Futebol

Caos na seleção do Senegal: técnico sem contrato, chefes festejando e fast food para os jogadores

A mídia criticou o treinador após a Bélgica.

O Senegal foi eliminado dramaticamente da Copa do Mundo. Estavam vencendo a Bélgica por 2:0, mas perderam por 2:3 na prorrogação.

Segundo informações de L’Équipe e Sport News Africa, a seleção já estava em crise antes mesmo da partida.

Um treino, voo adiado e chegada três semanas antes da Copa

Os problemas do Senegal começaram antes do início do torneio. De acordo com o L’Équipe, antes de viajar para os EUA, a seleção treinou apenas uma vez em seu estádio – devido ao não pagamento do aluguel.

Depois, o próprio voo foi atrasado. O voo fretado da seleção do Senegal não pôde partir para os EUA por causa de “problemas administrativos”. A Federação de Futebol até teve que comentar a situação nas redes sociais. Oficialmente, o problema era com logística e vistos, mas a mídia relacionou o atraso também ao principal conflito interno: a incerteza em torno do contrato do técnico Papa Tiaw.

A Federação elaborou o cronograma quase sem a participação do técnico e dos jogadores. O Senegal chegou aos EUA em 27 de maio – quase três semanas antes de sua primeira partida na Copa do Mundo. Dentro da equipe, não entendiam por que tão cedo. Isso foi especialmente doloroso durante o Eid al-Adha: Tiaw queria que os jogadores passassem a festa com suas famílias, mas o cronograma já havia sido aprovado pela federação.

Até mesmo o amistoso contra os EUA em 31 de maio foi organizado sem uma coordenação adequada com Tiaw. O técnico simplesmente foi colocado diante do fato consumado.

Técnico do Senegal chegou à Copa do Mundo sem contrato. A negociação foi dolorosa

A história mais absurda gira em torno do técnico principal Papa Tiaw. Segundo o Sport News Africa, ele chegou ao Mundial sem contrato.

O acordo anterior de Tiaw expirou em fevereiro de 2026. Desde então, ele trabalhou por vários meses sem um novo contrato e com salários atrasados. Antes de viajar para os EUA, o técnico exigiu que a situação fosse resolvida e até ameaçou não ir com a equipe.

Tiaw estava perto de um conflito aberto. Seus representantes pensaram em realizar uma coletiva de imprensa em Dacar para expor honestamente o que estava acontecendo na seleção. A situação foi contornada com uma ligação do presidente do Senegal: ele garantiu ao técnico que assumiria o controle da questão. Tiaw acabou embarcando no avião.

No entanto, segundo o Sport News Africa, a questão só foi resolvida definitivamente durante o torneio. Tiaw assinou o novo contrato apenas algumas horas antes da partida contra a Noruega – antes do segundo jogo na Copa do Mundo. Os representantes do técnico ameaçaram que ele não se sentaria no banco se a federação não formalizasse o acordo. Uma fonte do Sport News Africa disse que Tiaw “estava fazendo as malas seis horas antes do jogo”.

Mesmo quando chegaram à assinatura, um novo escândalo ocorreu: a federação, no último momento, adicionou discretamente uma nova cláusula misteriosa. Por causa disso, a formalização foi novamente suspensa. Além disso, a federação não apenas atrasou a formalização do contrato. A liderança e o secretário-geral Abdoulaye Sow supostamente tentaram ganhar tempo – como se quisessem esperar o resultado do jogo contra a Noruega e só então decidir o destino do técnico.

No final, o contrato foi assinado em regime de urgência – cerca de cinco horas antes do apito inicial.

No fundo, pairava a sombra de Hervé Renard. Escreve-se: se Tiav se recusasse a voar para os EUA, parte da liderança da federação estava pronta para ir à Copa do Mundo com o diretor técnico e, ao mesmo tempo, entrar em contato com Renard. Seu nome, segundo a publicação, não apareceu à toa: os contatos com o Senegal já existiam. E o próprio Renard, aliás, durante a Copa do Mundo, conseguiu um emprego na seleção da Tunísia.

