Futebol

Stanislav Minin – a grande surpresa da Copa do Mundo de 2026 e candidato à final

Por enquanto, essa é a minha maior surpresa da Copa do Mundo de 2026.

O comentarista Stanislav Minin fez um ótimo trabalho na partida entre Argentina e Jordânia (3:1) na terceira rodada. Mas muitos usuários não sabiam direito quem estava no ar: sob a transmissão ao vivo, um escreveu que “a voz parece a do Nobel, mas não é o Nobel”; outro (e um dos mais curtidos) elogiou, mas também sem citar o sobrenome.

Como assim?

Lembro bem que Minin foi um dos melhores já na Copa do Mundo de 2022. Ouvi várias vezes colegas o elogiando. Será que ele não é uma estrela apenas porque raramente comenta a liga nacional? E o que é, afinal, a natureza da estrelato?

Ontem ouvi novamente – e novamente fiquei impressionado. Que senso de ritmo, de momento, que estilo. Como ele gradualmente, como em uma narrativa, apresenta os heróis, sem sair da atmosfera do jogo, da trama, da emoção.

Veja só, Lo Celso marca – e eu descubro que ele não foi à Copa do Mundo anterior por causa de uma lesão. Que ele teve uma temporada conturbada. Vejo esse Lo Celso beijando o escudo e entendo o que significa para ele o primeiro gol em uma Copa. Vejo esse Lo Celso em todos os lugares – ora no ataque, ora no meio-campo, ora na defesa.

Enquanto a bola está longe do gol, ouço rapidamente que Dallas é uma cidade difícil para a Argentina. Foi lá que Maradona descobriu que havia doping em seu sangue. Mais tarde (sem seu líder), a Argentina de 94 foi eliminada. E começo a me preocupar com a noite – não pelo placar, mas pela aura de Dallas. Algo sombrio passou, assustando a sonolência.

Depois, vejo um jovem jordaniano no banco – Jamus. “Grande fã de Messi”. E então Jamus derruba Messi antes da falta.

As histórias dos heróis soam como um soco, onde o cenário é o jogo. E o jogo depois adiciona significados. Nessa fórmula, até um pequeno detalhe – em 10 segundos – envolve, se desenvolve e ganha vida própria na transmissão.

E há em Minin algo de poeta: pausas, entonação, ironia, concisão. O gol de Messi foi descrito assim: “Matemática, geometria e um pouco de magia”.

Um minuto antes da entrada de Messi: “Os jordanianos pareciam ter medo de que as coisas ficariam mais difíceis agora. E tentavam marcar mais um”. E eles realmente pareciam correr mais ativamente nesse momento. Marcaram assim que Messi apareceu na lateral.

Ou a descrição perfeita da Argentina em duas frases: “Não sabe o que fazer – passe a bola para Messi. Os argentinos, na verdade, sabem o que fazer”.

Uma sensação incrível de comentário como ofício e narrativa como criatividade, ao mesmo tempo. Com imersão na vida dos episódios, na mecânica do jogo. Mas tudo tão breve, preciso, como se fosse fácil e óbvio. Como se não houvesse nada mais a dizer. Com o senso de pausas – como um bom driblador. Com o senso do momento – como um bom distribuidor de jogo. Com o escaneamento do campo de significados – para onde o jogo pode se direcionar.

Léo Minin.

É claro que ainda é cedo para falar sobre isso – os playoffs estão pela frente, mas, por enquanto, para mim, Stanislav Minin é o principal candidato ao final da Copa do Mundo.

Sofia Ramos

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

Artigos relacionados

Um Comentário

  1. Porque um bom comentarista não é uma ‘estrela’. Geralmente, com raras exceções, um bom comentarista não chama a atenção do espectador para si, mantendo o foco no jogo. ‘Estrelas’ são Genich, Shnyakin, Cherdantsev e outros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo