Futebol

Douglas Santos e Luiz Henrique na Copa do Mundo de 2026 – chances dos jogadores do Zenit na seleção brasileira

Análise de Andrei Savin.

Uma das surpresas da próxima Copa do Mundo de 2026 é a presença de dois jogadores do Zenit na seleção brasileira: o lateral-esquerdo Douglas Santos e o ponta-direita Luis Henrique. Como eles chegaram à convocação, qual é o papel deles na seleção e será que vão jogar? Contamos tudo.

Douglas na seleção – devido à escassez de laterais

Douglas foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira para a Copa do Mundo aos 32 anos. Sua relação com a equipe nacional foi marcada por um longo período de ignorância. O defensor foi chamado desde 2013, mas só estreou em 2016, em um amistoso contra o Panamá. Ele foi incluído na Copa América de 2016, mas passou todo o torneio no banco de reservas. No mesmo ano, Douglas conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas. E nos nove anos seguintes, não foi convocado para a seleção principal.

Em 2024, o brasileiro até obteve a cidadania russa e, em março de 2025, apareceu nas listas preliminares de duas seleções – Brasil (que disputava as eliminatórias para a Copa do Mundo) e Rússia (que se preparava para amistosos), mas não viajou para nenhuma delas. Em maio de 2025, Carlo Ancelotti assumiu o comando da seleção brasileira, o que definiu o futuro de Santos na equipe.

Em setembro de 2025, Douglas foi convocado após quase uma década de ausência e até entrou em campo: jogou a partida inteira nas eliminatórias contra o Chile (3:0). Depois disso, participou regularmente de amistosos. Apenas em novembro, perdeu os jogos contra Senegal (2:0) e Tunísia (1:1) devido a uma lesão.

Em 2026, Douglas é o lateral-esquerdo titular do Brasil. Em março e abril, jogou a partida inteira contra a França (1:2) e 76 minutos contra a Croácia (3:1). Em junho, às vésperas da Copa do Mundo, atuou um tempo contra o Panamá (6:2) e 70 minutos contra o Egito (2:1).

A principal razão para a aposta no jogador do Zenit é a escassez de laterais. Seu principal concorrente é Alex Sandro, de 35 anos, que joga no Flamengo. Ancelotti falou abertamente sobre o problema em entrevista ao SBT: “Faltam laterais para nós. O Brasil teve laterais fantásticos: Cafu, Marcelo… Agora, há uma escassez, inclusive no nível juvenil. Claro, temos jovens jogadores. Por exemplo, Wesley, que tem se destacado na Roma.”

No outono passado, Douglas causou euforia em seu país após sua estreia pela seleção em uma partida oficial, enquanto Ancelotti reagiu de forma muito mais contida. Com razão: as laterais da defesa são o ponto mais vulnerável do Brasil na próxima Copa do Mundo. Com Douglas, é pouco provável que se tornem mais sólidas. Há algumas preocupações.

Em primeiro lugar, devido ao nível. Os principais clubes na carreira de Douglas são o Hamburgo e o Zenit. Com o primeiro, ele caiu para a segunda divisão da Bundesliga; com o segundo, dominou na Rússia e manteve o nível de melhor jogador em sua posição por seis anos, mas nunca jogou nas competições europeias como favorito. Na Copa do Mundo, ele enfrentará tarefas completamente diferentes e um nível de resistência distinto.

Em segundo lugar, devido ao estilo de jogo e à idade. O estilo do Brasil de Ancelotti pode ser descrito como uma tentativa de controlar o caos: é possível abrir mão da organização e da precisão em favor da improvisação e do risco. O estilo de Douglas é diferente. Ele não é um defensor agressivo, mas sim contido. Lê bem o jogo e o espaço, mas não é adequado para marcações apertadas. Com a idade, ficou mais difícil para Douglas cobrir grandes distâncias, e por isso seu papel no Zenit mudou para algo ainda mais tranquilo.

Por um lado, as qualidades de Douglas podem equilibrar o Brasil sem a bola e adicionar racionalismo ao time. Por outro, elas podem destacar ainda mais os pontos fracos. Se o espaço estiver desprotegido, é muito importante marcar de perto antes que o adversário levante a cabeça e consiga passar para um companheiro. Dois exemplos do jogo de Douglas nesse aspecto.

O negativo – do jogo contra a França (1:2). Douglas não fechou a armadilha de pressão na lateral e chegou atrasado em Usman Dembélé. No final, o francês levantou a cabeça e fez um passe cortante para o meio. O Brasil interceptou, mas não manteve a posse: Casemiro se complicou no meio, e foi pressionado por Aurélien Tchouaméni. Douglas já estava voltando para a posição e estava muito longe de Dembélé para iniciar o contra-pressão. Resultado: Usman, com dois toques, deixou Kylian Mbappé cara a cara com o goleiro.

