Tuchel e Kane salvam a Inglaterra – análise da virada contra a RD Congo na Copa do Mundo 2026

Palagin analisa a virada.
A Inglaterra, graças a um doblete de Harry Kane, conquistou uma vitória de virada sobre a RD Congo (2:1) e avançou para as oitavas de final da Copa do Mundo. Thomas Tuchel esperava um jogo difícil, chamando o adversário de “cópia do Panamá e Gana”. No entanto, as coisas saíram um pouco diferentes.

Inglaterra é nocauteada pelo início avassalador da RD Congo com 80% de posse de bola
O jogo era esperado como um confronto entre um ataque posicional e uma defesa fechada. Foi assim que o adversário foi descrito: “Enfrentaremos uma equipe compacta, fisicamente forte e bem preparada. Esperamos um esquema 5-3-2, às vezes com cinco defensores e um losango no meio. Um bloco compacto, defesa disciplinada, alternância entre bloco alto e baixo, jogo muito disciplinado, perigo nos contra-ataques, saídas diretas para o ataque, passes longos constantes, ritmo acelerado e foco nas segundas bolas”.
No geral, o confronto entre ataque e defesa aconteceu, mas com um detalhe. A posse de bola no trecho inicial, que culminou no gol, foi de 75,6% a 24,4% a favor da RD Congo. Um choque!
Os africanos prepararam algumas surpresas. Primeiro, o esquema não foi o 5-3-2 esperado, mas sim um 4-3-3. Segundo, a aposta foi em saídas curtas do goleiro, e não nas saídas diretas para o ataque mencionadas antes do jogo.
Um detalhe importante: o volante Samuel Moutoussamy frequentemente recuava entre os zagueiros da RD Congo. A dupla Bellingham-Kane ficava em desvantagem, dividida entre três jogadores e o goleiro.

No lance do gol, a Inglaterra já não pressionava mais (as forças haviam acabado) e se defendia em sua própria metade do campo. Mas mesmo assim, um detalhe do plano dos africanos foi mantido.

O padrão de jogo começou a mudar apenas após a pausa para hidratação. A RD Congo chegou a esse ponto com 45% de posse de bola e nenhum chute a gol. Ou seja, as trocas de passes não apenas desgastaram os ingleses e resultaram em um gol, mas também se tornaram uma forma de defesa.
Apenas Rice conseguiu neutralizar as trocas de passes da RD Congo
O gol dos africanos ajustou o padrão de jogo. A equipe de Sébastien Desabre parou de arriscar em situações incertas, mantendo o foco no resultado. No entanto, não abandonaram completamente as trocas de passes, usando-as para ganhar tempo e respirar.
Os ingleses só conseguiram neutralizar a estratégia no segundo tempo. Após o intervalo, Declan Rice passou a se destacar ao lado da dupla Bellingham-Kane.

O papel é bem familiar para Declan do “Arsenal” – ele atua como um dos volantes, mas durante a pressão, frequentemente avança para apoiar o grupo de ataque (a contenção fica com Martin Zubimendi). Aqui também foi útil.
A precisão dos passes da RD Congo após o intervalo caiu para 77%. Ainda é um bom número para uma seleção pequena, mas já não era mais a “Barcelona” em seu auge, como pareciam antes do intervalo.
A Inglaterra não é tão ruim no ataque
Após sofrer o gol, a Inglaterra se viu no cenário mais desconfortável, onde precisa furar um bloqueio defensivo. Essa tarefa frequentemente falhou na Copa do Mundo. Não se pode dizer o mesmo do jogo contra a RD Congo. Desta vez, a Inglaterra criou sete chances claras. Para comparar: contra Gana foram duas, e contra o Panamá, quatro. Um progresso.
No entanto, é importante destacar os momentos certos. A maioria das chances da Inglaterra foi criada antes do intervalo – no período que se seguiu imediatamente à pausa para hidratação (5 de 7). Nesse momento, os congoleses ainda não estavam completamente fechados. Às vezes, surgiam situações em que arriscavam e defendiam com uma linha alta, que podia ser exposta com um único passe:

Após o intervalo, mudaram o estilo. Agora não é mais o bloqueio médio, mas o mais baixo possível – algo que a Inglaterra já sofreu várias vezes na Copa do Mundo:

