Futebol

Seleção de Curaçao = Holanda. Por que na lista de Advocaat só há holandeses? – Você viu isso?

Tudo é simples.

O jornalista James Masiac publicou, antes do campeonato mundial, uma lista de jogadores de futebol que nasceram em um país diferente daquele pelo qual jogam. A seleção de Curaçao foi a que mais chamou atenção – 25 jogadores do elenco nasceram nos Países Baixos!

O único nascido em Curaçao é o jogador de 26 anos, formado no “M.U.”, Tahith Chong, que agora está no “Sheffield”. E sim, ele também possui cidadania neerlandesa.

Como isso é possível?

Curaçao faz parte do Reino dos Países Baixos, portanto, todos possuem a cidadania

Curaçao é um estado insular autônomo que faz parte do Reino dos Países Baixos, junto com as vizinhas Sint Maarten e Aruba. Esta ilha no Mar do Caribe foi adquirida pelos holandeses em 1634, ainda sob a Companhia das Índias Ocidentais.

Em 1954, Curaçao obteve autonomia parcial do Reino. Atualmente, o país possui seu próprio governo, parlamento e leis internas, mas ainda depende fortemente dos Países Baixos em áreas como defesa e política externa. O mais alto representante de Curaçao é o governador, nomeado pelo próprio rei.

Como Curaçao não possui soberania, todos os nativos têm cidadania holandesa. Uma situação semelhante ocorre com a cidadania britânica, detida por escoceses, galeses e norte-irlandeses.

Apesar de compartilhar a cidadania com os Países Baixos, em 2011, Curaçao tornou-se membro da FIFA. De acordo com as regras da FIFA, um futebolista holandês pode obter a cidadania esportiva de Curaçao se atender a uma das seguintes condições:

1) nasceu no território de Curaçao;

2) a mãe/pai ou avó/avô nasceram no território de Curaçao;

3) viveu no território de Curaçao por cinco anos.

No entanto, a ideia de atrair holandeses não foi de Dick Advocaat.

O capitão da seleção de Curaçao foi convocado por Kluivert, e Advocaat encontrou mais 10

Inicialmente, a seleção de Curaçao era composta por jogadores do campeonato amador local, até que, em 2015, Patrick Kluivert assumiu o comando. Ele estava bem ciente da naturalização de holandeses, já que sua mãe nasceu em Curaçao.

Kluivert queria se classificar para a Copa do Mundo de 2018, então imediatamente começou a buscar na Holanda jogadores com raízes em Curaçao. Após alguns meses, Elson Hooi, do Vitesse, e Leandro Bacuna, do Aston Villa, estrearam pela seleção. Agora, ambos estarão na Copa do Mundo de 2026, com Bacuna já como capitão.

Kluivert também tentou convencer os jovens Jürgen Locadia e Richairo Zivkovic, mas eles recusaram porque jogavam por PSV e Ajax e sonhavam em integrar a seleção holandesa. No final, ambos estão na lista de Curaçao para esta Copa do Mundo: Locadia se juntou em 2023, e Zivkovic foi convencido por Advocaat no ano passado.

Kluivert saiu após dois anos devido a uma proposta da base do Ajax, mas estabeleceu uma tendência de holandeses em Curaçao. Em 2020, o lendário Guus Hiddink assumiu por um ano – três jogadores da lista final da seleção estrearam sob seu comando, enquanto outros cinco recusaram na época. O verdadeiro boom aconteceu com Advocaat – dez estreantes!

Não foi apenas a carisma de Advocaat que influenciou, mas também a flexibilização das regras da FIFA: agora é possível mudar de cidadania esportiva mesmo após três partidas oficiais pela seleção principal. Joshua Brenet, formado pelo PSV, estreou pela Holanda, mas após um pedido à FIFA, foi autorizado a jogar por Curaçao. Claro, o maior impacto foi a chance de disputar a Copa do Mundo: no ano passado, sob o comando de Advocaat, sete jogadores estrearam na fase decisiva das eliminatórias.

Aliás, Advocaat tentou convencer Justin Kluivert (cuja avó é de Curaçao), mas ele acabou optando por jogar pela Holanda. Já Guus Hiddink quis convocar Quinten Timber e Tyrell Malacia – sem sucesso.

Victória Simões

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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