Economista Clement prevê o vencedor da Copa do Mundo de 2026: Holanda

O economista alemão Joachim Klement em entrevista falou sobre o modelo que utiliza para prever os campeões mundiais.
Klement ficou conhecido por prever com precisão os vencedores das três últimas Copas do Mundo. Ele acredita que a Holanda será a campeã da Copa do Mundo de 2026.
– Pode explicar seu modelo em um minuto? Quais aspectos influenciam as chances de uma seleção vencer a Copa do Mundo?
– O modelo depende principalmente de quatro variáveis.
A primeira é a população. Ela determina o potencial de talentos, o número possível de jogadores talentosos.
A segunda é o PIB per capita. Ou seja, quão rico é o país. Não porque isso seja importante em si, mas porque define a infraestrutura: há dinheiro suficiente para construir estádios e academias? Sem isso, é praticamente impossível desenvolver jogadores talentosos.
A terceira é o clima. Há possibilidade de treinar o ano todo? Se o inverno é muito frio e o verão muito quente, isso é uma desvantagem em comparação com países onde se pode jogar 12 meses por ano.
A quarta é a posição no ranking da FIFA. Isso ajuda a verificar se a geração atual de jogadores está em boa forma. Quão fortes eles são em relação aos concorrentes?
– O que o levou a pensar que a população e o desenvolvimento econômico de um país ajudam a prever o resultado da Copa do Mundo?
– A economia sempre está relacionada à infraestrutura. Há campos de treinamento suficientes? Há dinheiro para desenvolver jovens jogadores?
O mesmo vale para a população. Um país com 10 milhões de habitantes tem potencialmente dez vezes mais jogadores talentosos do que um com 1 milhão.
Claro, outros fatores também são importantes. Por exemplo, a cultura. Índia e China não têm representação no futebol mundial, apesar de terem mais de um bilhão de habitantes cada. Por quê? Simplesmente porque, para essas culturas, o futebol não é tão importante quanto para os países europeus ou latino-americanos.
– A Alemanha sempre tem uma economia estável, uma população relativamente constante e uma cultura futebolística desenvolvida. Por que, então, ela não vence todas as Copas do Mundo?
– Porque meu modelo só consegue explicar até 55% dos fatores que determinam o resultado de cada partida.
Simplificando, 50% estão dentro do modelo, e os outros 50% são sorte. O que acontece durante o jogo? O time está bem hoje? Alguém recebeu um cartão vermelho? Houve um pênalti ou um gol contra? Essas coisas são impossíveis de prever, mas inevitavelmente influenciam quem será o campeão mundial.
O sorte é incrivelmente importante, especialmente nas fases eliminatórias. Na fase de grupos, os favoritos tendem a se sair bem, mesmo se algo der errado em um jogo específico. Nas eliminatórias, é mais difícil: há apenas 90 minutos, potencialmente 120. E só. Até uma equipe do nível da França, Alemanha ou Espanha pode perder um jogo assim – disse Klement.