Positivo – do amistoso contra o Egito (2:1). Douglas cruzou da lateral para Matheus Cunha, que finalizou com precisão. O Brasil não conseguiu aproveitar imediatamente, mas graças à pressão do defensor, atacou em segundo tempo e marcou o gol da vitória.

Na partida contra a Croácia, o Brasil permitiu uma aproximação perigosa após um colapso pelo lado esquerdo. Mario Pašalić levou Fabinho para a esquerda e abriu espaço no meio, enquanto Nikola Moro fez uma ótima infiltração vindo de trás (Ignorado por Igor Thiago). Nesse lance, o erro crucial não foi de Douglas, mas ele também tem sua parcela de culpa: chegou atrasado ao oponente (Marko Pašalić) na lateral e permitiu o passe para o meio.

Parece que essa tática de espera, como no exemplo abaixo, quando Douglas não inicia a pressão imediatamente após a recepção e mantém distância, não se encaixa muito bem no Brasil. O adversário entende que terá tempo para receber e decidir. O importante é esperar até que um companheiro se abra, e o Brasil perca a concentração e permita a separação (o que certamente acontecerá).

Talvez seja uma questão das exigências de Ancelotti. Uma abordagem contida pode ser o antídoto para situações desfavoráveis na defesa após falhas dos atacantes. O ponto principal é que o lateral não arrisca em situações de 1 contra 2, mas opta por uma posição intermediária. No primeiro caso, um erro na defesa pode apenas piorar a situação; no segundo, o defensor está inicialmente preparado para vários cenários e tem chances iguais de neutralizá-los.

Em terceiro lugar, Douglas não tem aliados na defesa entre os jogadores de ataque. O poder ofensivo do Brasil é um dilema para outras seleções. Por um lado, Vinícius Júnior, Cunha, Raphinha e Gabriel Martinelli são imparáveis no espaço. É lógico que alguns adversários limitem o potencial dos laterais no ataque em prol da estabilidade nas transições. Por outro lado, as estrelas brasileiras não contribuem na defesa. Isso, ao contrário, pode incentivar os adversários a fazerem incursões mais profundas. Esse estilo implica mais riscos devido à ameaça de contra-ataques, mas o ataque pode compensar a preocupação na defesa.

Nessa perspectiva, as alas do Brasil enfrentarão ainda mais dificuldades, e Douglas terá uma carga adicional. O quarteto ofensivo não controla as entradas em segundo tempo, raramente ajuda a resolver os problemas na própria metade do campo e fica à frente esperando pelo lançamento.

Neste lance, Douglas defendeu exemplarmente contra Michael Olise: manteve a distância, preservou a posição e jogou inteligentemente no corte. O problema é que ninguém cobriu a corrida de Adrien Rabiot vindo de trás: Martinelli ficou na área atrás de Mbappé, e Vinícius observou a incursão de Rabiot de longe.

Essas situações são desagradáveis para os defensores: após uma ação defensiva bem-sucedida, em vez de um momento de descanso, você enfrenta uma nova onda de ataque, e o risco de errar aumenta.

Mas não é só isso. Mesmo que os atacantes de lado de repente demonstrem altruísmo e ajudem os defensores de forma disciplinada, não há garantia de que, em um episódio específico, eles tenham concentração defensiva suficiente.

Luis Enrique na seleção não é o mesmo do Zenit

A principal crítica à inclusão de Enrique na convocação para a Copa do Mundo é a não convocação de Antony (14+10 pelo Betis em todas as competições nesta temporada). O jogador do Zenit tem 2,5 vezes menos ações decisivas na temporada na Rússia (6+4). Mas isso é explicável.

Em primeiro lugar, Antony nunca foi convocado para a seleção sob o comando de Ancelotti (seu último jogo pelo Brasil foi em 2023). Enrique também perdeu seu lugar na convocação logo após a transferência para o Zenit. No entanto, Luis jogou quase todo o ciclo de eliminatórias e, desde setembro de 2025, é um jogador constante no grupo. É razoável convocar um jogador que já está familiarizado com as exigências.

Em segundo lugar, na seleção, Henrique se destaca mais. No Zenit, a rotina defensiva e o ritmo lento do jogo impediam o pleno desenvolvimento do seu potencial. No Brasil, é tudo diferente. Mais situações de 1 contra 1 = mais espaço e velocidade = mais oportunidades para improvisação = mais condições para brilhar.

