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FIA devolveu o pódio de Gasly em Mônaco, mas não cancelou outras penalidades. Por quê? – box de notícias!

Em Mônaco, Pierre Gasly teve todas as chances de subir ao pódio pela primeira vez desde o Grande Prêmio de São Paulo de 2024. O francês começou a corrida em nono, mas já na primeira volta estava em sétimo lugar – após a saída de Max Verstappen e a ultrapassagem sobre Lando Norris. As chances reais surgiram na 73ª volta, quando George Russell perdeu 11 posições devido a uma penalidade de passagem pelos boxes.

Ao se aproximar da reta final, Gasly não escondeu suas emoções. Ele acenou para as arquibancadas e gritou pelo rádio que finalmente havia conquistado um lugar no pódio. Por algum motivo, os engenheiros não informaram Pierre com antecedência que, após a bandeira quadriculada, ele receberia uma penalidade de dez segundos por duas ultrapassagens de velocidade nos boxes. O francês só soube disso pelo rádio após a corrida. E no resultado final do Grande Prêmio, ele terminou em sétimo lugar.

“Meu coração está partido”, disse Gasly aos jornalistas logo após a corrida. “Nós trabalhamos duro por esses momentos, e depois eles são tirados de nós por causa de alguma investigação. Eu cruzei a linha de chegada em terceiro lugar na frente de milhares de torcedores, e no final fomos penalizados e terminamos muito atrás. Eu corro aqui há dez anos, tenho cinco pódios na carreira, e dói quando tudo termina assim depois da corrida.”

Não foi apenas Gasly que sofreu. Durante a corrida, outros quatro pilotos receberam penalidades semelhantes: Lewis Hamilton, Oscar Piastri, Franco Colapinto e George Russell. Para o piloto da Mercedes, as consequências foram as mais graves: o britânico não cumpriu a penalidade durante o pit stop e recebeu outra, desta vez um drive-through.

No entanto, foi a equipe Alpine que solicitou o direito de revisão da decisão, pois, segundo Gasly, ele ativou o limitador de velocidade antes da linha de entrada do pit lane e estava confiante de que não havia violado o regulamento. Na quinta-feira, 11 de junho, a FIA aceitou o pedido.

Por que os comissários aplicaram tantas penalidades?

Na reunião, os comissários reconheceram que os materiais da equipe se enquadram no critério de “prova nova, significativa e relevante”, necessário para iniciar um procedimento completo de revisão.

“A FOM (Formula One Management), fornecedora oficial de cronometragem da competição, apresentou evidências de que a distância utilizada para calcular o tempo oficial da Fórmula 1 (e, consequentemente, a velocidade no pit lane) foi determinada incorretamente, resultando em uma velocidade calculada maior para o carro número 10”, conforme consta no documento oficial da FIA.

Além disso, representantes da FIA e da FOM negam que tivessem conhecimento prévio do problema com os loops de controle no pit lane. Os comissários só começaram a se preocupar após o cronometrista oficial relatar o terceiro excesso de velocidade consecutivo. Eles então solicitaram ao diretor de prova informações sobre possíveis problemas ou falhas no sistema, mas ele garantiu que não havia nenhuma questão.

Por mais complicada que a situação pareça, ela pode ser explicada. Na Fórmula 1, a velocidade do carro é medida por meio de transponders da FIA e loops eletrônicos de cronometragem, e não por câmeras ou radares. Esses dispositivos registram a velocidade média do carro quando ele passa pelos feixes de medição no pit lane, permitindo calcular o tempo necessário para percorrer o trecho entre os loops. No entanto, o pit lane de Mônaco tem uma particularidade: a entrada é sinuosa, e os pilotos frequentemente cortam a trajetória, o que, por si só, não é considerado uma infração, mas reduz ligeiramente a distância registrada pelos equipamentos.

Assim, embora a velocidade dos carros estivesse dentro dos limites permitidos, o sistema continuou usando em seus cálculos um comprimento maior, pré-definido para o trecho. Como os carros, na prática, percorriam uma distância menor no mesmo tempo, a velocidade calculada acabou sendo superestimada para cinco pilotos.

Gasly recuperou o terceiro lugar, enquanto os demais mantiveram as penalidades. Por quê?

Na sexta-feira, antes do Grande Prêmio da Catalunha, os comissários realizaram uma reunião e devolveram ao piloto da Alpine o terceiro lugar no Grande Prêmio de Mônaco.

“Nos devolveram o terceiro lugar em Mônaco! – comemorou Pierre. – Os últimos dias foram cheios de emoções diferentes, mas o mais importante é que conseguimos recuperar nosso resultado merecido!”

Por que não devolveram as posições aos outros? É simples – apenas a equipe francesa se preocupou em apresentar um protesto contra as ações dos comissários. Os outros times não estavam dispostos a lutar – não ganhariam nada com batalhas jurídicas.

Enquanto isso, na Mercedes, ficaram “furiosos” quando souberam das medições de velocidade errôneas em Monte Carlo, mas a equipe alemã já não podia fazer nada – o estrago, na forma de uma passagem pelo pit lane, simplesmente não podia ser desfeito.

No entanto, a história ainda não terminou: a McLaren e a Red Bull notificaram oficialmente a FIA sobre a intenção de recorrer dos resultados do Grande Prêmio de Mônaco. A equipe britânica explicou que, durante a corrida, não considerava Gasly um rival devido à penalidade iminente do francês e, portanto, não competiu com ele na pista. No entanto, é pouco provável que a federação aceite os argumentos de Woking – os comissários trabalham apenas com fatos e provas, e incluir as reflexões das equipes durante as corridas simplesmente não é possível.

Yasmin Fonseca

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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