Enzo Maresca no Manchester City – 5 principais intrigas por Palagin

Vai dar certo?
O Manchester City finalmente apresentou Enzo Maresca como novo técnico principal – mais de um mês após a saída de Pep.

Essa longa espera é o resultado de negociações difíceis com o Chelsea sobre a compensação. Elas foram ainda mais complicadas pelo escândalo envolvendo a saída de Maresca no inverno.
Em seu comunicado, o Chelsea não escondeu o ressentimento com Enzo (nem mesmo o chamaram pelo nome). Basicamente, o acusam de chantagem: alegam que o italiano usou as negociações com o City para exigir mais poder, inclusive em questões de transferências. Por sua vez, o treinador ficou chateado porque o clube ignorou os sucessos da temporada passada, como a classificação para a Liga dos Campeões e a vitória no Mundial de Clubes.
A união entre Maresca e o Chelsea agora é oficialmente coisa do passado. Já o City entra em uma nova era e, pela primeira vez em 10 anos, começará a temporada sem Pep. Há muitas intrigas. Aqui estão as principais.
É possível repetir o domínio de Pep?
O sucesso de Pep no Manchester City não se resume apenas ao número de troféus (20 em 10 anos, uma média de 2 por temporada), mas também ao status que o clube conquistou. Antes de Guardiola, já eram considerados um grande clube, mas faltava consistência. Nem mesmo conseguiam vencer a Premier League dois anos seguidos. Já eram um dos que mais gastavam, mas não tinham uma posição especial no top-6.

Pep mudou o jogo. Agora, os enormes investimentos foram acompanhados de domínio na Premier League e justificados. O clube não apenas defendeu o título (pela primeira vez na história), mas também estabeleceu um recorde ao vencer 4 campeonatos consecutivos. No processo, elevaram o padrão – agora, para vencer, são necessários 90+ pontos. Pep não é o único arquiteto do sucesso, mas é seu engenheiro-chave.
Ao contratar Maresca, o clube conscientemente escolhe o caminho da evolução, e não da revolução. Até mesmo o cargo oficial de Enzo não é de técnico principal, mas de manager. Ou seja, o técnico (desculpe, manager) é novamente visto como o rosto do projeto. A palavra de Enzo terá muito mais peso do que no Chelsea. É exatamente esse estilo de gestão que o italiano considera como modelo.
O próximo desafio é, com um nível de autoridade semelhante ao de Pep, alcançar pelo menos resultados aproximadamente semelhantes. Um desafio difícil, considerando a falta de experiência e autoridade semelhante. Muitos jogadores que chegaram ao City disseram que escolheram o clube pela oportunidade única de trabalhar com Pep. Alguns até colocaram como condição a garantia de que Guardiola permaneceria na equipe. Maresca ainda não tem essa aura – apenas uma semelhança externa e o apelido de “Pep light”.
Por outro lado, Enzo está altamente motivado. Tem muito em comum com o diretor esportivo Hugo Viana. O português está no clube há mais de um ano, mas, essencialmente, também está começando seu caminho – ele terá que substituir o não menos lendário Txiki Begiristain. A prioridade de Viana é construir com Maresca uma relação que lembre a aliança com Rúben Amorim no Sporting (química máxima + troféus).
Agora, o City será mais parecido com o time de Pep do que na época de Pep?
Nos últimos 3-4 anos, o City se afastou dos princípios que Guardiola estabeleceu após sua chegada. Indicadores indiretos – porcentagem de posse de bola e intensidade da pressão. Em ambas as métricas, houve uma queda em relação ao pico. A cada ano, aumentava o número de partidas em que o City perdia a posse de bola. Em certos momentos, Pep até passou a usar quatro zagueiros e conscientemente apostou em contra-ataques.
A causa raiz não foi uma mudança abrupta de visão sobre o futebol, mas as transferências. A chegada de Gigi Donnarumma e Erling Haaland teve grande influência no estilo do City. Essas são posições cruciais no futebol de Pep. Do goleiro, exige-se um passe inicial de alto nível. Do atacante, que seja o primeiro defensor na pressão. Donnarumma e Haaland não são os melhores candidatos para esses papéis, mas Pep ainda assim aprovou as transferências e depois se adaptou a ambos.

Maresca, nesse aspecto, se assemelha mais ao Pep clássico do que à versão dos últimos anos. Em termos de estrutura, é um claro 3+2+5. A ideia que veio à mente de Guardiola durante a temporada do treble, quando Enzo era seu assistente. Em termos de confiança nas ideias, também é o Pep no auge. Maresca até discutiu com torcedores do Chelsea quando pediam que o goleiro Robert Sánchez chutasse a bola em vez de jogar. Mesmo quando o espanhol errava, Enzo não o criticava, mas o elogiava por seguir as instruções.
Mais interessante ainda é ver o que acontecerá no City.
Primeiro cenário: Maresca ensina Donnarumma a passar e Haaland a trabalhar no pressing. Ambos aceitam as exigências e evoluem. Com Gigi pode ser mais fácil, já que falam a mesma língua. Já para Erling, pode-se citar o exemplo da Copa do Mundo, onde ele se tornou uma máquina de pressing na seleção da Noruega. Todos ficam satisfeitos.
Segundo cenário: Maresca tenta ensinar ambos, mas não consegue impor suas ideias por falta de autoridade. Difficilmente veremos uma resolução no estilo de Xabi Alonso no Madrid, mas o conflito de ideias é inevitável. Não há garantia de que até mesmo no City o treinador será apoiado.
Terceiro cenário: Maresca entende Pep e simplesmente continua sua linha de trabalho.
Em qualquer caso, a compatibilidade de Enzo com as exigências de um clube de elite será testada. Lembramos da experiência no Chelsea, mas lá ele não deu conta devido a divergências de gestão. Isso também é importante em um grande clube, mas no City, a interação com os jogadores será o foco principal – aqui, há mais estrelas prontas com ego do que havia no Chelsea.
O City melhorará nos grandes jogos, mas cairá nos demais?
Uma das raras críticas a Pep na era City: ele poderia ter conquistado mais troféus se não complicasse nos jogos decisivos (geralmente os grandes)?
Maresca, nesse aspecto, não é o oposto de Pep, mas no Chelsea, ele se destacou principalmente como mestre na preparação para grandes jogos. Estudava perfeitamente o adversário, ajustava o time para isso e atacava os pontos fracos com excelência. O ápice foi a final do Mundial de Clubes com uma vitória esmagadora sobre o PSG (3:0). Talvez, nesse sentido, o City também alcance progressos.

