Futebol

Ouviu a voz do filho: ‘Pai, você precisa voltar’. Oscar relembra parada cardíaca – Sobre o espírito do tempo

Em dezembro de 2024, Oscar voltou ao “São Paulo” – o clube onde sua história começou. Ele tinha 33 anos, queria jogar mais três temporadas e encerrar a carreira com chave de ouro: vestir novamente a camisa do clube de origem, jogar diante da família, desfrutar do futebol brasileiro após longos anos na Europa e na China.

Mas tudo foi interrompido abruptamente. Durante um exame de rotina na pré-temporada, Oscar sofreu uma parada cardíaca. Seu coração parou por dois minutos e meio – ele contou como foi.

“Eu estava sonhando um sonho bom”. Oscar relembrou o que sentiu naquele momento assustador

O brasileiro descreve isso não como uma cena clássica de filmes, onde a pessoa se vê de fora. Por dois minutos e meio, a voz que sempre o acompanhava, a voz da consciência, desapareceu repentinamente.

“Foi como um sonho, um sonho diferente… Difícil de explicar”, relembra Oscar em entrevista ao The Times. – Sempre ouvi que, quando você está prestes a morrer, você se vê. Eu não me vi, mas estava sonhando um sonho muito bom, onde tudo era perfeito”.

E então, segundo Oscar, ele ouviu a voz do filho como se estivesse ao seu lado: “Pai, você precisa voltar. Pai, você precisa voltar”. Um detalhe forte. Considerando que o próprio Oscar perdeu o pai aos três anos – ele morreu em um acidente de carro. E agora, o brasileiro, pai de dois filhos, estava à beira da morte.

Os médicos reagiram rapidamente e conseguiram reanimar o coração de Oscar. Depois disso, ele foi levado para uma clínica, onde os médicos diagnosticaram graves arritmias cardíacas.

O brasileiro desfruta de uma vida normal e leva os filhos à escola. Ainda não sabe o que virá a seguir

Após a ablação – um procedimento que ajuda a corrigir distúrbios elétricos do coração –, Oscar está se sentindo bem. Mas o futebol já não é mais uma opção. “Tenho uma vida normal. Não de um atleta profissional, mas perfeitamente normal”, explica o ex-jogador do Chelsea.

Agora, seu dia é composto por coisas simples, que para um futebolista podem ser um luxo. Oscar leva os filhos à escola, os busca após as aulas, vai aos jogos do filho. E, pela primeira vez, vive verdadeiramente o papel de pai. “Estou aproveitando uma vida para a qual nunca tive tempo antes”, diz o brasileiro.

No entanto, o arrependimento ainda paira no ar. Oscar planejava passar alguns anos no São Paulo e ajudar o clube de forma significativa: “Eu queria a próxima temporada, pensava nela: como melhorar, como ajudar mais o São Paulo.

Oscar ainda não sabe ao certo o que fará no futuro. O trabalho de treinador não o atrai muito, mas não descarta permanecer no futebol em outro papel. “Agora, preciso descobrir coisas novas que eu goste”, diz Oscar.

“Não se trata apenas de dinheiro, eu queria conhecer uma nova cultura”. Oscar fala sobre a China, Mourinho e ganhos

● José Mourinho mantinha os jogadores sempre sob pressão. Especialmente o grupo de ataque. “Ele sempre dizia a mim e ao Hazard: ‘Você tem que dar assistências, você tem que marcar gols’, conta o brasileiro. José não deixava relaxar: exigia treinos, luta, melhoria. Oscar explica que, por isso, os jogadores entravam em campo “um pouco irritados” – para provar ao técnico que eram bons.

No entanto, Oscar não retrata Mourinho como um tirano: “Agradá-lo não é fácil. Mas quando ele via que você estava indo bem ou se esforçando ao máximo, ele era uma pessoa muito gentil. Ele tem dois lados”.

● Sobre a transferência para a China, ele se defende e diz que não pensou apenas no dinheiro. Além disso, nega as palavras que lhe foram atribuídas: que garantir o futuro da família é mais importante que a carreira. “Nunca disse nada parecido”, garante o brasileiro. “Claro, era uma quantia enorme de dinheiro. Mas, na época, eu não estava jogando pelo Chelsea. Tive a oportunidade de ir para clubes europeus, além da China. Me ofereceram um contrato gigantesco. Mas não era só o dinheiro, eu queria conhecer uma nova cultura”.

● Futebol é trabalho, e os críticos também cairiam na tentação do dinheiro. Após a transferência para o Shanghai, Oscar foi chamado de mercenário, mas ele tem outra opinião: “O futebol mudou. Neymar, Cristiano, Benzema foram para a Arábia Saudita. Futebol é como um trabalho, entende? Claro, eu queria jogar no Chelsea por 20 anos, mas às vezes você não joga, às vezes a família não gosta da cidade, às vezes você está insatisfeito com o técnico. Talvez eu pudesse ter ido para outra Copa do Mundo, talvez pudesse ter jogado mais partidas pelo Chelsea, mas no final, acho que a decisão foi correta.”

● A China é lembrada com carinho. Ele gostava de Xangai, das viagens pelo país, e a esposa e os filhos eram felizes lá. A verdade é que, após a pandemia, a situação das transmissões da liga chinesa mudou, e a família no Brasil não conseguia mais assistir aos seus jogos normalmente. Por isso, o retorno ao São Paulo foi importante também para os familiares – eles podiam vê-lo novamente no estádio.

Victória Simões

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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