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De onde vêm os apelidos estranhos dos jogadores do México: Piolho, Bazuca, Cabrito

Curiosidade interessante: quase todos os jogadores da seleção mexicana têm apelidos – isso faz parte da cultura do país. Assim, reduzem distâncias, destacam personalidade, aparência, estilo de jogo ou história familiar.

Em uma equipe, encontramos Vosh, Mag, Shenok e Stena.

Guillermo Ochoa – Memo

“Memo” é uma abreviatura mexicana padrão de Guillermo. O nome completo do goleiro é Francisco Guillermo Ochoa Magaña, por isso ele é frequentemente chamado pelo duplo apelido “Paco Memo”.

Paco tem sua própria história: segundo a versão mais difundida, é uma abreviatura do latim Pater Comunitatis (“Pai da Comunidade”) – título associado a São Francisco de Assis como fundador da Ordem Franciscana. Os primeiros sílabas (Pa-Co) se transformaram no tradicional diminutivo espanhol para todos os Franciscos. A versão é amplamente aceita, embora alguns linguistas a considerem um mito.

Raúl Rangel – Tala

Recebeu o apelido de “Tala” devido à semelhança física com Alfredo Talavera, ex-goleiro da seleção mexicana. Pessoalmente, eles nunca se encontraram.

Carlos Acevedo – O Batman lagunero

Mais uma imagem midiática do que um apelido clássico. Acevedo tem uma coleção de fantasias e figuras do Batman – seu super-herói favorito. Paralelamente, em Torreón, existe um verdadeiro “Batman lagunero” – Juan Manuel Miranda, um ativista local que, junto com sua família, há oito anos visita crianças doentes vestido de super-herói. Em 2025, seus caminhos se cruzaram: Acevedo vestiu a fantasia do Batman e, junto com Miranda, visitou crianças diabéticas na clínica do IMSS em Torreón no Dia das Crianças. Assim, os dois “Batmans” apareceram na mesma cena – e a imagem acabou grudando no goleiro.

Jesús Gallardo – Vegeta

O apelido vem de um personagem da franquia Dragon Ball – um dos universos de mangá mais populares da história, criado por Akira Toriyama em 1984. Vegeta é o príncipe da raça Saiyajin, um dos personagens principais: começou como um vilão impiedoso e gradualmente se tornou um dos defensores da Terra. Sua marca registrada é o penteado arrepiado para cima, que nunca muda, não importa o que aconteça. Foi exatamente esse penteado que Gallardo tinha no início de sua carreira – e o apelido pegou naturalmente.

Cesar Montes – Filhote

Apelido inesperado para um defensor de 195 centímetros. Tudo começou em 2015: durante o intervalo da partida de estreia de Montes, seu tio encontrou o comentarista Willy González e avisou: “Agora vai entrar meu filhotinho”. González foi ao ar e chamou o estreante assim. Pegou na hora.

Jorge Sánchez – Georginho

Georgie é um apelido de infância que Sánchez recebeu da família e dos amigos quando era criança. “Desde pequeno, me chamam assim no México – família, amigos, os mais próximos. É o nome ao qual me acostumei”, explicou ele na apresentação no Porto. Na partida de estreia da Liga dos Campeões, Jorge entrou em campo com a camisa “Georgie” nas costas, em vez do habitual “Sánchez”.

Joan Vázquez – A Parede

La Muralla surgiu na Itália: após cinco temporadas no Genoa, Vázquez se tornou capitão e líder absoluto da defesa. O clube oficializou o apelido dele, anunciando a renovação do contrato com a frase “A Parede permanece”.

No entanto, nem tudo saiu como planejado. O Genoa publicou uma foto de Vázquez como pedreiro, assentando tijolos, com a legenda “A Paredel” – e os torcedores mexicanos interpretaram isso como uma referência ao muro de Trump na fronteira com o México. A postagem foi inundada de comentários indignados e acabou sendo removida.

Israel Reyes – O Clarinho

O apelido foi criado pelo responsável de redes sociais do “América”: ele postou uma foto do zagueiro com a legenda Güerote – e ela se espalhou instantaneamente. No México, güero é uma pessoa de pele clara ou cabelos claros. O sufixo -ote intensifica o significado – resultando em algo como “muito claro” ou simplesmente “clarinho”. Reyes é de Jalisco, onde a proporção de pessoas de pele clara é significativamente maior do que a média mexicana.