Nesse sentido, o problema-chave (de jogo) de Enzo no Chelsea era a conquista de pontos contra equipes de menor expressão. Esses jogos representam a maioria em uma temporada. Os confrontos de topo ainda são importantes, mas não são eles que definem se um time conseguirá vencer a corrida pelo título. O Chelsea sob o comando de Maresca nem mesmo participava desses jogos – a falta de experiência e a inconsistência contra times menores prejudicavam.
De certa forma, Maresca ainda é um paradoxo como treinador. Em termos de ideais, ele está mais próximo de Pep do que o próprio Pep, mas construiu sua reputação justamente no que Pep não conseguiu.
Cherski – a principal vítima da chegada de Maresca?
Um capítulo à parte da temporada passada foram as tentativas do boomer Guardiola de entender o zoomer Cherski.

Pep admirava as qualidades do francês, mas frequentemente o repreendia devido ao estilo que envolve muita liberdade e riscos, algo que Pep teme como o fogo. Cherki teve um ótimo primeiro temporada, mas não chegou a jogar nem 2000 minutos na Premier League. Até mesmo na fase final, Pep frequentemente o deixava no banco. Às vezes, parecia que era apenas por birra. Um bom exemplo foi o jogo fora de casa contra o West Ham, com a perda de pontos. Depois disso, Pep admitiu que errou ao não escalar Cherki como titular.
Agora, será Maresca quem desenvolverá o potencial do francês. Uma boa notícia é que Enzo tem uma experiência razoável trabalhando com Cole Palmer. O inglês não é uma cópia de Cherki em termos de estilo, mas, assim como Cherki, era o centro da força criativa da equipe. Centro em todos os sentidos – foi Maresca quem o deslocou para o meio, saindo da ponta (sua posição principal com Mauricio Pochettino).
A má notícia é o gradual declínio de Palmer sob o comando de Maresca. A queda ainda continua, mas parece que as instruções de Enzo também influenciaram. Uma delas é se mover em um quadrado estritamente limitado. Maresca contou que não é contra a liberdade, mas apenas se isso não significar movimentos caóticos por todo o campo. Palmer não criticou Maresca, mas após a vitória na final da Liga dos Campeões, disse que recuava para buscar a bola porque “estava cansado de passes cruzados e longitudinais”.

Cherki, em um ano de trabalho com Pep, também mostrou que se sente apertado em um papel semelhante. Guardiola dava liberdade de movimento, mas ainda assim se irritava quando Cherki recuava para buscar a bola com Donnarumma. Maresca é ainda mais rigoroso nesse aspecto – os jogadores devem ocupar apenas as posições prescritas pela estrutura. Isso pode acabar freando o progresso de Cherki. Seria um crime, considerando seu talento e a forma como trata a bola como sua brinquedo favorito.
O City finalmente confiará na base?
Apenas nos últimos anos, o clube vendeu Cole Palmer, Morgan Rogers, Liam Delap, Romeo Lavia e Oscar Bobb. Os mais antigos lembrarão de Jadon Sancho. Nem todos eram talentos do nível do City no momento da venda (alguns ainda não são), mas as perdas ainda são dolorosas, considerando os investimentos na academia.
Pep não ignorava os jovens, mas em dez anos, apenas Phil Foden, Nico O’Reilly e, com ressalvas, Rico Lewis chegaram ao time principal. Com ressalvas, porque Rico quase não jogou na última temporada, e Pep abertamente duvidava que Lewis conseguiria se destacar na Premier League devido à sua baixa estatura.
É curioso que Lewis tenha se firmado no time principal na temporada em que Maresca era assistente de Guardiola. O italiano também está bem familiarizado com as habilidades de Palmer, Rogers, Delap e Lavia – ele trabalhou com cada um deles na equipe juvenil do City. Delap, inclusive, foi levado por ele para o Chelsea. Ou seja, Maresca não apenas está disposto a trabalhar com jovens talentos, mas também sabe como desenvolvê-los.
Talvez, após a nomeação de Maresca, o City até reformule sua política de transferências. Não abandonarão os grandes gastos (Elliott Anderson está a caminho), mas, como convencer novos jogadores ficou mais difícil, olharão com mais frequência para a academia. Maresca é o melhor candidato para isso, caso realmente sigam por esse caminho.





É pouco provável que Maresca alcance metade do que Guardiola conquistou com o City, mas é difícil imaginar um sucessor melhor no momento. A primeira temporada será de teste e adaptação, e só depois disso poderemos avaliar Maresca de forma mais concreta.
Como foi a primeira temporada de Slot? De onde vem a conclusão de que justamente a primeira será adaptativa?
Com um técnico assim, estou tranquilo em relação ao Arsenal na próxima temporada.
Como foi a primeira temporada de Slot? De onde vem a conclusão de que justamente a primeira será adaptativa?