Cobranças de falta de Ronaldo – uma ciência – Folha seca

Diferente do que Messi ensina.

Na segunda-feira, Leo Messi estabeleceu vários recordes importantes.
Ao tentar compreendê-los, chegamos à conclusão: sua longevidade é um fenômeno de inteligência, e não de organismo. Em 20 anos, que separaram a primeira e a última Copa do Mundo, o argentino renasceu três vezes. Cada uma de suas encarnações respondeu ao máximo à idade e às habilidades. Aos 39 anos, ele se tornou um desafio aos princípios-chave da atualidade. Messi não faz mais o que fazia há 15 anos. Nem faz o que fazia no início dos anos 2020. Mas ele manteve a eficácia, aprendeu a estar sempre onde é necessário.
No jogo contra o Uzbequistão, o Ronaldo de 41 anos também estabeleceu vários recordes.
Também os reescreveu, oferecendo ao mundo um guia prático sobre finalizações.
Mas este guia é um pouco diferente do que Messi demonstrou.
Os movimentos feitos por Ronaldo antes dos gols, vimos ele executar mil vezes. O primeiro ele executou, mantendo-se no centro, bem próximo ao companheiro. Quando os portugueses partiram para o cruzamento, Cristiano combinou dois de seus movimentos favoritos: o deslocamento para a área próxima e a arrancada em antecipação – no espaço entre dois defensores, onde um se atrasaria e o outro não perceberia.

O fato de que, entre todos os portugueses na área, ele foi o único a notar a brecha na defesa e a aproveitar o momento exato para usá-la é característico. Isso demonstra por que Cristiano marcou mais gols do que seus contemporâneos. Eles viram o mesmo, mas alguns segundos depois.
Seu segundo gol é uma ciência que pode ser facilmente subestimada. À primeira vista, parece simples. Os portugueses cortaram a pressão, Bruno se aproximou pelo espaço vazio e passou na hora certa entre os defensores, enquanto Cristiano, correndo por trás, finalizou.
Mas, quando os portugueses ainda estavam superando a pressão, Ronaldo estava próximo ao defensor mais próximo – do mesmo lado da bola. E ele começou a se mover em direção ao lado oposto antes mesmo de Bruno receber o passe. No momento em que Vitinha passou para Félix, o atacante já havia antecipado que seria impossível não passar para Fernandes. Essencialmente, ele preparou a posição perfeita para o arranque por trás a 70 metros de distância antes que fosse necessária.
No print abaixo, Bruno já correu alguns metros, mas o deslocamento de Ronaldo ainda é notável – ele está em meia-posição.

Com esse movimento, Cristiano desorientou e prendeu os defensores, forçando-os a recuar sem tomar nenhuma ação, mas o principal – atacou pelo lado do zagueiro central adiantado. O defensor que ficou mais distante sempre se manteve mais recuado.

Ou seja, do lado que Ronaldo explorava, ele tinha vantagem: ele atacava a partir de um ponto cego do defensor, com alguns metros legais à frente. Se ele ficasse do outro lado, teria que ou se aproximar mais da linha de impedimento ou se tornar mais visível para quem poderia impedi-lo. Isso significa que Cristiano escolheria entre o risco de cair em impedimento e o risco de ser pego.

Ele criou uma situação em que não haveria escolha. E, lembro, previu isso a 70 metros do clímax. Considerando quem deu o passe, o mano a mano era inevitável.
Ronaldo não mudou, pelo menos, em comparação com sua última reinvenção no meio da década de 2010. Ele está pouco envolvido no jogo, mas capaz de influenciá-lo com seus movimentos. Ele os executa com a mesma inteligência e qualidade de antes: os mesmos arranques pelas costas, a materialização entre os defensores na área, as deliberadas demoras em impedimento.
O que mudou foi a idade e as possibilidades. Ronaldo não se adaptou a elas. Antes, ele fazia cinquenta movimentos assim por partida. Agora, uma dúzia. Mas, se Cristiano tem a chance de se movimentar, ele ainda é letal.





Oh, a reencarnação da famosa DUGI