Drama entre Bélgica e Senegal – o encanto das Copas do Mundo e a reviravolta de Lukaku

Ilya Vasilyev está feliz por não ter ido dormir com 2:0.

Pensamentos durante os primeiros 85 minutos de Senegal contra Bélgica:
1. Excelente primeiro tempo do Senegal. Os pontas Sadio Mané e Iliman Ndiaye confundiram os defensores belgas com movimentos para o centro, enquanto os laterais abriram os flancos. O primeiro gol veio após uma combinação clássica do Senegal, que aconteceu várias vezes pela esquerda e pela direita.
2. Na defesa, meio minuto antes do segundo gol, havia cerca de 30 metros entre os volantes da Bélgica – um buraco pelo qual o Senegal chegou à linha da pequena área. Sofreram no ataque seguinte – também de forma caricata.
3. A Bélgica atacou de forma monótona. Estrutura complexa com construção lenta. Às vezes, o ponta Leandro Trossard recuava até os zagueiros centrais para tentar avançar a bola de alguma forma.
4. Romelu Lukaku lembrava Alexander Ovechkin no “Dinamo” contra o “Amkal”: um jogador que empurra qualquer um, mas dificilmente corre devido ao seu peso.
5. A Bélgica errou tanto quando estava 0:2 que dava vontade de acusá-la de falta de vontade, arcaísmo e obsolescência moral. O Senegal foi melhor e mais confiante por muito tempo. 6.
6. Até o gol da Bélgica foi mais memorável. Após um rebote, a bola acertou Meunier, que cruzou para Lukaku.
7. Foi preciso aceitar a reviravolta belga. Mesmo com um gráfico de gols esperados assim. Até o final do segundo tempo, a Bélgica estava à beira da morte.

Como o milagre belga se tornou possível? E, principalmente: seria possível prevê-lo?
Em primeiro lugar, bravo, Lukaku. Foi difícil, mas ele se tornou um ponto de referência – o plano da Alemanha e do Brasil no segundo tempo criou tensão.
Em segundo lugar, o Senegal entrou em depressão. Lembra o que aconteceu antes do erro do goleiro no segundo gol? A defesa desorganizada dos belgas permitiu uma perigosa saída de Ibrahima Mbaye – em um minuto, um potencial 3:1 se transformou em 2:2. Um jogo fácil e compreensível para o Senegal se tornou um drama, que terminou com um ritual mágico e impotência diante do pênalti de Tielemans.

A drama entre Senegal e Bélgica encapsula a magia das Copas do Mundo e do esporte como um todo. Em circunstâncias críticas, as pessoas mudam. Para melhor ou para pior: em um minuto, podemos não reconhecer nossos heróis. Um Senegal interessante e bem estruturado deixou sua amada na companhia de valentões porque teve medo de um atleta do ensino médio. A Bélgica, que parecia sem esperança e sem perspectivas, entendeu que não haveria outra chance de se redimir – e, para surpresa de todos (inclusive dela mesma), partiu para o resgate. Domou um roteiro caótico, onde emoção e esforço superaram a tática.
Nem sei como caracterizar essa partida: drama, comédia, suspense?
Um filme de 130 minutos, com um roteiro escrito por pessoas aleatórias: um torcedor do Senegal, um belga desesperado e um transeunte que jogou uma moeda para o alto. Claro, não se pode comparar a reviravolta da Bélgica com o triunfo do Manchester United em 1999 ou com o milagre de Istambul do Liverpool em 2005. Sinceramente, não acredito muito que a Bélgica manterá o ritmo – não há tantos indícios de um bom desempenho.
Mas é por causa desses momentos impactantes que assistimos à Copa do Mundo: ninguém sabe o que acontecerá no minuto 89.