O seguinte fato é eloquente: nos primeiros 25 minutos do segundo tempo, a Inglaterra deu dois chutes ao gol. Em primeiro lugar, a qualidade dos cruzamentos desmoronou. No primeiro tempo, o estilo do DR Congo permitia não apenas colocar um companheiro em posição de cruzamento, mas também preparar a jogada. No segundo, os cruzamentos foram regularmente interrompidos.
Agora, Tuchel precisava de jogadas originais. Uma delas foi proposta por Thomas.
Tuchel apostou na química dos jogadores do “Arsenal”
Na primeira rodada de substituições, Thomas trocou os pontas – Anthony Gordon e Bukayo Saka entraram no lugar de Marcus Rashford e Noni Madueke. Um movimento tradicional nesta Copa do Mundo.
A mudança aos 70 minutos teve um impacto mais significativo – o meia Eberechi Eze entrou no lugar do lateral-direito Jed Spence. Uma substituição por si só ofensiva, mas com outro detalhe. Agora, Rice era responsável pela direita da defesa. O triângulo no meio-campo era formado por Anderson, Eze e Bellingham – uma combinação tão aberta ainda não havia sido vista na Inglaterra no torneio.
Graças às mudanças, um quebra-cabeça interessante se formou no lado direito do campo. Agora, Rice, Saka e Eze eram responsáveis por ele. Todos do “Arsenal”, conhecem bem as capacidades uns dos outros. Até Declan está familiarizado com o papel – algumas vezes cobriu o flanco sob o comando de Mikel Arteta.

No trecho final, essa zona se tornou crucial para a Inglaterra, e a maioria dos ataques passou por ela. O trio se destacou bastante, trocando posições e confundindo o adversário. No lance do primeiro gol, a interação também foi útil:

Tuchel recebe elogios por suas intervenções. Thomas perdeu completamente o plano inicial, mas usou tanto a pausa para hidratação quanto o intervalo, além da vantagem em recursos.
Kane foi um fantasma durante todo o jogo, mas seus gols são genialidade
Uma qualidade subestimada de um jogador de elite é resolver até mesmo em uma partida em que você parece ser o vilão. Kane estava próximo não apenas desse status, mas também de ser substituído. Antes da mudança decisiva de Tuchel, ele havia feito apenas 18 toques na bola – de longe o menor número da Inglaterra. O segundo colocado, Jude, teve 38.
Essa deficiência não é incomum para um atacante, mas não para o perfil e o nível de Harry. Ele passou a maior parte do jogo como um fantasma. Tentou recuar para buscar a bola, mas os companheiros raramente o procuravam com passes, e a área penal permanecia vazia. Ou seja, os movimentos característicos de Kane não ajudaram, e até prejudicaram.

Na reta final, Harry compensou plenamente. O primeiro gol foi a marca de Kane na área penal. Inicialmente, ele pediu um passe para o lado oposto. Até apontou para si mesmo com a mão.

Gordon não conseguiu concluir, mas Harry se posicionou a tempo e enganou o defensor, que caiu na armadilha.

O segundo gol foi a única vez no jogo em que Kane recuou para o meio-campo, e isso foi útil. Ele não apenas se posicionou, mas praticamente salvou Gordon, que tentava passar por três jogadores.

Um detalhe curioso: Kane conseguiu a liberdade para o chute porque um dos jogadores da RD Congo (o número 14, Sadiki) teve medo de cometer falta. Também é um ponto positivo para Harry – ele sabe se posicionar e provocar a falta.

Aqui a reputação funcionou a seu favor. Bravo, Harry!






Como Kane salvou Tuchel
Kane está claro, mas como Tuchel foi salvo? Não foi por deixar Kane no banco? 😂
Colocou novas alas (Gordon e Saka) e, como resultado, pressionaram o Congo pelas alas.
Primeiro gol – abriram a ala direita, passaram para a esquerda, de onde Gordon cruzou para Kane
Segundo – Gordon pegou a sobra após uma defesa de Bellingham, levou até a área e passou para Kane
Bem, mudar as alas de ataque é gênio tático, sem dúvida.
Ah, esses gênios da التدريب Ancelotti e Tuchel, simplesmente colocaram jogadores de alto nível como substitutos quando o time titular do adversário estava em baixa e não havia ninguém para substituí-los, e pressionaram graças à qualidade dos jogadores :))
Comentário oculto
Sim, apostou
Como Kane salvou a pele de Tuchel de uma surra, na verdade.
Na minha opinião, Rashford é melhor como substituto, e Gordon desde o início do jogo. O trabalho de Tuchel não é visível globalmente, mas a equipe não joga pior do que com Southgate. Kane, é claro, salvou a equipe, mas mesmo sem ele, a equipe tinha ótimas chances. Vamos não enterrar essa seleção antes da hora.
Não sei, não sei…
A equipe joga com mais energia, mais impulsiva, mas…
Com Southgate no modo econômico, provavelmente teriam vencido o Congo por 1:0, 2:0 sem se preocupar.
Não, o goleiro simplesmente teve o jogo da vida dele
Comentário oculto
Não sei, não sei…
A equipe joga com mais energia, mais impulsiva, mas…
Com Southgate no modo econômico, provavelmente teriam vencido o Congo por 1:0, 2:0 sem se preocupar.
Sim, apostou
Colocou novas alas (Gordon e Saka) e, como resultado, pressionaram o Congo pelas alas.
Primeiro gol – abriram a ala direita, passaram para a esquerda, de onde Gordon cruzou para Kane
Segundo – Gordon pegou a sobra após uma defesa de Bellingham, levou até a área e passou para Kane
Bem, mudar as alas de ataque é gênio tático, sem dúvida.