Supertecnologias só atrapalham Hamilton. A renúncia ao simulador o trouxe de volta ao pódio – Fórmula da vida

Após o segundo lugar de Hamilton no Canadá, não se pode deixar de perguntar: será que o verdadeiro Lewis está de volta?

A temporada passada – a primeira pela Ferrari – foi difícil para o heptacampeão. Entre as conquistas, apenas a vitória no sprint na China, além de nenhum pódio e uma derrota clara para o companheiro de equipe. Nas classificações, o placar foi de 19:5 a favor de Charles Leclerc, e nas corridas, 18:3 (as etapas da China e do Brasil não foram consideradas devido a desclassificações e abandonos de ambos os pilotos).
No entanto, os resultados de 2025 pouco preocupavam Lewis. Ao se juntar à Scuderia, o britânico já tinha como foco principal o ano de 2026 – o início de uma nova era com motores híbridos e aerodinâmica revisada.
É cedo para falar em uma mudança global após cinco etapas, mas há avanços positivos: parece que o piloto #44 encontrou seu caminho dentro da Ferrari. Isso envolve a completa desistência do uso do simulador. Nesta temporada, Lewis ignorou a preparação virtual em Maranello apenas duas vezes – antes de Xangai e Montreal. Resultado: em ambas as corridas, subiu ao pódio e ficou totalmente satisfeito com o desempenho do carro.
Paradoxal: na categoria mais tecnológica do mundo, um piloto se beneficia ao abandonar a tecnologia? Soa estranho, mas há lógica na decisão de Hamilton.
Como funciona um simulador profissional e o que a Ferrari utiliza?
As equipes usam dois tipos de simulação: totalmente computadorizada e o sistema DiL (Driver-in-Loop – “piloto no circuito de controle”). No caso de Hamilton, trata-se especificamente do segundo tipo.

Os primeiros sistemas primitivos surgiram ainda no final dos anos 1990, mas o equipamento passou a desempenhar um papel fundamental em 2009, quando a Fórmula 1 impôs restrições drásticas ao número de testes reais. O simulador tornou-se a única alternativa legal.
O complexo moderno é um cockpit de alta tecnologia com telas panorâmicas e sistema de áudio, que reproduzem com máxima precisão as condições da pista. Com o uso de escaneamento a laser (lidar) e software especializado, é criado um mapa tridimensional da pista com detalhes de até um milímetro: são levados em consideração não apenas os solavancos e o perfil das zebras, mas também as características das construções ao redor. O hardware utilizado é idêntico ao dos carros de corrida: o piloto senta-se no mesmo chassi, com o mesmo volante e pedais, assim como em um carro real.
O simulador é indispensável para duas tarefas: estudar novas pistas e ajustar as configurações básicas para o fim de semana. As equipes verificam antecipadamente como o carro reagirá a mudanças na altura do solo, na rigidez da suspensão ou no equilíbrio aerodinâmico. Isso permite chegar ao primeiro treino já com uma “base” pronta.
No entanto, há um problema: mesmo em 2026, as tecnologias não são capazes de reproduzir a realidade em 100%. O comportamento dos pneus, rajadas de vento, mudanças dinâmicas na aderência e vibrações específicas só podem ser sentidas no asfalto real.
Ainda assim, a Scuderia fez de tudo para minimizar os erros. Entre as principais equipes, a “Ferrari” possui um dos complexos mais avançados, que foi radicalmente atualizado em Maranello para o novo regulamento.

O autor deste modelo (DMG-1) é a empresa Dynisma. Aqui estão os principais parâmetros que ela conseguiu alcançar:
• A velocidade de resposta aumentou quatro vezes.
• A frequência de transmissão de sinais aumentou: os pilotos passaram a sentir melhor o relevo e até mesmo o microrrelevo da pista virtual.
• Vibrações físicas: agora o modelo permite sentir o tremor do sistema de potência ao mudar as rotações. Antes, os pilotos tinham que confiar apenas no som.
• Arquitetura de duas plataformas: o simulador DMG-1 é equipado com duas plataformas. Uma é responsável pelos macrodeslocamentos do carro no espaço, e a outra, pelos impulsos pontuais do funcionamento da suspensão e do motor.