A delegação do Senegal vivia luxuosamente: álcool caro, mulheres, presentes e festas

Outra camada de caos – a vida da delegação senegalesa nos EUA e o comportamento dos líderes da Federação de Futebol do Senegal.

De acordo com fontes, os problemas começaram há muito tempo. As reuniões frequentemente começavam com insultos, e após a final da Copa da África, a trégua dentro da federação não durou muito. Logo, os líderes brigaram novamente, inclusive por causa de bônus.

Em um ambiente tão tóxico, o presidente da federação, Abdoulaye Fall, nunca se tornou uma figura forte. E a federação era realmente administrada pelo secretário-geral, Abdoulaye Sow. Aquele que, ao mesmo tempo, estava em conflito aberto com Tiav.

Já nos EUA, os funcionários desfrutavam de privilégios. Um dos vice-presidentes convidava diferentes blogueiros e influenciadores das redes sociais, incluindo jovens mulheres. Sua presença nos treinos surpreendia as pessoas dentro da seleção.

A delegação do Senegal era inchada: ao lado dos funcionários, apareciam parentes, amigos e conhecidos, e nem sempre ficava claro quem pagava pela estadia deles. Uma fonte do Sport News Africa sugeriu que tudo era pago pelo governo. O governo do Senegal alocou uma quantia significativa para a Copa do Mundo, e alguns se aproveitaram disso.

Os primeiros dias da delegação nos EUA pareciam uma festa extravagante: bebidas caras e envelhecidas, presentes, noites na companhia de mulheres, gastos enormes e uma sensação de impunidade. Tudo isso acontecia diante dos olhos dos jogadores, que ficavam perplexos.

O comportamento de alguns chefes surpreendeu até mesmo o pessoal do hotel. Os funcionários reclamavam de sua arrogância.

Jogadores estavam insatisfeitos com a acomodação e a comida, e pediam fast food por conta própria

Enquanto a delegação festejava, os jogadores tinham questionamentos. Os futebolistas do Senegal estavam insatisfeitos com o hotel e a organização da estadia. Alguns, segundo o Sport News Africa, estavam “em choque” com as condições de alojamento.

A questão da alimentação era ainda mais dolorosa. A comida do hotel não agradava a parte dos jogadores, então alguns futebolistas pediam refeições por conta própria. Outros se viravam com fast food.

O motivo era a economia da federação com o pessoal de apoio. Na Copa Africana, o Senegal tinha um chef, mas na Copa do Mundo nos EUA ele não foi incluído.

Alguém revendia ingressos alocados para o Senegal

Em torno da cota atribuída pela FIFA à Federação de Futebol do Senegal, surgiu um esquema obscuro de revenda.

Sport News Africa escreve que parte dos ingressos, comprados por cerca de 60 dólares, poderiam ser revendidos por aproximadamente 350 dólares. A principal questão permanece sem resposta. O dinheiro ia para o caixa da federação ou para os bolsos de pessoas próximas à liderança?

Várias pessoas confirmaram anonimamente a existência desse esquema, mas não fica claro quem exatamente era o organizador. Isso não é novidade. Histórias semelhantes com ingressos já surgiram em torno do Senegal na Copa do Mundo de 2022 – inclusive, na época, falava-se até de ingressos destinados às famílias dos jogadores.

Primeiro, o técnico Tiav apostou nos veteranos. Depois, fez várias mudanças

Antes do torneio, Tiav enfrentou uma escolha difícil na zaga central. De um lado, o veterano Koulibaly, de 35 anos. Capitão, lenda e figura de autoridade no vestiário. No entanto, ele não estava em sua melhor forma para a Copa do Mundo: havia se recuperado recentemente de uma lesão e não jogava desde 8 de abril.

Do outro lado, o jovem Mamadou Sarr, de 20 anos. Sim, ele quase não jogou pelo Chelsea, mas impressionou na Copa da África e parecia a opção mais lógica. O L’Équipe já havia escrito antes do jogo contra a França que Sarr parecia uma escolha mais óbvia do que Koulibaly.

