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Gustavo Alfaro – o treinador-filósofo do Paraguai: citações, metáforas e o caminho para a Copa do Mundo de 2026

O técnico da seleção do Paraguai, Gustavo Alfaro, é uma fonte de declarações sábias, marcantes e memoráveis. Há muito tempo, ele ganhou os apelidos de “filósofo” e “professor”, e as coletivas de imprensa são frequentadas por causa de suas performances.

O argentino tem frases, provérbios e metáforas guardadas para todas as ocasiões da vida. Em seu arsenal, não há apenas pensamentos de filósofos, políticos, cientistas, escritores, poetas, músicos, atletas e atores, mas também seus próprios aforismos.

Há até uma citação que explica o amor por citações!

Gustavo relembrava: quando, aos 22 anos, abandonou os estudos pelo futebol, percebeu o quão ignorante se sentia. Foi exatamente naquele momento que decidiu dedicar a vida à leitura. Hoje, ele frequentemente faz referências às obras de Ernest Hemingway, Oscar Wilde, Jorge Luis Borges e outros grandes escritores.

O trunfo de Alfaro é a capacidade de obter resultados com azarões. Talvez sejam justamente os discursos motivacionais e inspiradores que ajudam. Ele usa a história do gigante e do anão desde os tempos em que trabalhava com o argentino “Quilmes”, e isso foi há mais de vinte anos.

Seu maior sucesso em nível de clube foi com o “Arsenal de Sarandí”: conquistou o Campeonato, a Copa e a Supercopa da Argentina, além da Copa Sul-Americana (equivalente à Liga Europa). Nem antes nem depois, o modesto clube ganhou algo.

Começou seu trabalho no “Arsenal” chamando a si mesmo e a todos os jogadores de fracassados. “Mas será que fracassados não podem vencer?”

Também citou Aristóteles para a equipe: “A esperança é um sonho acordado. É preciso ter coragem para sonhar, mas também coragem para ir atrás e realizar seus sonhos”.

Aos 56 anos, Alfaro chegou ao “Boca Juniors” – o ápice de sua carreira em clubes. Na primeira coletiva de imprensa, recorreu às palavras de Borges sobre a tendência humana ao exagero e ao seu longo caminho de 25 anos para o reconhecimento.

Com o “Boca”, conquistou o campeonato, mas foi criticado por um estilo excessivamente defensivo e um jogo pouco expressivo. Rebateu com o conselho do lendário técnico da NBA, Pat Riley: “Se quero construir um time ofensivo, a primeira coisa em que devo trabalhar é a disciplina na defesa, porque, caso contrário, minha bunda vai pelos ares”.

Também resumiu sua breve passagem: “O Boca não tem purgatório – aqui é céu ou inferno”.

Antes de sua primeira viagem para a Copa do Mundo, trabalhou como comentarista em quatro torneios para o canal colombiano Caracol. Gustavo relembrou como, ainda em 2006, após assistir a uma partida entre Alemanha e Colômbia, desejou trabalhar com a seleção: “Foi quando vi o mundo que buscava. Ali nasceu meu sonho”.

Após classificar o Equador para o Mundial no Catar, surpreendentemente convocou para um amistoso o atacante Kevin Rodríguez, do segundo escalão do futebol equatoriano. Em resposta às piadas dos jornalistas, citou Albert Einstein – uma citação que já usou muitas vezes ao longo de sua carreira.

Rodríguez agora está no “Union” da Bélgica e viajou para sua segunda Copa do Mundo.

No Campeonato do Mundo no Catar, os equatorianos tiveram um pouco de azar: venceram os anfitriões, arrancaram um empate com os Países Baixos e, em uma luta acirrada, cederam ao Senegal na partida decisiva do grupo.

Entre dois campeonatos mundiais, Alfaro fez uma breve parada na Costa Rica. A Copa América de 2024 começou com um empate sem gols contra o Brasil e, imediatamente, ele comparou sua equipe ao herói de Bruce Willis.

