Futebol

A dança cult de Tshabalala. Foi assim que começou a Copa do Mundo de 2010 – Sobre o espírito do tempo

Ensaiava antes do jogo.

O ponta da África do Sul, Siphiwe Tshabalala, marcou um gol contra o México na partida de abertura da Copa do Mundo de 2010. E celebrou de forma lendária: a equipe correu em direção às arquibancadas e executou movimentos sincronizados e empolgantes.

Tshabalala estava confiante de que marcaria – embora tivesse ficado nervoso antes da partida. A comemoração foi ensaiada

Sifuwe disse que a comemoração foi bem coordenada: a equipe sabia que o momento chegaria e eles praticaram aqueles movimentos. Junto com Tshabalala, dançaram Reneilwe Letsholonyane, Kagisho Dikgacoi, Katlego Mphela e Teko Modise. “Praticamos os passos de dança nos treinamentos e estávamos prontos para mostrá-los ao mundo”, contou Tshabalala.

O ponta já havia visualizado que jogaria bem e marcaria. Embora antes da partida a confiança de Sifuwe tenha vacilado. Ele ficou um pouco sobrecarregado com a grandiosidade do momento: o ônibus se aproximava do estádio, as ruas estavam lotadas, as pessoas vestiam as cores vibrantes da seleção, algumas até com as cores do México. E o atacante cantou o hino com lágrimas nos olhos.

O gol ganhou epicidade com o comentarista inglês Peter Drury, que ao vivo gritou a frase que se tornou cult: “Gol para a África do Sul! Gol para toda a África! Celebrem!” O Goal chamou a dança de “remix da Macarena”.

África do Sul fez barulho na Copa, derrotou a França, mas não passou da fase de grupos. Tshabalala com 1+1

A Copa em casa não foi um conto de fadas para a África do Sul, mas também não foi um fracasso.

O jogo contra o México terminou em empate 1:1, embora no final pudessem ter vencido: Katlego Mphela acertou a trave. O Uruguai estragou tudo. 0:3, dois gols de Diego Forlán, expulsão do goleiro Itumeleng Khune – e a diferença de gols, que acabou sendo decisiva.

No entanto, na última rodada, a África do Sul ainda fez barulho. Derrotou a França – finalista da última Copa, embora abalada por escândalos internos. O primeiro gol foi marcado por Bongani Khumalo após escanteio de Tshabalala, e Mphela acrescentou o segundo. A vitória por 2:1 deu aos anfitriões quatro pontos, mas não foi suficiente: o México somou o mesmo número de pontos e avançou pela diferença de gols. Assim, a África do Sul se tornou a primeira equipe anfitriã a não passar da fase de grupos.

Tshabalala não foi apenas o autor de um belo gol. Ele começou como titular em três partidas, marcou contra o México, deu uma assistência em escanteio contra a França e terminou o torneio com 1+1.

Tshabalala passou quase toda a carreira na África do Sul. Teve apenas uma breve passagem pela Turquia

Siphiwe não se tornou uma estrela global após a Copa do Mundo de 2010, embora tenha chamado atenção.

Logo após o torneio, ele foi vinculado ao Wigan, Hannover e PSG. Até a Sky Sports escreveu que o ponta queria ir para a Europa. Seu clube, o Kaizer Chiefs, confirmou o interesse e esclareceu que o jogador ainda tinha dois anos de contrato.

Já em 2020, Tshabalala contou que, durante uma gravação comercial, encontrou Arsène Wenger por acaso. O técnico o elogiou pela Copa do Mundo e disse saber do interesse do PSG. Segundo Tshabalala, o agente de Wenger pegou seu número e prometeu manter contato.

Dois anos após a Copa, o Crystal Palace o levou para um período de testes de 10 dias, mas antes disso Tshabalala já havia passado pelo Nottingham Forest sem conseguir um contrato. O próprio jogador disse que gostou do Palace, deixou uma boa impressão, mas a negociação fracassou por problemas administrativos e o valor da transferência.

A transferência para um clube fora da África do Sul finalmente aconteceu, mas tarde. Em 2018, aos 33 anos, Tshabalala foi para o Erzurumspor, da Turquia. Ele mesmo disse: “Isso deveria ter acontecido há muito tempo”. Chamou a mudança de uma chance de finalmente se mostrar na Europa. No entanto, após apenas uma temporada na Turquia, retornou à África do Sul.

Seu último clube foi o AmaZulu. Tshabalala assinou contrato em 2020, após mais de um ano parado, mas quase não jogou. No ano seguinte, foi liberado, já que a equipe priorizava jovens e um estilo de jogo com pressão alta.

Agora, Tshabalala tem sua própria fundação e um torneio juvenil em Soweto: equipes masculinas e femininas de 15 a 20 anos, para quem é uma chance de entrar no futebol profissional.

Lara Magalhães

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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