No entanto, Tiav optou pela experiência e pelo status. Koulibaly foi titular nos dois primeiros jogos, embora o jovem defensor parecesse estar pronto. Nesta Copa do Mundo, Sarr não jogou nem um minuto. Curiosamente, antes do jogo contra a Bélgica, foi justamente o jovem defensor quem foi enviado à coletiva de imprensa.

Antes da Bélgica, o treinador acabou fazendo alterações. Koulibaly ficou no banco, mas quem ganhou a chance não foi Sarr, e sim Pathé Ciss – um meio-campista que foi deslocado para a zaga.

Depois, Tiav surpreendeu com suas decisões durante o jogo contra a Bélgica. A principal substituição questionável aconteceu quando o placar ainda estava 2:0. No 66º minuto, ele tirou Papa Gueye e colocou Lamine Camara. Após o jogo, Tiav justificou a mudança pelo estado físico dos jogadores, mas o próprio Gueye deu outra versão: disse que estava bem e que nem sequer foi perguntado se estava cansado ou não.

Foi essa substituição que se tornou particularmente dolorosa. O Senegal estava vencendo, o jogo parecia estar sob controle, e um dos jogadores importantes do meio-campo saiu de campo muito cedo. Mais tarde, foi justamente Camara quem se envolveu no episódio do pênalti no tempo extra.

Sadio Mané e Idrissa Gueye são um caso à parte. Eles saíram no tempo extra, quando a Bélgica já havia igualado o placar. Parece que, após uma série de substituições, a equipe perdeu completamente a estabilidade.

Algumas horas depois, Papa Gueye foi ainda mais longe. Nas redes sociais, ele anunciou que mais tarde falaria sobre os motivos da eliminação, mas que, por enquanto, estava se afastando da seleção enquanto a atual comissão técnica permanecesse no comando.

“Trabalho técnico patético”. Tiav foi destruído pela imprensa senegalesa após a Bélgica

O golpe final em Papou Tiav veio após a eliminação para a Bélgica. O Senegal vencia por 2:0 até o final, mas sofreu dois gols em poucos minutos e depois perdeu por 2:3 no tempo extra.

A imprensa local quase unanimemente decidiu que o Senegal foi eliminado não por causa do árbitro ou dos jogadores, mas por causa do treinador.

Na coluna editorial do Yoor-Yoor, escreveram que este “naufrágio histórico” não foi uma derrota dos jogadores, mas o resultado de um “gerenciamento humano e tático catastrófico” do treinador. As críticas foram especialmente duras em relação às substituições: o Senegal recuou muito cedo, e as decisões de Tiwa criaram uma atmosfera de medo e desestruturaram o trabalho da equipe.

La Tribune publicou uma manchete direta: “Trabalho medíocre do treinador elimina o Senegal”. O jornal afirmou que Tiwa se perdeu em suas substituições. L’Observateur foi além e exigiu a saída do treinador com a manchete “Pai, adeus!”. Já o Enquête formulou a pergunta: “É necessário demitir Tiwa?”

Le Quotidien ironizou sobre a “piada belga de mau gosto” e também falou sobre a derrota na duelada treinadores. Le Soleil destacou na primeira página o trocadilho “Coachmardesque!” – uma combinação de coach e cauchemardesque, algo como “um pesadelo de treinador”. A publicação lembrou: o Senegal vencia por 2:0 até o 85º minuto, mas em três minutos perdeu a vantagem e, em seguida, foi derrotado nos pênaltis no final da prorrogação. Segundo o jornal, as substituições de Tiwa desestabilizaram profundamente a equipe.

Sud Quotidien chamou isso de “decepção” e escreveu que há derrotas que vão além do futebol.

Lara Magalhães

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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5 Comentários

  1. Li e não entendi, isso é realmente uma seleção africana? Parece muito com a mentalidade asiática, acho que nós, asiáticos e africanos, temos muito em comum, a mesma desorganização, pose, falta de organização e muito mais.

  2. Pois é, e diziam que não havia escândalos com seleções africanas, eu já imaginava que ia rolar tudo pelos tubos logo após um vazamento épico desses.

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