Mateo Chávez – Tiloncito

Mateo é filho de Paulo Cesar “Tilon” Chávez, lenda do Chivas e campeão da Liga MX em 1997. Por isso, ele se tornou o Tiloncito – o pequeno Tilon. Antes da Copa do Mundo de 1998, Tilon passou por todo o ciclo preparatório, viajou para treinamentos na Europa e entrou na lista preliminar de 24 jogadores, mas o técnico o cortou alguns dias antes do início do torneio. Sem explicações.

Quando Javier Aguirre anunciou a convocação para a Copa do Mundo em casa, com Mateo na lista, Tilon chorou ao vivo na ESPN: “Fiquei de fora da Copa do Mundo, foi a maior dor da minha carreira. E hoje vejo meu filho nessa lista”.

Edson Álvarez – Machín

El Machín é um termo em gíria mexicana que significa forte, destemido, alguém que não recua diante de dificuldades. O apelido foi dado por seu irmão ainda na infância, porque Edson nunca teve medo de enfrentar garotos mais velhos e maiores que ele. Essa característica permaneceu no futebol profissional.

Na Europa, a tradução ficou mais divertida. Quando o Fenerbahçe gravou uma entrevista com Álvarez e ele mencionou o apelido, o clube traduziu Machín como Machine, ou seja, “Máquina”. Pelo visto, o próprio Edson não se opôs – na Inglaterra, ele já era chamado simplesmente de Eddie.

Orbelín Pineda – O Pequeno Mago

El Maguito – pequeno mago. Apelido para o estilo que combina técnica, leveza e habilidade para criar jogadas inusitadas.

Roberto Alvarado – Piolho

El Piojo (Piolho) no futebol mexicano tem sua própria história. Na infância, Alvarado torcia para o “América” e admirava o argentino Claudio “El Piojo” López – um ponta-esquerda habilidoso, técnico e rápido. Quando o pai encomendou o uniforme para o time infantil e perguntou ao filho como assinar, o pequeno Roberto de oito anos respondeu: “Piojo Alvarado”. Desde então, o apelido pegou.

A ironia é que Alvarado construiu sua carreira no “Cruz Azul” e no “Chivas” – os principais rivais do “América”. Quando perguntado sobre isso, ele respondia: “É o apelido do Piojo López. E eu gostava de como ele jogava”.

Luis Romo – Tanque/Cabritinho

O apelido “Tanque” foi criado pelo jornalista Omar Villa, do canal TV Azteca, quando Romo se transferiu para o Chivas. A lógica é a seguinte: Romo é forte, imponente, teimoso nos duelos e avança sem medo.

No entanto, ele tem outro apelido, de origem local. Em seu bairro natal, ainda é chamado de Cabrito (Cabritinho), em homenagem ao seu ídolo de infância, Jesús “Cabrito” Arellano, do Monterrey. Romo até usava o cabelo comprido para imitá-lo.

Luis Chávez – Bazuca

O apelido “Bazuca” está relacionado com a poderosa perna esquerda de Chávez. Na Copa do Mundo de 2022, em uma partida contra a Arábia Saudita, Chávez cobrou uma falta com a esquerda – e a bola entrou no gol a uma velocidade de 121,7 km/h. Este foi o chute mais potente de todo o torneio no Catar.

Eric Lira – Chef

O apelido “Chefe” surgiu no vestiário do “Cruz Azul”. Tudo por causa das qualidades de liderança de Lira.

Gilberto Mora – Piranha

O apelido foi dado pelo treinador. “Ele é a Piranha, Piranha do Mar. Ele quer devorar todos, no bom sentido, quer continuar crescendo, não parar no que já conquistou”, disse Sebastián Abreu. Um elogio notável para um jovem de 17 anos.

Bryan Gutiérrez – Don Silverio

O meme do vestiário que vazou. “Don Silverio” é um personagem do TikTok criado por Emiliano López: um jovem que magistralmente interpreta um velho rancheiro de pueblo de Bajío, com um sotaque característico.

O apelido foi lançado publicamente por Armando González, companheiro de equipe de Gutiérrez no Chivas, que escreveu “Don Silverio” em um comentário após uma partida vitoriosa, e isso se espalhou rapidamente pelas redes sociais. A base é a semelhança física.

Álvaro Fidalgo – O Pequeno Mago

Mais um Maguito. O apelido foi dado na “América” pela técnica, visão de jogo e habilidade de criar. Espanhol da Astúrias, formado no “Real”, chegou ao México praticamente desconhecido – e em algumas temporadas se tornou um dos melhores jogadores da liga mexicana.

Raúl Jiménez – O Lobo de Tepeji

O apelido é composto por duas partes. A primeira é a cidade natal do jogador, Tepeji del Río, no estado de Hidalgo, onde existe um local chamado Cerro Lobo – Montanha do Lobo. Não há lobos lá, e nunca houve, mas o nome permanece. A segunda parte é “Wolverhampton”, para onde ele se transferiu em 2018 e imediatamente se tornou o principal artilheiro do clube.

