Futebol

Por que todos estão tão incomodados com 48 equipes na Copa do Mundo? – Análise do Glebchik

Tcherniavski convida a relaxar.

Os protocolos das Copas do Mundo e da Europa nos anos 90 são absurdos de se ver.

24 seleções na Copa do Mundo de 1990 e 8 na Euro de 1992. Que tipo de evento exclusivo é esse?

O Euro de 1992 é especialmente irritante: nem Espanha, nem Portugal, nem Bélgica, nem Itália, nem Romênia. Um monte de estrelas daquela época ficaram de fora do grande torneio – vejam só, mais de dois grupos não eram permitidos.

Felizmente, logo perceberam que era necessário expandir, e isso só trouxe benefícios. Desde 1996, 16 equipes no Euro, e desde 1998, 32 na Copa do Mundo. Até 2016, cabíamos nesses limites, mas depois até eles ficaram apertados – porque todo mundo aprendeu a jogar futebol.

Lembro bem da preocupação de que o Euro 2016 teria 24 equipes. Como assim, uma catástrofe, o nível vai cair, a qualidade do futebol vai diminuir, para onde estamos indo!

No final, tivemos cinco estreias no Euro: Islândia, Irlanda do Norte, País de Gales, Eslováquia e Albânia.

Dois deles foram fantásticos:

• A Islândia superou na fase de grupos o futuro campeão Portugal e eliminou a Inglaterra na primeira rodada do mata-mata.

• O País de Gales, com Gareth Bale, chegou até as semifinais.

Irlanda do Norte e Eslováquia também jogaram nos playoffs, enquanto a Albânia não conseguiu se classificar por diferença de gols.

Sair da fase de grupos no novo formato é fácil? Então por que Rússia, Suécia, Ucrânia e Áustria, que não são seleções fracas, terminaram em último em seus grupos sem chances?

Aliás, na Euro 2016, Holanda e Dinamarca nem se classificaram, apesar de todas as facilidades. E o campeão europeu foi Portugal, que se classificou em terceiro lugar no grupo.

* *

Bem, vamos supor que, em 2016, mantivessem a chamada Euro “forte” com 16 equipes. Ou até mesmo com 8!

Em ambos os casos, República Tcheca e Áustria certamente estariam lá. Vamos ver o desempenho delas no torneio final?

República Tcheca – primeira nas eliminatórias da Euro 2016 e última no grupo da Euro 2016.

Áustria – primeira nas eliminatórias da Euro 2016 e última no grupo da Euro 2016.

Aonde quero chegar com tudo isso?

Ao fato de que as eliminatórias nem sempre são um indicador preciso. Elas são muito extensas, e a classificação para a Copa do Mundo ou para a Euro muitas vezes depende literalmente de uma ou duas partidas. Se você chega nelas em boas condições, vai para o torneio. Se algo dá errado, está fora. Você pode dizer que no torneio principal é mais ou menos a mesma coisa, mas é por isso que ele é o principal torneio. É nele que deve haver a dramaticidade, enquanto as eliminatórias servem apenas para manter todos alerta.

A Euro com 24 equipes eliminou o fator sorte na fase classificatória. Agora, é preciso se esforçar bastante para não se classificar. E isso será merecido. Por outro lado, surgiu uma chance para aqueles que sonharam com isso a vida toda.

Por exemplo, sem a expansão, a seleção da Geórgia não teria se classificado para a Euro 2024 – ela passou por playoffs complicados.

Depois, vi o povo georgiano feliz em Dortmund – sob chuva forte, pessoas animadas aguardavam a estreia de seu país em um grande torneio.

E aquele jogo contra a Turquia foi simplesmente incrível, impossível de desviar o olhar. E, na minha opinião, momentos como esses cultivam o amor pelo jogo muito mais do que o futebol “qualitativo” de Mikel Arteta.

Espero que não restem mais dúvidas sobre a expansão da Euro. É claro que todos só ganharam com isso.

* *

Então, vamos falar sobre a expansão da Copa do Mundo.

Aqui, claro, tudo é mais global e complexo. Agora são 48 equipes, e não 32. Um aumento de 16 de uma vez! Uma intervenção significativa.

Sim, haverá mais participantes apenas para cumprir tabela. Mesmo entre as 32 equipes, às vezes havia seleções bem fracas: por exemplo, a China na Copa de 2002 (3 derrotas e um saldo de gols de 0:9).

Mas isso acontecia até mesmo quando a Copa do Mundo tinha apenas 16 equipes. Por exemplo, em 1974, Zaire e Haiti se classificaram e perderam todos os jogos com saldos de 0:14 e 2:14.

E até mesmo no Catar-2022, com 32 equipes, não houve uma abundância de grupos fantásticos em termos de atrações.

Exceto com Espanha/Alemanha e Bélgica/Croácia. Nesse caso, os favoritos não ficaram em primeiro lugar nos grupos. Sinceramente, não entendo o que isso tem de diferente dos grupos da Copa do Mundo de 2026, onde há o jogo da França contra a Noruega e o confronto entre Inglaterra e Croácia.

Sim, já na primeira rodada teremos espetáculos como Irã contra Nova Zelândia e Gana contra Panamá, mas de onde saberemos como essas equipes pouco conhecidas se sairão?

Quem esperava grandes feitos da Islândia e do País de Gales em 2016?

Cabo Verde, Curaçau, Jordânia, Haiti, Iraque, RD Congo – não é interessante ver algo exótico? Vocês serão os primeiros a enlouquecer de felicidade quando Theo Bongonda derrubar Portugal e trazer esperança para uma surpresa!

Não entendo o esnobismo. Afinal, é ruim que no próximo mês descubriremos muitos novos países, mergulharemos um pouco em suas culturas, veremos novos jogadores e torcedores incomuns e incríveis?

O triunfo do futebol de qualidade você já acompanhou durante toda a primavera na Liga dos Campeões.

Está na hora de sair dos domínios estéreis com pressão e dar um pouco de variedade à vida. Além disso, as reclamações sobre jogos chatos na fase de grupos parecem bastante ingênuas: meus amigos, na fase de grupos, vocês assistirão literalmente um par de jogos por dia com um olhar animado – os outros acontecerão de madrugada ou de manhã cedo.

Os jogos em horários decentes começarão mais perto da fase de mata-mata. Lá, finalmente, a Inglaterra encontrará a Espanha – e mostrará aquela pressão exemplar sem chutes ao gol. Mas com bom trabalho de bola e sem erros infantis na defesa.

Acho que, até lá, até sentiremos falta da defesa do Haiti. Vi o amistoso deles – na Copa do Mundo de 2026 será divertido e despreocupado.

Fora a tristeza. Nossas vidas já têm problemas demais para reclamar da Copa do Mundo de futebol.

Vamos procurar o lado bom e aproveitar.

Victória Simões

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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