfia – um longo pão recheado com fatias finas de carne, queijo derretido e cebola frita.

Quase cem anos atrás, o cheesesteak foi inventado pelo vendedor de cachorros-quentes Pat Olivieri. Quando enjoou de salsichas, ele comprou carne bovina fatiada finamente em uma açougue e a grelhou com cebola, colocando tudo em um pão de cachorro-quente. Preparou para seu almoço, mas um cliente fiel, um taxista, pediu o mesmo. Após experimentar o cheesesteak, ele disse a Pat: “Esqueça os cachorros-quentes, você precisa vender isso!”

Torcedores encontrados no mercado de Filadélfia concordaram que, se o Brasil continuar jogando como contra o Marrocos, não passará das quartas de final.

Jornalistas brasileiros, com quem viajei para o estádio, expressaram opiniões menos radicais, esperando mudanças na escalação em comparação com a primeira rodada, e me surpreenderam apenas ao comparar Filadélfia com Samara (ambas têm rios pitorescos: o Delaware e o Volga). Ao vencer o México em Samara em 2018, o time de Neymar justamente avançou para as quartas de final.

No caminho para o novo playoff da Copa do Mundo, Ancelotti realmente renovou a equipe: substituindo Thiago e Roger por Matheus Cunha, autor de um doblete, e Danilo, Carlo apresentou a seleção brasileira mais velha (idade média de 30 anos e 216 dias) desde a final de 1962, quando os brasileiros derrotaram a Tchecoslováquia.

Defendendo profundamente, a seleção do Haiti não deu espaço para Raphinha e Vinícius, forçando os brasileiros a trocar passes laterais. Ao mesmo tempo, Casemiro e Bruno Guimarães impediram os contra-ataques haitianos, dificultando a saída da defesa com passes rápidos.

Um erro do goleiro Johny Placide quebrou o plano de Sébastien Migné, e a lesão de Raphinha ajustou a estratégia de Ancelotti – Vinícius e Douglas Santos passaram a jogar de forma mais vertical, o que resultou no terceiro gol e em uma onda de euforia nas arquibancadas, onde brasileiros e haitianos se uniram.

A vitória convincente devolveu aos brasileiros o habitual clima de festa (todos gostaram de como Cunha celebrou os gols, simulando surfe no gramado – após o jogo, os torcedores tentaram repetir isso no caminho de volta do estádio), mas os mais sóbrios ficaram decepcionados com o jogo econômico e cauteloso no segundo tempo, quando os haitianos mudaram para o 4-4-2 e pressionaram mais alto.

Carlo Ancelotti, após a vitória, parecia ao mesmo tempo satisfeito e pensativo. Disse:

– Foi um jogo consistente: menos erros bobos, mais eficiência no ataque e um controle seguro na defesa.

No primeiro tempo, jogamos melhor e aproveitamos as oportunidades com mais eficácia. No segundo, a equipe se concentrou mais no controle do jogo. Em termos de intensidade, foi uma boa partida. Mas, obviamente, ainda temos espaço para crescer. Mesmo assim, tivemos chances suficientes hoje e poderíamos ter marcado mais gols.

– Todos os torcedores estão curiosos: finalmente veremos Neymar em campo?

– Entendo perfeitamente que todos estão muito interessados em Neymar e aguardando seu retorno. Tenho boas notícias para vocês. Amanhã, Neymar fará um treino individual, e já na segunda-feira se juntará ao grupo para os treinos coletivos. Ele estará totalmente pronto para o próximo jogo contra a Escócia.

– Matheus Cunha permanecerá como atacante titular?

– Pode muito bem permanecer. A posição de Matheus hoje foi perfeita para criar problemas ao adversário. Ele encontrou as zonas certas de forma brilhante, e sua posição foi extremamente eficaz na linha de frente. É uma ótima opção para o futuro.

Mas não quero que a equipe tenha uma identidade fixa. Talvez até o próximo jogo, mudemos algo novamente.

Lara Magalhães

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo