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Cabo Verde – Arábia Saudita: resumo da partida do Campeonato Mundial de Futebol 2026 com vídeo, 27 de junho de 2026

Lenin do Krasnodar é o herói-chave.

A seleção de Cabo Verde está nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, e com total mérito.

Eles não perderam nenhum jogo na fase de grupos, embora em todos os confrontos fossem considerados azarões antes do início. Contra a Espanha e o Uruguai, especialmente. E agora a equipe avança para as oitavas de final, enquanto a mais experiente Arábia Saudita e o muito mais tradicional Uruguai estão definitivamente fora.

Como Cabo Verde conseguiu superar o Uruguai e a Arábia Saudita?

Nos apegamos rapidamente a Cabo Verde por seu estilo reconhecível. A equipe se mostrou eficiente em diferentes situações.

Quando era necessário defender a maior parte do tempo, o técnico Bubista organizou uma estrutura defensiva sólida: um esquema 4-1-4-1, onde o volante Kevin Lenini controla um enorme espaço no meio e cobre os companheiros em toda a largura. Quando necessário, Cabo Verde passava situacionalmente para uma linha de cinco defensores: os pontas recuavam (às vezes até os dois), Lenini ou um dos meias centrais.

Mesmo no formato defensivo, havia flexibilidade: não apenas bloqueavam todas as entradas na área, mas também pressionavam ativamente. Contra o Uruguai, quando o placar estava 1:2, mudaram para o 4-4-1-1 e sufocaram as jogadas do adversário perto do gol. Contra a Arábia Saudita, já no habitual 4-1-4-1, recuperaram a bola em posições avançadas várias vezes ou dificultaram muito o progresso do oponente.

No ataque, Cabo Verde não recorreu a lançamentos longos para o centroavante, mantendo o controle da bola mesmo contra o agressivo Uruguai.

A Arábia Saudita enfrentou uma posse de bola mais dominante (51%) e nem sempre conseguiu lidar com as combinações. Várias vezes, exploraram o espaço entre as linhas, e as jogadas preferidas foram os ataques pelas alas, com os pontas ativos Willy Semedo e Ryan Mendes avançando em direção à área e recuando levemente (a execução deixou a desejar, mas a ideia foi interessante).

Leandro era novamente um jogador-chave: transferia a bola para o outro lado do campo, avançava o ataque ou controlava a posse. Quando necessário, recuava para os zagueiros e formava um trio na primeira linha.

Há dois pontos negativos: a finalização dos ataques (falta habilidade e calma na decisão final) e os passes por trás da defesa (às vezes, os adversários surpreendiam a defesa desorganizada).

E mesmo no formato anterior da Copa do Mundo, o estilo de Cabo Verde traria sucesso

Há dois argumentos claros.

Primeiro, o nível dos adversários: Cabo Verde enfrentou dois claros favoritos (Espanha e Uruguai) e uma equipe mediana, mas claramente não acidental para a Copa do Mundo, com a Arábia Saudita classificando-se para o terceiro torneio consecutivo. Um grupo semelhante poderia ter ocorrido mesmo com 32 participantes.

Em segundo lugar, a força de Cabo Verde. Os resultados são naturais: houve um pouco de sorte contra a Espanha, mas, no geral, a equipe pareceu coesa. Eles não se destacaram apenas em momentos específicos, mas confirmaram sua qualidade ao longo de quase toda a distância.

Cabo Verde tem potencial para os playoffs? Quais são as chances contra a Argentina?

Nos playoffs, provavelmente veremos apenas um estilo de jogo de Cabo Verde: defesa profunda e contra-ataques. Porque eles enfrentarão a Argentina.

A favor de Cabo Verde está sua estrutura sólida sem a bola, a boa forma de Lenin e um grupo de ataque móvel para contra-ataques rápidos. Até mesmo a Espanha e o Uruguai enfrentaram problemas contra seu esquema flexível de 4-1-4-1. Todos os caminhos para a área foram bloqueados, e quase não sobrou espaço pelas alas.

Lenin é o cérebro da equipe: avança com a bola, cobre os companheiros quase em todos os lugares e, ocasionalmente, recua para a defesa. Se mantiver o ritmo atual, há um pouco mais de chance de um bom desempenho nos playoffs.

Os contra-ataques rápidos contra a Espanha não funcionaram (muita energia foi gasta na defesa), mas, no final do jogo contra a Arábia Saudita, eles deram uma amostra de como podem incomodar até mesmo a Argentina. Nuno da Costa e Garry Rodrigues, bem descansados, criaram oportunidades sem pressão e quase garantiram a vitória.

Sem sorte e sem uma nova supermatch do goleiro Vozinha, é claro, dificilmente algo dará certo, afinal, a Argentina é significativamente mais forte. As chances são objetivamente poucas, e só aumentarão se o ataque argentino tiver um mau desempenho e todos os fatores coincidirem a favor da própria seleção de Cabo Verde.

Como Cabo Verde conseguiu criar um sistema assim?

Pelo nome, a seleção de Cabo Verde não é tão brilhante quanto outras africanas. Mas a fórmula “base forte + trabalho em equipe poderoso” funcionou: alguns jogadores de ligas europeias em um sistema bem ajustado deram resultado.

O meio-campo, em particular, parece muito sólido: o volante Lenini, da RPL, os meias Jamiro (“Zwolle”), Laros e Deroy Duarte (ex-jogadores do “Groningen” e “Fortuna” da Holanda).

Também se destacam os atacantes Dailon Livramento, com experiência na Série A pelo “Verona”, e o veterano de 35 anos Nuno da Costa, do “Istanbul” da Turquia.

O técnico Bubista os integrou inteligentemente nos mecanismos gerais. Por exemplo, a dupla de zagueiros Diney e Roberto Lopes – longe de serem estrelas, mas tiveram um desempenho muito forte na fase de grupos.

Agora, vem o teste contra os campeões mundiais.

Yara Brito

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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