Henrique tem chances de começar jogando, mas a opção mais provável para o seu uso é como substituto. Após a vitória sobre o Chile em setembro (3:0), Ancelotti elogiou a atuação de Henrique no segundo tempo:

“Ele é muito forte fisicamente, joga fantásticamente no um contra um. Ele mudou o jogo com sua frescura. Um jogador com tanto talento, quando está fresco e os outros estão cansados, muda o curso do jogo. Para a seleção, é muito importante ter um jogador assim”. Naquela partida, Henrique entrou aos 66 minutos e iniciou duas jogadas de gol: cruzou para o segundo poste antes do gol de Lucas Paquetá e acertou a trave (Bruno Guimarães completou para o gol).

Em março, Enrique entrou muito bem contra a França. Duas vezes cortou pela direita (uma vez cruzou bem para a área, na segunda chutou da entrada da área), recuou bem e abriu espaço nas costas para as arrancadas do lateral-direito Wesley – foi assim que veio a expulsão do zagueiro central Dayot Upamecano. A atividade inicial diminuiu um pouco com o segundo gol da França e a mudança de Vinícius para a esquerda (todo o jogo passou por ele). Mas no final, Enrique brilhou novamente: entrou em segundo tempo em uma jogada de bola parada e assistiu Bremer, e pouco depois criou mais uma chance para o zagueiro.

Então, Douglas e Enrique jogarão na Copa do Mundo? Quanto?

Douglas tem grandes chances de começar a Copa do Mundo como titular. Ele foi testado nos amistosos e parece ser preferido a Alex Sandro. Claro, se nada extraordinário acontecer. Por exemplo, no outono passado, Ancelotti escalou o zagueiro central Éder Militão na lateral direita e não descartou repetir isso:

“Não vejo problema em um zagueiro central jogar como lateral. O lateral não precisa atacar sempre. O mais importante para a equipe é o equilíbrio, e quando você tem um ponta muito forte no ataque, não é necessário um lateral que também ataque, mas sim alguém que possa dar mais equilíbrio defensivo à equipe.

Militao jogou muito bem contra o Senegal nessa posição. Temos outros jogadores também: Marquinhos, Roger Ibañez.

Há uma terceira opção: mover Wesley para a esquerda e colocar Roger Ibañez na direita. Mas isso é extremamente improvável. Primeiro, Ancelotti nunca usou essa formação antes da Copa do Mundo. Segundo, Douglas na esquerda é mais adequado para o equilíbrio. Terceiro, Wesley se machucou no amistoso contra o Egito (foi substituído aos 17 minutos) e pode ficar de fora da Copa do Mundo.

Com Henrique é mais complicado. O tempo de jogo depende da estrutura. Se o Brasil optar por um esquema com dois meias, Henrique não terá espaço no time titular (será necessário constante movimentação para o meio, e Luis prefere atuar pela largura). Como ponta direita titular, Rafinha ou Lucas Paquetá serão escalados. O obstáculo para o esquema é a lesão de Wesley. Ele é o lateral mais ativo da equipe e, nessa configuração, ataca pela largura.

Se o Brasil optar por um esquema mais clássico de 4-2-4, a posição de Rafinha se tornará um fator importante. Se Rafinha for escalado na direita, Henrique competirá com Ryan pela posição de primeiro reserva. Intuitivamente, essa parece ser a opção mais provável. Por outro lado, nos últimos jogos, Rafinha tem atuado mais no meio ou na esquerda, e após o jogo contra o Egito, Ancelotti elogiou sua dupla com Vinícius. Se o treinador escolher essa formação, Henrique será um dos candidatos a uma vaga no time titular.

Sofia Ramos

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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8 Comentários

  1. O nível extraordinário de habilidade na Copa do Mundo foi claramente demonstrado imediatamente por México e África do Sul. Então, autor, não diminua os seus antes mesmo do jogo.

  2. >No time em questão, a rotina defensiva e o ritmo lento impediam o pleno desenvolvimento do potencial.
    Mas quando dizem isso sobre o Arteta, são haters, não se confundam

    1. Não me faça rir, não há futebol lá, é só correria e chutão, tudo decidido pelo nível dos jogadores e dos árbitros

  3. Contra o Panamá, o LE ficou o tempo todo no flanco direito. 100% das jogadas passavam pela esquerda com o Vini.
    Bem, talvez não faça sentido. Mas o adversário de hoje é diferente.
    Aqui, ambos são jogadores de futebol brasileiros clássicos, não apenas da nação, é agradável de assistir. Se o LE vivesse no passado com essa técnica, seria quase um Pelé.

  4. Não me faça rir, não há futebol lá, é só correria e chutão, tudo decidido pelo nível dos jogadores e dos árbitros

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