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Crise de Aryna Sabalenka: por que a número um do mundo está perdendo e perdendo a forma

Aryna Sabalenka ainda é a mais forte no circuito feminino, mas não é mais a dominadora. Após Wimbledon, sua vantagem no ranking sobre a segunda colocada, Elena Rybakina, será de apenas 407 pontos.

Sabalenka não conquista títulos (de qualquer tipo) desde o início de abril, quando conquistou o “Sunshine Double”, vencendo Indian Wells e Miami.

Após a derrota para Naomi Osaka na quarta rodada de Wimbledon, Sabalenka respondeu assim quando perguntada se se sentia a número 1 do mundo:

“Vamos olhar para o ranking. Agora sou a número 1 do mundo. Pelo nível de hoje, não fui a número 1. Ontem eu era a número 1. Agora não quero pensar no ranking. Só quero beber, esquecer o tênis e tentar recuperar a forma.”

O que aconteceu com ela?

1. A crise de Sabalenka é discutida principalmente com base em suas atuações nos Grand Slams. Neste ano, ela ainda não venceu nenhum.

Mas, talvez, ainda mais importante seja o fato de que em Roland Garros e Wimbledon, Aryna foi eliminada muito cedo. Em Paris, nas quartas de final (pela primeira vez desde 2024 não chegou às semifinais de um Grand Slam), e em Londres, nas oitavas de final (sua derrota mais precoce desde Roland Garros 2022).

Isso muda completamente a percepção. Porque no ano passado, no US Open, ela também chegou sem títulos de Grand Slam, mas havia sido derrotada na final do Australian Open, na final de Roland Garros e nas semifinais de Wimbledon.

2. É importante entender: mesmo quando o status de Sabalenka como dominadora da WTA não era questionado, ela tinha dificuldades para vencer os Grand Slams.

Além disso, parecia que ela mesma desperdiçava as chances. Vamos analisar desde 2023, quando ela venceu seu primeiro Grand Slam na carreira.

Roland Garros 2023 – não conseguiu sacar para o jogo nas semifinais contra Muchová.

Wimbledon 2023 – perdeu vantagem de 1:0 em sets nas semifinais contra Jabeur.

US Open 2023 – perdeu vantagem de 1:0 em sets e se descontrolou completamente na final contra Gauff.

Roland Garros-2024 – intoxicada antes das quartas de final contra Andreeva.

Australian Open-2025 – não converteu o match point na final contra Keys.

Roland Garros-2025 – perdeu a final para Gauff, seguindo o mesmo padrão do US Open-2023.

Wimbledon-2025 – perdeu uma quebra no set decisivo da semifinal contra Anisimova.

Australian Open-2026 – perdeu uma vantagem de 3:0 no set decisivo da final contra Rybakina.

Roland Garros-2026 – perdeu um set e uma quebra nas quartas de final contra Diane Parry.

Muitas oportunidades perdidas.

3. No contexto das chances desperdiçadas, o importante é que agora Sabalenka está perdendo essas oportunidades mais cedo no torneio – como em Roland Garros.

4. Já a derrota em Wimbledon para Osaka foi a primeira partida de Slam desde 2020 em que ela não conquistou nenhum set. Em termos de jogo, foi a primeira partida de Sabalenka em muito tempo em que o fator decisivo para a derrota não foi o seu colapso, mas sim o fato de a adversária ter sido simplesmente mais consistente.

Nem mesmo a já característica resiliência em momentos cruciais a salvou – no segundo set, Sabalenka viu sua sequência de 21 tie-breaks consecutivos vencidos em Grand Slams chegar ao fim.

5. Por que Sabalenka perde partidas quase ganhas nos Slams? A resposta é simples – ela joga abaixo do seu potencial. Comete mais erros, defende pior, perde em resiliência e precisão.

Por que ela joga pior é outra questão. Em grande parte, é psicológico: em algum momento de uma partida importante, ela perde o controle de si mesma, e seu jogo desmorona. Ela quer vencer tanto que isso a deixa confusa, e se a adversária consegue pressionar nesse momento (e nas fases decisivas dos Slams, as adversárias geralmente conseguem), Sabalenka enfrenta grandes problemas.

