Copa do Mundo 2026: como senti o fuso horário e estou curtindo os jogos noturnos

O paradoxo de Cherniavsky.
Antes do início da Copa do Mundo, todos discutiam que 48 equipes matariam o torneio. Uma das razões era a enorme quantidade de partidas: é impossível assistir a todas, especialmente considerando os jogos noturnos.

Eu decidi com antecedência que não assistiria aos jogos noturnos – todos entre 1h e 5h. A natureza do meu trabalho não envolve assistir ao futebol em detalhes – é muito mais importante estar em forma durante o dia e investigar o mistério das chuteiras rosas.
Além disso, há a família e a preparação para a maratona, que exige uma boa recuperação. Se eu ficar grudado na Copa do Mundo toda noite, tudo vai acabar em desastre. No trabalho, em casa e no esporte.
E desde a infância, sabe-se uma coisa sobre as Copas do Mundo: nem tudo na fase de grupos merece atenção, e a verdadeira disputa começa nas oitavas de final. Sim, lá também há jogos noturnos, mas não todos os dias. Nesse ritmo, será muito mais fácil.
Enfim, foi com esse estado de espírito que me envolvi nesta Copa do Mundo. E nem imaginava que estaria muito mais envolvido do que nas anteriores.
Em primeiro lugar, a Copa de 2026 é realmente interessante. Curaçau e Cabo Verde se mostraram adversários respeitáveis, e graças à sequência de jogos, somos entretidos um após o outro por Mbappé, Messi, Haaland, Ronaldo. Só a disputa pela artilharia já vale a pena!
Em segundo lugar, é impossível assistir com atenção a mais de dois ou três jogos por dia. No terceiro ou quarto, você fica cansado, distraído, começa a fazer suas coisas, mexer no telefone e acaba perdendo tudo.
Minha rotina para assistir à Copa de 2026 geralmente é assim: quase sempre pego dois jogos noturnos e também assisto obrigatoriamente aos jogos da manhã.

Pergunte qual é a graça, se você não vê metade dos jogos?
1. Começando pelo fato de que você passa a valorizar mais o jogo que está assistindo. Pode ser o único da noite – e você não quer perdê-lo. Você se envolve ao máximo.
2. Perder um jogo ao vivo não impede de ficar por dentro de tudo. Toda manhã, devoro os melhores momentos dos jogos que perdi. É um sentimento subestimado: ao acordar, você pensa nas notícias em primeiro lugar, mas sabe que elas serão agradáveis, independentemente do resultado. Se terminou 0:0: ufa, não perdi nada. Se foi um jogo cheio de acontecimentos: quem marcou, o que aconteceu, quais memes surgiram.
3. Outra coisa incomum e nova: você acorda no meio da noite e sempre tem alguém jogando. E você corre para ver o que está acontecendo no jogo entre Haiti e Escócia ou Irã e Nova Zelândia?! É como se você tivesse cochilado no meio de uma festa, mas acordado revigorado – e a festa ainda está a todo vapor.
4. Jogos às 7:00 são um prazer à parte. Você acorda com a cabeça fresca e pensamentos claros, e na TV está Austrália x Turquia ou Áustria x Jordânia. Em ambos, o futebol é vibrante. A sensação é até melhor do que assistir aos jogos do “Orenburg” ao meio-dia de sábado!
5. E acordar bem cedo para assistir ao futebol também é incrível: levantei às 5 da manhã para ver Uzbequistão x Colômbia. Silêncio, o amanhecer suave pela janela, todos dormindo, você toma café, se anima e se empolga com a pressão de Eldor Shomurodov. E Abbosbek Fayzullaev ainda marca de cabeça.

Fãs da NBA e da NHL podem até rir, mas para os espectadores do futebol, essa é uma experiência extremamente incomum.
Não tenho certeza se gostaria de viver assim para sempre, mas como diversão de verão, um campeonato mundial noturno é maravilhoso.
E ainda melhor é ficar até tarde em um bar e, por acaso, assistir a alguma partida noturna por lá.
Em 2025, após a “Corrida Noturna”, eu e meus amigos assistimos ao Mundial de Clubes de madrugada, e em 2026, o histórico Equador contra Curaçau às 3:00.
Quando isso vai acontecer novamente?




