Futebol

Raúl Jiménez marcou seu primeiro gol na Copa do Mundo aos 35 anos – após fratura no crânio e morte do pai

Daí as lágrimas.

Raúl Jiménez finalmente conseguiu! Ele estreou na Copa do Mundo em 2014, depois foi para as Copas de 2018 e 2022, mas nunca havia marcado um gol. Agora, ele marcou – no jogo de abertura, no México, na frente de seus torcedores. E não conteve as lágrimas.

Jiménez dedicou o gol ao pai. Eles conversavam antes de cada partida

Raúl levantou as mãos e apontou para o céu. Este gol é em homenagem ao pai, que faleceu em março.

Jiménez falava que o pai sempre o apoiou e foi um ajudante importante no futebol. Raúl ligava para ele antes de cada partida – até a última.

Os pais de Jiménez trabalhavam como comissários de bordo, viajavam frequentemente e passavam muito tempo fora de casa, mas os treinos de Raúl nunca eram deixados de lado: os parentes ajudavam a levá-lo aos treinos e a buscá-lo. Jiménez lembrava que, desde a infância, viajava muito devido ao trabalho dos pais – e depois se adaptou mais facilmente às mudanças para outros países e à vida nômade de um futebolista.

Houve uma conversa importante entre o pai e o filho. Aos 15 anos, quando Raúl jogava no sistema do “América”, o treinador alertou Jiménez-sênior: se o garoto não mudasse sua atitude, seria expulso. O pai conversou com o filho e perguntou o que ele queria. Raúl respondeu: quero continuar. Então, o pai explicou: então, é preciso mudar a atitude. Jiménez lembrava que, depois disso, “algo mudou” nele. E ele entendeu: precisava dar mais para se destacar.

Um ano antes da Copa do Mundo em casa, Jiménez-sênior disse que estava ansioso para ver o gol do filho no campeonato mundial. Ele defendia Raúl das críticas e lembrava: nos torneios anteriores, ele não teve muitos minutos em campo.

Após a morte do pai, Jiménez já marcou pelo “Fulham” – chorou, ajoelhou-se e apontou para o céu. E agora, esse gol tão esperado: o primeiro em Copas do Mundo, no México, em casa. O pai sonhava em ver esse momento. Mas não viveu o suficiente, faltando apenas alguns meses.

Raúl nem mesmo era titular na Copa do Mundo até 2026. E ele é o segundo maior artilheiro do México

Em 2014, Jiménez foi ao Brasil como um jovem atacante do “América”. Alguns meses antes, marcou um gol incrível de bicicleta contra o Panamá e ajudou o México a se classificar. Mas, na própria Copa do Mundo, ficou no banco de reservas.

O treinador Miguel Herrera usava a dupla Giovani dos Santos e Oribe Peralta no ataque. Até Chicharito entrava mais vezes do banco. Jiménez teve apenas um breve momento: estreou contra o Brasil, entrando aos 84 minutos. Seis minutos em campo e nenhum chute. Contra Camarões, Croácia e Holanda, ficou no banco.

Em 2018, Jiménez já era um jogador mais consolidado. Tinha passagem pelo Atlético e algumas temporadas marcantes no Benfica. No entanto, seu papel na seleção praticamente não mudou. O México tinha sua própria estrutura ofensiva: Chicharito como centroavante, Hirving Lozano responsável pela velocidade, Carlos Vela como o cérebro do ataque e Miguel Layún como uma opção híbrida na ponta. Jiménez era o coringa. Entrou contra a Alemanha e depois contra o Brasil nas oitavas de final, mas novamente sem marcar gols.

Em 2022, a situação ficou ainda mais complicada. Após uma fratura no crânio, Jiménez voltou ao futebol, mas chegou ao Catar em condições físicas abaixo do ideal devido a lesões, inatividade e falta de ritmo. Sua convocação para a Copa do Mundo foi quase um escândalo, já que o jovem Santiago Giménez ficou de fora. Raúl entrou como substituto em todas as três partidas da fase de grupos, mas ainda parecia longe de sua melhor forma.

Resultado: três Copas do Mundo, seis jogos, nenhum como titular e nenhum gol. A quebra da seca só aconteceu agora. Embora, na verdade, ele seja um dos jogadores mais importantes da história da seleção mexicana. Com o gol contra a África do Sul, Raúl chegou a 46 gols pela seleção, igualando-se a Jared Borgetti na segunda posição entre os maiores artilheiros. À frente dele, apenas Chicharito, com 52.

Jiménez esteve à beira da morte. Agora, joga com uma proteção na cabeça

O momento mais assustador da carreira de Jiménez ocorreu em novembro de 2020. Em uma partida do Wolverhampton contra o Arsenal, ele foi disputar uma bola aérea após um escanteio e colidiu cabeça com cabeça com David Luiz.

O golpe foi terrível. Raúl perdeu a consciência, recebeu oxigênio diretamente em campo e depois foi levado de maca para o hospital. O atacante mexicano sofreu uma fratura no crânio e um hematoma interno, que exigiu uma cirurgia de emergência, pois o cérebro estava sob forte pressão.

Quando o estado dele foi estabilizado, os médicos disseram a Jiménez: foi um milagre ele ter sobrevivido. Raúl não se lembra do momento da colisão. Só se recorda de chegar ao estádio, do vestiário e de entrar em campo. Depois, só escuridão. As próximas memórias já são do hospital, e mesmo assim, fragmentadas.

No início, a questão do futebol nem era considerada. O mais importante era voltar à vida normal. Os médicos não escondiam que, após um trauma tão grave, ele poderia nunca mais jogar. A fratura no crânio demorou mais para cicatrizar do que o esperado, e a reabilitação levou meses.

Mas Raúl voltou. Primeiro, treinou individualmente, depois com a equipe. Jiménez retornou aos campos nove meses após a lesão. No entanto, desde então, ele usa uma faixa de proteção especial. Ela cobre a área lesionada e reduz o risco de um novo impacto. Jiménez admitiu: se dependesse dele, jogaria sem ela. Mas, após um trauma tão grave, é preciso ouvir os médicos.

Iara Sousa

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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