Futebol

Pela primeira vez vejo uma Brasil tão apagada – Caixa atrás da Escola nº12

Terentyev está em choque.

Vi diferentes versões do Brasil.

Lendária, mas satisfeita: em 2006, com Ronaldo e Ronaldinho cansados. Arrogante: em 2022, com Neymar, que foi quebrado pelos carnavais. Azarada: em 2014, quando ainda havia um Neymar faminto, mas ele foi quebrado pelos adversários. Lendária: em 2002.

E agora, pela primeira vez, vejo um Brasil sem talento.

Sim, sofreram pressão de uma seleção marroquina boa e veloz, além disso, talvez ainda não estejam em plena forma após os treinamentos, esperando atingir o auge nos playoffs.

Mas como esses jogadores de amarelo e azul são apagados no manejo da bola – e nem estou falando de dribles ou fintas. Embora isso também seja muito escasso.

Mas eu falo de outra coisa.

Do primeiro toque, da suavidade, da aparente calma combinada com eficiência. Da plasticidade, como se a bola não precisasse ser domada. Como se a bola sempre estivesse lá. Como se a bola fosse ar. Do corpo, que você usa tanto quanto as pernas.

No primeiro tempo contra o Marrocos, vi uma equipe travada. Onde metade do time é composta por jogadores desconexos. Qualificados, inteligentes, mas o que têm de brasileiro é apenas a cidadania esportiva.

Erros, controles a cinco metros, passes longos e óbvios de 40 metros (sem pressão) – para fora. A sensação é que os caras estão lutando tanto contra o Marrocos quanto contra a bola ao mesmo tempo.

Às vezes, o Brasil jogava de forma mais fraca – em termos de placar. Mas sempre deixava a sensação de que estávamos vendo um nível diferente de interação com a bola. Podiam não correr o suficiente, ser preguiçosos, ignorar a tática, mas quando a bola estava nos pés – era simplesmente interessante de assistir.

Foco.

Não via o Brasil há quase quatro anos. Ouvi de pessoas que acompanham de perto o futebol sul-americano que a elegância dos últimos anos tem se perdido. Mas agora vi com meus próprios olhos e estou um pouco em choque.

O que está acontecendo? Fecharam a Copacabana? Onde está todo mundo? Onde está pelo menos metade da ousadia do jovem Neymar? Onde está a leveza flutuante do Kaká? Onde está o festival do Ronaldinho? A fenomenalidade do Ronaldo? Onde estão os defensores do porte e técnica de Marcelo e Roberto Carlos? Onde está o controle impressionante (mesmo sem firulas) do Coutinho? Onde está a inteligência e técnica do Bobby Firmino?

Poderia listar por muito tempo – isso não ajudará.

O contraste em relação às gerações anteriores parece especialmente triste, porque do outro lado – na equipe de Marrocos – corria o jovem de 18 anos, Ayoub Bouaddi. Um rapaz magro e de cabelos cacheados. Uma mistura impressionante de Sergio Busquets e Marouane Fellaini. Ele também não driblava, mas como mantinha a bola sob pressão de forma elegante, como se desviava no toque de recepção, como girava a cabeça, como fazia carrinhos em sua própria área.

Este foi seu quarto jogo pela seleção e o primeiro oficial. E nele há mais brasilidade do que em 90% do elenco de Carlo Ancelotti.

Claro, os brasileiros ainda vão melhorar. Evoluir. Eles têm um grande treinador no banco, que, ao ver um cenário assustador, não se escondeu, mas fez quatro substituições até os 60 minutos. Há Vinícius e Raphinha, que não são criadores, mas trazem intensidade, agressividade, velocidade e ousadia.

Até mesmo em um jogo como esse, onde o Brasil foi dominado por cerca de 20 minutos, eles se recuperaram. Um bom sinal em um torneio curto. Talvez eles cheguem longe – com um grande treinador. Com jogadores funcionais, que não sabem ir além da equação (mas talvez isso não seja necessário?).

Talvez.

Mas a pergunta permanece: o que acontece com vocês?

Yasmin Fonseca

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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