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Admiramos a Espanha: o segredo da defesa perfeita foi encontrado, o principal problema foi resolvido – O melhor time perdeu

Análise de Palagin e Bokov.

A Espanha venceu com facilidade a Áustria nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Este 3:0 é um indicativo do jogo mais unilateral das eliminatórias. E isso apesar de terem preparado um plano especial para conter Lamine Yamal.

Ralf Rangnick tentou neutralizar Yamal com marcação dupla. O que aconteceu?

Palavras de Ralf Rangnick antes do jogo: “Vamos dar uma atenção especial ao Yamal. Entendemos o quão perigoso ele é. Tentaremos não dar espaço a ele. Não permitiremos que ele comece a driblar. Faremos com que dois ou três jogadores o enfrentem. Cada arrancada, cada toque dele deve ser difícil. Para jogadores desse nível, é preciso se preparar com muito cuidado”.

Ele não mentiu e preparou um plano especial para conter Yamal. Primeiro, enviou Konrad Laimer para a lateral esquerda da defesa – o principal jogador versátil da Áustria e o melhor em situações 1 contra 1. Em segundo lugar, Marcel Sabitzer forneceu apoio adicional – resultando em uma marcação dupla imediata.

Outra característica do plano: Laimer quase não se envolveu no ataque. A Áustria teve pouca posse de bola, e mesmo nos raros ataques, Konrad permaneceu em sua própria metade do campo. Isso é uma desvio da norma, pois geralmente Rangnick exige que ambos os laterais se envolvam no ataque.

Se julgarmos apenas pelos números, o plano da Áustria funcionou. Yamal terminou a partida sem ações de gol. Sua melhor chance não veio de uma jogada, mas de uma bola parada. Ele ficou em campo por 85 minutos e deu um passe para finalização, sem contar os escanteios (onde a marcação dupla não é prevista).

A principal conclusão sobre o desempenho: mesmo que Yamal seja marcado por dois jogadores, a Espanha ainda é forte. Lamine permanece como a principal opção de ataque, mas há alternativas suficientes.

Além disso: apesar de toda a atenção, Yamal trouxe muitos benefícios indiretos. Por exemplo, Pedro Porro, parceiro de Lamine na lateral, teve uma boa partida. Ele não apenas marcou, mas também foi o melhor da equipe em criar chances (cinco no total). A atenção extrema em Yamal o deixou sem marcação.

Não foi possível fechar completamente Lammers. Ele ainda teve uma jogada brilhante em direção ao gol. Além disso, tentou deslocamentos para o centro (efeito surpresa) e criou perigo no espaço. Não foi o melhor jogo da carreira, mas ainda assim foi perigoso.

Cucurella parece ter resolvido o principal problema da Espanha. Como e qual?

O problema com o ponta-esquerda da Espanha não é segredo. E aqui está a solução que Luis de la Fuente encontrou.

Marc Cucurella.

Seu papel na Copa do Mundo difere muito do que vimos na Euro: lá, Cucurella cobria e criava espaço para Nico Williams. Agora, Nico está lesionado, assim como suas alternativas. Como resultado, o meia Alex Baena atua pelo lado esquerdo do ataque. Ele sabe jogar na ponta, mas se move de forma diferente: frequentemente se desloca para o centro e progride com passes.

De la Fuente transformou Baena em um complemento de Cucurella. Marc avança, recebe a bola e cria jogadas perigosas. A dupla funcionou bem contra a Áustria.

No final, Cucurella não apenas deu duas assistências, mas teve um papel fundamental em quebrar o bloco compacto e baixo dos austríacos. As alas da Espanha estão vivas novamente – embora a substituição de Nico, é claro, tenha sido apenas parcial.

O lateral-direito é a principal ferramenta tática da Espanha

Antes do jogo contra a Áustria, De la Fuente foi questionado sobre o motivo de rotacionar tanto os laterais direitos: Pedro Porro e Marcos Llorente têm dois jogos cada. Atualmente, não há um titular absoluto na posição.

“Eles são simplesmente diferentes”, respondeu Luis. “E sempre tomamos decisões específicas para cada partida”.

Baseando-se nas palavras do técnico, o cenário é o seguinte: Porro é usado contra adversários mais fechados, que precisam ser superados pela qualidade no controle da bola, enquanto Llorente é escalado contra equipes que oferecem espaço para arrancadas.

Llorente foi o primeiro a entrar em campo na Copa do Mundo, mas contra Cabo Verde, não começou como um lateral puro, e sim como terceiro zagueiro durante a posse de bola. A ideia fracassou tanto que a Espanha a abandonou durante o jogo.