Alexis Vega – Gru

Apelido memorável e um dos mais reconhecíveis no futebol mexicano. Vega tem uma aparência que lembra o Gru, de “Meu Malvado Favorito”: o nariz característico, as bochechas cheias e a estrutura física robusta. Os torcedores perceberam, a mídia abraçou – e agora isso faz parte da imagem de Vega.

O apelido já ultrapassou os limites de uma piada da internet. O “América” gravou um vídeo com os Minions, sugerindo uma possível transferência de Vega para o clube – Henry Martín olhava para a câmera e dizia: “Gru quer me ligar”.

Santiago Giménez – O Grandalhão Mirim

A origem foi explicada pelo próprio Jiménez: “Eu era uma criança pequena, mas ao mesmo tempo grande – tinha poucos anos, mas era muito maior que os meus colegas. Por isso me chamavam de bebote – ‘bebê grande’. O apelido foi dado pelo meu pai, Chaco Jiménez, e foi popularizado pelo comentarista Tito Villa durante uma partida do Cruz Azul.

César Huerta – O Cacheado

No México, El Chino significa uma pessoa com cabelos cacheados ou encaracolados – a palavra remonta à época colonial e à língua quéchua, não tendo relação com a origem asiática. Huerta tem os cachos característicos – o apelido pegou naturalmente.

Julián Quiñones – Pantera

O apelido pegou ainda na academia infantil “Futebol Passe” em Cali. Os treinadores o chamavam de Pantera – pela maneira predatória de jogar, pela velocidade explosiva e pela agressividade no ataque.

Guillermo Martínez – Memote

Guillermo é reduzido a Memo, o sufixo -ote em espanhol intensifica – resultando em “grande Memo”. Lógico para um centroavante alto, que joga de costas para o gol e ganha bolas aéreas.

Armando González – Formiga

A história do apelido é uma anedota pura. O pequeno Armando chegou com a família para um piquenique, o irmão e a irmã pisaram em um formigueiro – e ele, horrorizado, se recusou a sair do carro. Ele ainda não sabia falar direito, então, em vez de hormigas (formigas), gritava yiyigas. O tio, chamado Vareta, de Aguascalientes, pegou o jeito – e começou a chamá-lo de Ormeña. “Ninguém me chama de Armando – e eu adoro isso”, diz González.

Almoço com Vargas – sem apelido

Provavelmente, porque ele tem 20 anos. E nunca jogou no México: nasceu no Alasca, em uma família mexicana, e quase toda a sua carreira foi nos EUA. Agora ele está no “Atlético”.

Por que os apelidos são tão comuns no México?

No México, apelidos e formas carinhosas de nomes são uma parte importante da cultura. Eles reduzem a distância e tornam a comunicação mais acolhedora. O espanhol se presta a isso. Os sufixos -ito, -ote, -cito permitem transformar qualquer nome em uma forma diminutiva ou aumentativa – daí surgem Memito, Memote, Tiloncito, Piojito.

Os apelidos frequentemente destacam a aparência, o caráter, a profissão ou a origem. Portanto, é também uma maneira amigável de brincar com as características de uma pessoa ou destacar sua singularidade dentro da comunidade.

Historicamente, no México, os clãs familiares são populares, onde as crianças muitas vezes recebem nomes em homenagem aos pais, avós e avós. E os apelidos ajudavam a não confundir parentes com os mesmos nomes.

Embora ninguém tenha explicado o que fazer se você tiver dois pequenos magos na equipe.

Todos esses jogadores também podem ser selecionados no Fantasy da Copa do Mundo de 2026. Por exemplo, o Grande Garoto, ou seja, Santiago Giménez, custa 6,5 milhões, e o Piolho – ou seja, Roberto Alvarado – pode ser adquirido por 5,5 milhões.

O Filhote, César Montes, bem conhecido por nós do “Lokomotiv”, também custa 5,5.

Você tem 100 milhões de orçamento para comprar 15 jogadores. Participe, chame os amigos, crie ligas e compita durante a Copa do Mundo. É muito envolvente, acredite!

Yasmin Fonseca

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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2 Comentários

  1. Isso apenas um código cultural legal! Enquanto tento escolher, qual apelido gostei mais, lembrei-me de Chicharito – ‘carinha’
    No, se os comentaristas mexicanos durante o gol de Raúl Jiménez gritam ‘Wolf do Tepeji’, – isso é legal

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