Na teoria, isso dá à Ferrari uma vantagem colossal, pois um sistema como esse deve garantir uma correlação perfeita: o que acontece no mundo virtual deve ser o mais idêntico possível à realidade.
No entanto, a correlação não é apenas uma questão de “hardware”, mas também do trabalho dos engenheiros. Qualquer simulador precisa ser ajustado impecavelmente para fornecer dados relevantes.
Por que Hamilton abandonou o simulador e como se prepara agora para o Grande Prêmio
Dois fatores interligados levaram Lewis a essa decisão.
O primeiro é a especificidade dos carros de 2026. Com a transição para unidades de potência com distribuição igual de energia entre o motor de combustão interna e o motor elétrico (50/50), os requisitos de pilotagem mudaram radicalmente, especialmente na qualificação. Agora, os pilotos precisam controlar meticulosamente a carga da bateria, equilibrando-se em várias dimensões simultaneamente.
Isso se torna evidente já na volta de aquecimento. Não se pode andar muito devagar – há um grande risco de não aquecer os pneus. Mas, ao mesmo tempo, é necessário acumular a máxima carga de energia, o que exige justamente um ritmo mais lento. O menor erro nesse “equação” resulta em uma perda significativa de tempo na volta rápida.
O segundo fator é o formato de sprint dos finais de semana. Preparar-se para os complexos procedimentos de acumulação de energia é extremamente difícil quando se tem apenas uma sessão de treino. Após o único treino, os pilotos entram imediatamente no modo de qualificação.

Em teoria, o simulador deveria desempenhar um papel fundamental: como o tempo na pista real é limitado, é necessário compensá-lo no ambiente virtual. No entanto, na prática, isso não ajudou Lewis. Das cinco etapas realizadas, os sprints ocorreram na China, Miami e Canadá. Hamilton trabalhou no simulador apenas antes da Flórida – e foi justamente lá que ele teve seus piores resultados na temporada (7º lugar no sprint e 6º na corrida).
Após a etapa nos EUA, o heptacampeão anunciou abertamente uma mudança de abordagem.
“O método atual de preparação simplesmente não está me ajudando. Trabalhamos em Maranello, chegamos ao autódromo – e o carro se comporta de forma completamente diferente. Basicamente, não gosto de simuladores, mas passava lá toda semana, tentando alcançar correlação de dados. Você encontra ajustes no mundo virtual, vai para o asfalto real – e eles não funcionam”, reclamou Hamilton após Miami.
Nos fins de semana de sprint, o custo de um erro nas configurações básicas é muito alto. “Não quero mudar radicalmente a configuração da suspensão após um único treino. Você fica com o que tem, e na classificação, só tem seis voltas para extrair o máximo”, resumiu o britânico.

A falta de precisão de 100% no simulador confunde Lewis, então é mais fácil para ele trabalhar diretamente na pista real. Mas, se ignorarmos a pista virtual, como então se preparar para o Grande Prêmio?
“Decidi focar mais nos números”, explicou Hamilton. – Tive que mergulhar fundo nas questões de equilíbrio nas curvas, ajustes mecânicos, técnicas de passagem por curvas e otimização dos freios, o que por muito tempo foi um problema para mim. Isso levou a um trabalho conjunto muito produtivo com os engenheiros.
Curiosamente, não há nada de novo nessa situação. Segundo o próprio Lewis, ele nunca foi fã de corridas virtuais.
De onde vem a aversão de Hamilton aos simuladores?
O britânico nunca gostou de trabalhar em pistas virtuais desde o início de sua carreira e nunca escondeu isso:
“Nos simuladores, tudo está constantemente mudando. Minha primeira experiência foi em 1997, na antiga base da McLaren. A plataforma era fixa, mas já recebíamos feedback através do volante.
Depois, surgiu a primeira geração de sistemas sérios, nos quais trabalhei quando competia na GP2. Na McLaren, usávamos com frequência, e eu, novamente, não gostava. Dávamos voltas por dias a fio. Em certo momento, você simplesmente para de aprender algo novo – pelo menos, comigo funciona assim.