Respondeu à nova onda de críticas por um futebol pouco ambicioso com uma citação de Hemingway sobre o silêncio, recusando-se a entrar em “polêmicas sem sentido e gastar energia com justificativas”.

Ficou em terceiro lugar no grupo, após perder por 0:3 para a Colômbia e vencer seu próximo empregador, o Paraguai.

Os paraguaios começaram as eliminatórias com 5 pontos e um gol marcado em seis partidas (vitória sobre a Bolívia), e com Alfaro logo conquistaram um empate no Uruguai e derrotaram o Brasil em casa. Sim, ainda antes de Ancelotti – mas a vitória foi a primeira sobre os brasileiros no tempo normal desde 2008.

Dois meses depois, a Argentina também deixou o Paraguai sem nada. Antes do jogo, o treinador comparou os campeões mundiais à umidade – uma explicação metafórica sobre a importância de interações de jogo refinadas, sem as quais os argentinos aproveitariam qualquer fraqueza passageira.

Até o final das eliminatórias, perderam apenas uma partida (0:1 no Brasil), quando o retorno à Copa do Mundo já estava praticamente garantido.

Alfaro frequentemente ouvia acusações de que ele simplesmente teve sorte. Os jornalistas locais também não deixavam de lado o tema da sorte nos sucessos da seleção paraguaia. O treinador respondia com sua história favorita sobre o famoso golfista argentino Roberto De Vicenzo:

“Um dia, ele fez um hole-in-one (acertar a bola no buraco com apenas uma tacada) no British Open. Um jornalista disse a ele: ‘Maestro, que sorte a sua!’ Vicenzo respondeu: ‘Sim. Quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho’.

O caminho para a Copa do Mundo foi comparado pelo argentino a escalar a encosta mais difícil e íngreme de uma montanha carregando o peso de 16 anos de fracassos – ‘um bloco de concreto nos ombros para cada torneio perdido’.

Antes da viagem aos EUA, Gustavo Alfaro fez um discurso programático, questionando seu futuro na seleção do Paraguai:

“Não se trata de resultados ou dinheiro, o problema diz respeito ao futuro de cinco a dez anos. O Paraguai precisa de um processo de longo prazo, que nem sempre leva a bons resultados. Eu vejo muito pensamento de curto prazo.

Preparei um relatório e enviei a cada clube, mas poucos se interessaram. Os treinadores, em média, dirigem menos de 20% das partidas, quase ninguém cumpre o contrato até o fim. Não se pode pular de um cargo para outro tão rapidamente.

A mudança de geração me pegou já na segunda seleção. Quando comecei a convocar jogadores, não encontrei ninguém na idade ideal de 24 a 27 anos. Havia apenas jovens ou jogadores próximos do fim da carreira. Se nenhum dos atuais jogadores estiver na Copa do Mundo de 2030, todo o nosso trabalho terá sido em vão.

É necessário criar continuidade, independentemente de eu continuar à frente da seleção ou passar o comando a um novo treinador. Quero deixar algo que ajude a alcançar um novo patamar.”

O início na Copa do Mundo de 2026 foi desastroso para o Paraguai. Alfaro assumiu a culpa pela goleada sofrida para os EUA (1:4) e pediu que jornalistas e torcedores defendessem os jogadores:

“É uma lição muito dolorosa, mas em um torneio como esse, as emoções precisam ser deixadas de lado. Hoje, a Copa do Mundo está apenas começando, não terminando. Enquanto tivermos pelo menos um minuto, lutaremos para avançar na fase de grupos.

Atirem em mim, não nos jogadores. Amanhã eu vou embora, mas eles ficarão e continuarão representando o país.

* pertence à Meta − organização reconhecida como extremista e proibida na Rússia

Foto principal: Gettyimages.ru /Stu Forster

Lara Faria

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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6 Comentários

  1. Quem planejava assistir ‘O Sexto Sentido’ pode não precisar mais fazer isso por causa do título)

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