Futebol

Como Ronaldo se recupera após fracassos – instruções de Cristiano

Compilado por Lyubov Kurcheva.

Cristiano Ronaldo teve uma semana louca.

Ele (e toda a Portugal) fracassou na partida de estreia da Copa do Mundo contra a estreante República Democrática do Congo, e algumas horas depois, Leo Messi marcou um hat-trick.

Kylian Mbappé e Erling Haaland já haviam marcado dois gols cada.

Enquanto isso, os especialistas atiravam em Ronaldo. “Se ele fosse um jogador de equipe, daria um passo para trás e permitiria que os jovens brilhassem. Portugal está melhor sem ele”, disse Kevin-Prince Boateng. E havia muuuitas opiniões assim.

Os adversários atacavam. “Ronaldo já não é o mesmo. Esperava talvez mais dele, mas é normal: ele ficou mais velho”, golpeou no ponto fraco Ngalaiel Mukau.

E não esquecemos do tsunami de ódio das redes sociais. Qualquer um seria completamente esmagado. Mas não Ronaldo.

No jogo seguinte, ele entra assim: aos 41 anos, faz dois gols no primeiro tempo e, entre os gols, elegantemente cede uma falta para Nuno Mendes. Grita para a câmera que está de volta.

E isso depois de uma semana em que o mundo inteiro discutiu seu ego, sua idade e seu declínio.

Como ele faz isso? Claro, não há uma resposta universal. As reações de Ronaldo são diversas, mas seguem uma lógica: não se pode ficar preso na derrota.

1. Transformar dúvida em combustível

Esse mecanismo já foi observado por Rio Ferdinand no “Man United”:

“Uma vez, ele driblou na lateral e não passou para Van Nistelrooy, que estava em boa posição. Ruud simplesmente perdeu a cabeça. Ele gritou: ‘Seu lugar é no circo, não no campo’. Ruud surtou e saiu do treino. E Ronaldo ficou chateado e irritado. Perguntou: ‘Por que ele fala comigo assim?’

Na época, Cristiano tinha 18 ou 19 anos, mas as emoções de uma grande estrela não o desorientaram. Pelo contrário, pareceram injustas.

Ferdinand diz que, naquela época, todos os pensamentos de Ronaldo giravam em torno de estatísticas, números e gols. Os companheiros ainda o provocavam. “Às vezes, até diziam a ele: ‘Você não é um verdadeiro número sete, pois há Best e Beckham’, lembrava Rio. – Era notável que ele pensava: ‘Como posso superá-los?’

Assim, cada desafio, mesmo o menor, se tornava combustível.

“É preciso usar as críticas e as experiências negativas como motivação”, refletiu Ronaldo para a Coach Magazine há dez anos. – Na verdade, eu preciso dos meus haters. Eles me ajudaram a conquistar tudo o que tenho.

2. Após um fracasso – não se afundar na reflexão e buscar um novo objetivo

Em 2022, Ronaldo vivenciou algo maior do que um simples fracasso. Em apenas um mês, ele:

● provocou um terrível conflito com o Manchester United;

● perdeu seu lugar no time titular de Portugal;

● teve um desempenho sem gols na Copa do Mundo;

● perdeu a última chance real (como parecia na época) de se tornar campeão mundial.

A cereja do bolo: o troféu dos sonhos foi levantado por Messi.

Depois disso, é fácil ficar preso a um sentimento de catástrofe. Mas, em vez de uma longa análise, Ronaldo mudou o foco e quase imediatamente partiu para a Arábia Saudita. Explicou a mudança drástica de contexto ao seu estilo:

– Meu trabalho na Europa está concluído. Joguei pelos melhores clubes do mundo e venci tudo. Agora, meu novo desafio é a Ásia.

De fora, parece um grande passo para o fim da carreira, mas Ronaldo está procurando um lugar onde ele possa definitivamente ser útil e vê um novo desafio. Mesmo que seja ilusório.

Essa abordagem não é um caso isolado, mas um padrão de carreira consistente.

Ainda em 2010, Ronaldo passou por uma seca de gols (acontecia) na seleção portuguesa – zero gols nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Na época, Cristiano insistiu que era temporário:

– Gols são como ketchup – disse ele à Sky. – Quando vierem, virão todos de uma vez.

3. A emoção não é bloqueada – ela é vivida

Ronaldo é muito emocional. As lágrimas após as derrotas são parte de sua imagem, presente ao longo de toda a carreira.

Na Euro 2024, Ronaldo chorou após perder um pênalti contra a Eslovênia, quando o placar estava 0:0.

“Somos humanos”, explicou Bernardo Silva em uma coletiva de imprensa após o jogo. “Ele sentiu emoções depois de falhar na cobrança. Ele chorou – é assim que as pessoas às vezes lidam com as emoções.”

Aliás, o erro no pênalti durante o jogo e as lágrimas que se seguiram não impediram Ronaldo de converter com precisão na série de pênaltis pós-jogo.

A psicologia esportiva descreve tais reações como uma forma de liberação emocional intensa: do pico de tensão, passando pela descarga, até a recuperação.

No caso de Ronaldo, após a recuperação, vem uma nova fase: voltar à ação, provar-se novamente.

4. Pressão – não é exceção, é a norma

Ronaldo é excepcionalmente resiliente sob pressão. Isso o acompanha durante toda a carreira. Os companheiros de equipe constantemente transmitem a mesma ideia: o barulho externo não afeta Cristiano.

Por exemplo, Diogo Dalot antes do jogo contra o Uzbequistão: “Todos sabem como Cristiano lida com as críticas. Isso faz parte da sua vida. A pressão é parte da competição nesse nível.”

Isso é confirmado até mesmo estatisticamente. Em 2019, a Universidade Católica de Lovaina e a empresa de análise SciSports analisaram minuto a minuto 7 mil partidas de diferentes equipes. Uma das principais conclusões: Ronaldo é “absolutamente resistente” à pressão. A qualidade de suas decisões não depende do cenário da partida. Sob pressão, ele não fica melhor ou pior – ela simplesmente não o afeta.

Uma vez, Ronaldo disse que sua maior força está na cabeça. É difícil discordar. Talvez ele seja o melhor do mundo em não permanecer na derrota por mais tempo do que ela dura.

Hoje vimos isso.

“Deus ajuda quem trabalha com dedicação”, disse Ronaldo após marcar dois gols contra o Uzbequistão. “A semana foi difícil e sombria: diziam que era hora de eu parar com o futebol. Mas eu me mantive firme, como sempre, porque acredito no trabalho árduo.

Devo admitir: foi difícil. Mas nós voltamos”.

Ângelo Almeida

João Pedro Silva é um renomado jornalista esportivo português, formado… More »

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2 Comentários

  1. Hoje muita coisa deu certo. Em alguns momentos, ele até jogou para o time (na pressão e nas recuperações de bola), e não apenas o time para ele.

  2. Este é o Uzbequistão. Lembro-me de como na Copa do Mundo de 2018 todos elogiaram Ronaldo, especialmente após o hat-trick contra a Espanha, mas ele fracassou na partida contra o Uruguai. Este time não é consistente, pessoalmente não vejo força nele, a França vai vencê-lo.

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