Futebol

Cunha e seu surfe: de onde veio a celebração do gol e por que se tornou viral

Pegando a onda junto com o brasileiro.

Mateus Cunha é o herói do primeiro tempo da partida contra o Haiti (por enquanto 3:0, assista aqui ). Ele marcou dois gols e celebrou com uma simulação de surfe. Foi assim:

Esta é a sua marca registrada.

Por que justamente a prancha? Cunha explicou isso pela paixão.

“Eu sou surfista”, diz o brasileiro. Em sua terra natal, ele sempre ia para uma vila costeira, onde os locais o ensinaram a ficar em pé na prancha. Para ele, o oceano é uma maneira de alcançar o zen e aliviar a pressão da Premier League.

Aliás, o gesto evoluiu. Inicialmente, Mateus simplesmente saltava para uma prancha imaginária. Mas os amigos do Brasil o criticaram pela técnica: “Você deve primeiro remar deitado para pegar a onda”. Cunha ouviu – em uma das partidas, primeiro deitou-se no gramado e só então pulou para a pose.

O Nottingham Forest marcou – e executou sua comemoração favorita assim que o gol foi validado.

A celebração viralizou após a mudança para o “Old Trafford”, mas surgiu ainda nos tempos de jogo pelo “Wolverhampton”. Ironia do destino: uma das execuções mais memoráveis do surfe de Mateus aconteceu em 26 de dezembro de 2024, após um gol de vitória com um chute direto de escanteio contra o “United”.

Agora o brasileiro é adorado em Manchester. Os companheiros de equipe, Amad Diallo e Bryan Mbeumo, aderiram à tendência viral, imitando o surfe de Cunha.

E Cunha retribui. Adora imitar as comemorações individuais dos companheiros.

No “Wolves” isso também funcionou.

Surfe e brasileiros – isso é um grande amor à parte. Mas a pátria do surfe não é o Brasil.

Historicamente, o surfe surgiu na Polinésia e no Havaí por volta do ano 400 d.C. Para os antigos havaianos, não era um esporte, mas uma complexa religião: os riders mais habilidosos se tornavam líderes, e as pranchas eram esculpidas para rituais espirituais.

O Brasil se apaixonou pelo surfe recentemente. Por muitos anos, as pessoas com pranchas eram vistas como marginais e preguiçosos. A polícia podia parar um carro apenas por causa de uma prancha no teto. A situação mudou com a “tempestade brasileira” – como a imprensa esportiva chamou o avanço dos surfistas brasileiros no início dos anos 2010. Era uma nova geração de jovens ambiciosos e atléticos, criados nas ondas do oceano.

O explosão cultural aconteceu em 2014: Gabriel Medina se tornou o primeiro brasileiro da história a conquistar o título de campeão mundial. Ele se transformou instantaneamente em um herói nacional, ao nível de Neymar, e Italo Ferreira consolidou o domínio do Brasil ao conquistar o ouro histórico na Olimpíada de Tóquio. Desde então, o surfe no país deixou de ser um hobby marginal para se tornar um símbolo de sucesso.

Agora, os jogadores de futebol e os surfistas no Brasil formam um único grupo. O próprio Neymar é amigo de Medina há mais de dez anos, e Cunha faz parte da turma. Recentemente, Mateus postou nas redes sociais uma foto em que aparece assistindo à transmissão ao vivo de uma competição de surfe na TV, e escreveu: “Boa sorte aos meus companheiros”.

Levando o surfe para os gramados dos estádios ingleses, ele simplesmente presta homenagem às suas raízes e à irmandade esportiva brasileira.

Até Usain Bolt, antigo fã do “MU”, aderiu. Em 3 de maio, ele foi ao jogo contra o “Liverpool”, viu ao vivo a comemoração de Cunha – e não se conteve após a partida.

Lara Faria

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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5 Comentários

  1. O movimento das mãos parece uma dança, como naquele meme do “música muito ruim” com o cara na balada.

  2. Quem critica a celebração e chama de “cringe”, está tudo bem com a sua cabeça? Faz tempo que não aparece uma celebração legal e diferente no futebol, já estava na hora de algo novo e divertido, e isso viralizou, com muita gente repetindo.

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