Quando eu me juntei à Mercedes, eles tinham um simulador que estava longe de ser o mais qualificado. Durante minhas temporadas de campeonato, praticamente não o utilizei. As sessões regulares só começaram em 2020 ou 2021.
Acho que, em 20 anos, houve apenas um caso em que conquistei a pole position na qualificação com as mesmas configurações que escolhi no simulador. Acho que foi em Cingapura-2012. No restante do tempo, tudo aconteceu de forma diferente, embora eu reconheça que é uma ferramenta poderosa”, contou Lewis.
Como observa Scott Mansell, autor do canal Driver61, Hamilton é um dos pilotos que confiam totalmente nas sensações físicas. No simulador, elas simplesmente não aparecem. Lewis julga o comportamento do carro pelas sobrecargas e pela reação do corpo às menores vibrações dos eixos. A realidade virtual, com suas inevitáveis imprecisões, apenas confunde o heptacampeão. É mais fácil para ele não se confundir e seguir uma abordagem “analógica”.

No entanto, isso não significa que o britânico tenha descartado completamente a tecnologia.
“Não estou dizendo que vamos abandonar completamente o equipamento”, destacou o piloto. “Continuaremos a usá-lo, especialmente para a calibração do sistema de distribuição de potência”.
Ainda assim, quando se trata da configuração do chassi, a escolha foi feita: Hamilton vai ajustá-lo “no feeling”. Pelo menos, foi assim que ele conquistou os melhores resultados na temporada de 2026.
Portanto, os mais recentes supercomputadores da Ferrari perderam para a experiência e a intuição de um veterano. Isso não é a beleza da Fórmula 1?





Ham não é tão antigo para sentir alguma antipatia senil pelos simuladores, se não gosta, simplesmente não gosta, talvez ele obtenha mais informações em cinco minutos de testes com um carro real do que em um dia no simulador, isso é uma característica da percepção e não preguiça…
O simulador da Ferrari, em princípio, levanta questões.
Os Vermelhos, especialmente o Vasseur, pelo segundo ano, falam sobre o quão próximos o carro e o simulador estão das condições reais, mas eles são os únicos que não conseguem acertar as novidades e não melhoram muito.
Portanto, Ham está certo, finalmente entendeu
Será que podemos tirar essa conclusão após pelo menos 3-4 Grandes Prêmios?
As sensações de um carro real na pista não podem ser substituídas por nenhum simulador. E se isso trouxer resultados, então o caminho está correto.
O caminho está correto, claro (simulador <> realidade, até pelo nome!), mas na ausência de testes reais, não resta nada além do simulador.
Embora, é claro, se o simulador acabar sendo um beco sem saída, é melhor abandoná-lo.
Vamos ver o que/como será nas próximas corridas de Lewis e Charles.
Análise nível ‘Deus’. A autoeliminação dos Macs, a desistência de Russell e, o mais importante, a pista favorita.
Quando Luigi Ecclera ultrapassar na Áustria, aí sim conversamos.
Mas assim, Luisinho e Bottas às vezes o ultrapassavam. No final do campeonato, isso não o ajudou em nada.
O caminho está correto, claro (simulador <> realidade, até pelo nome!), mas na ausência de testes reais, não resta nada além do simulador.
Embora, é claro, se o simulador acabar sendo um beco sem saída, é melhor abandoná-lo.
Vamos ver o que/como será nas próximas corridas de Lewis e Charles.
Canadá, Xangai e Silverstone – suas 3 pistas favoritas, onde ele foi mais forte na classificação no ano passado. Nas outras, tudo será dominado por Ecclera, como na temporada passada. Milagres não acontecem
Os Macs erraram e se autoeliminaram. Russell desistiu. Esse é o segredo do pódio de Lewis. O fato de ele ter ultrapassado Charles diz mais sobre a forma atual do monegasco.