6. A derrota em Wimbledon, novamente, é uma exceção, pois foi o ápice de uma série de desempenhos abaixo do esperado para os padrões de Sabalenka ao longo de vários meses. E, durante esses meses, o nível geral do tênis de Aryna diminuiu.

Provavelmente, a explicação mais lógica para essa queda foi dada por Dinara Safina – segundo ela, o problema, mais uma vez, está na cabeça: “Sinto que ela está cansada por dentro. O volume de trabalho que ela faz consome muito tempo e energia. Talvez agora ela esteja dedicando menos atenção ao processo do tênis. Algo mudou.

Nem tudo desmoronou de uma vez. No início, ela ainda estava se sustentando no que já havia construído, mas agora é visível que ela não está conseguindo manter o ritmo. Ela está diferente. Dá vontade de dizer: ‘Aryna, descanse. Você está muito cansada’.

Acho que é um cansaço emocional. Ela nem mesmo está conseguindo ser agressiva. Tenta despertar isso dentro de si, mas não consegue. Parece que está tentando criar essa agressividade artificialmente, e artificialmente não funciona.

Talvez ela esteja pensando em outras coisas. Talvez no casamento. Talvez esteja relacionado ao noivado.

7. A versão de que a queda de desempenho de Sabalenka está ligada ao noivado é bastante difundida. Afinal, Arina ficou noiva em Miami – e lá conquistou o título, mas depois os resultados começaram a declinar.

Safina, baseando-se em uma conversa com Marat Safin, especulava que tudo isso pode ser resultado da perda de motivação. Sabalenka já tem Grand Slams, já foi a melhor do mundo, e tudo está bem em sua vida pessoal. E surge a pergunta: para que se esforçar além do necessário, se ela já está satisfeita com o que tem?

8. Em geral, parece que a crise de Sabalenka é paradoxalmente dupla. Por um lado, ela quer muito vencer os Grand Slams – tanto que isso acaba atrapalhando.

Por outro lado, um sentimento de satisfação com a vida pode estar impedindo seu progresso.

9. Pelo segundo ano consecutivo, o US Open se torna o torneio mais importante da temporada para Sabalenka. Se ela não vencer, 2026 pode ser considerado um fracasso no tênis – e ela será a primeira a admitir isso.

Agora, nada é mais importante para ela do que os Grand Slams, e um ano sem títulos seria um grande fracasso.

Além disso, ela pode perder o primeiro lugar no ranking.

No ano passado, Sabalenka respondeu brilhantemente ao desafio e conquistou o título em Nova York.

Lara Faria

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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21 Comentários

  1. Ela simplesmente parou de acertar.
    Muitos erros em momentos decisivos – isso também é uma questão psicológica.

  2. Resumindo:
    1. Ela finalmente encontrou um marido, não apenas um amante. Isso é algo importante na vida de uma mulher. Claro, agora ela vai passar por uma fase de declínio e o tênis ficará em segundo plano por um tempo.
    2. O circuito feminino é imprevisível. Sabalenka domina fisicamente, mas não é um gênio do jogo. O fato de ela ter dominado por tantos anos seguidos basicamente só com sua força física é fenomenal. Qualquer uma poderia perder para qualquer outra em qualquer superfície, mas Sabalenka segurava a onda, mesmo quando estava instável.
    Ela tinha que cair em algum momento, e coincidiu com o casamento. É temporário.

  3. Pavel, obrigado pela matéria. Em relação ao estado atual de Aryna, me lembrei de uma citação de Lewis Carroll: ‘É preciso correr o máximo possível para permanecer no mesmo lugar, e para chegar a algum lugar, é preciso correr pelo menos duas vezes mais rápido!’ Afinal, qualquer partida de tênis é disputada por duas pessoas (se estivermos falando de simples), ou se suas oponentes estão trabalhando em si mesmas, mudando algo em seu jogo/progredindo… Por algum motivo, me parece que o descanso e uma sacudida são necessários não apenas para Aryna, mas também para sua equipe. E também é interessante saber quanto do tempo e energia de Aryna estão sendo ocupados por projetos paralelos/eventos de patrocinadores, para os quais Sabalenka foi tão bem contratada pelo agora ex-agente de Osaka.
    De qualquer forma, para mim, como fã, sinceramente, isso só torna as coisas mais interessantes! O circuito feminino está muito animado agora, com muitas jogadoras interessantes e que jogam bem.

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