Porro jogou contra a Arábia Saudita, que tentou imitar Cabo Verde, mas não conseguiu.

Contra o Uruguai, Marcos jogou novamente e terminou com uma assistência. O técnico disse que esperava um jogo mais ousado, mas não substituiu Llorente devido à sua “superioridade física”. Outro indicador de que o lateral direito para ele não é apenas um apoio a Yamal, mas uma ferramenta tática completa. Através deles, ocorrem adaptações antes e durante o jogo.

Porro jogou em uma linha alta contra a Áustria. No final, a eficácia foi impressionante: cinco passes para finalização, um gol e apoio constante a Yamal. Pedro frequentemente apareceu na área adversária e jogou com ousadia.

Não é segredo que sua parceria com Lamine está bem entrosada. Eles jogaram juntos nas eliminatórias, o que torna a escolha do técnico ainda mais difícil. Ambos os laterais direitos estão tendo uma boa Copa do Mundo e merecem um lugar no time titular.

A Espanha ainda não sofreu gols – eis os segredos contra a Áustria

Após quatro jogos, os espanhóis não sofreram nenhum gol – algo que só o México também conseguiu nesta Copa do Mundo.

Lembre-se do nível dos adversários do grupo, mas o que impressiona não é apenas o zero no placar, mas a solidez geral da defesa. O desempenho dos espanhóis não é um erro ou anomalia. Em quatro jogos, permitiram apenas 1,22 xG contra, o menor número do torneio, seguidos pela Argentina com 1,55 xG.

Outro fato impressionante: a Espanha permite os chutes menos perigosos na Copa do Mundo. A média de perigo por chute é de apenas 0,06 xG. É admirável no contexto do estilo que adotam em todos os jogos – arriscado e ousado. Eles avançam a linha defensiva quase ao nível do Barcelona de Hansi Flick. Se houver um erro, o adversário teria uma chance clara de gol.

O modelo não apresenta falhas graças à pressão de alto nível. Antes da partida, esperávamos proezas nesse aspecto da Áustria – praticamente um produto do sistema “Red Bull”. Na prática, os espanhóis se mostraram muito mais ousados: não apenas foram mais vezes ao desarme, mas também recuperaram a bola muito rapidamente.

Além disso, aproveitaram elementos do sistema “RB”, como o esquema compacto.

Outra arma subestimada da Espanha é a capacidade de se defender com a bola nos pés.

Na etapa final, a Áustria finalmente pressionou com todas as forças. Seis ou sete jogadores estavam no campo adversário. Os espanhóis não se abalaram, mantiveram a posse de bola com facilidade e ainda encontraram soluções.

O terceiro gol foi como uma cereja no bolo, marcado após um minuto de posse de bola, com pelo menos um toque de todos os jogadores, exceto Pau Cubarsí.

Algo semelhante vimos no final do jogo contra o Uruguai. A equipe de Marcelo Bielsa precisava de um gol para avançar para a fase eliminatória, mas não conseguia sequer recuperar a posse de bola. No final, recorreram a faltas com elementos de agressividade – um reflexo da impotência ao tentar tirar a bola dessa Espanha.

Um toque de admiração por Pedri

Pedri fez uma partida de alto nível. Poderia dizer isso após qualquer jogo, mas como não se encantar?

Gostei da observação de Vadim Lukomsky: no primeiro gol, Pedri manteve a bola exatamente o tempo necessário para atrair a atenção de quatro jogadores. Com o momento perfeito para se desfazer da bola, criou espaço para Cucurella – e ampliou a área para onde Oyarzabal se moveria para finalizar.

Timing perfeito e leitura do episódio. Pedri já provou que não tem igual nesse aspecto.

É ainda mais impressionante que, após o jogo contra Cabo Verde, ele foi duramente criticado. Dizia-se que Dani Olmo deveria ser titular, e não Pedri, porque Olmo sempre cria oportunidades. Pedri também ajuda no ataque, mas de uma maneira um pouco diferente. Nos jogos contra a Arábia Saudita e a Áustria, ele provou que pode jogar facilmente ao lado de Dani.

No final, Pedri não apenas tem um desempenho criativo de alto nível, mas também um volume gigantesco sem a bola: dois desarmes, quatro recuperações de posse e quatro duelos vencidos em seis.

Devido à excelência da França, muitos parecem automaticamente colocá-la na final da Copa do Mundo. No entanto, nesta parte da chave, há também a Espanha – uma equipe que, embora talvez não esteja impressionando tanto quanto na Euro 2024, segue avançando com tranquilidade.

À frente, o primeiro grande teste: Portugal ou Croácia. Talvez lá, os espanhóis não enfrentem um bloco baixo.

Iara Sousa

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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