Futebol

Seleção do Uzbequistão é eliminada da Copa do Mundo de 2026 – reportagem de Atlanta

Minha alma chora.

Founders Green Park abriu em Atlanta recentemente – durante setenta anos, aqui era um estacionamento, mas desde maio, startups e freelancers trabalham ao ar livre, famílias fazem piqueniques na grama e assistem a filmes em uma tela LED gigante. Porém, no sábado, o Founders Green Park tem uma atmosfera de casamento samarcandês.

– Frutas secas e nozes diretamente do Uzbequistão? – pergunto ao senhor responsável pelas delícias.

Em resposta, ouço com convicção:

– Claro, irmão.

A alguns metros de distância, estão preparando plov.

De onde ele vem, nem pergunto – aproximo-me do palco, onde o apresentador expressa um agradecimento especial aos torcedores que vieram apoiar o Uzbequistão do Cazaquistão e do Quirguistão. E não só. Ouço:

– Uma grande salva de palmas para os nossos torcedores da Buriátia!

Surpreendo-me e acrescento:

– Toda a Rússia está com vocês.

Falo baixinho, certamente mais baixo do que a pessoa com o microfone, mas o suficiente para que dois homens com camisas azuis da seleção do Uzbequistão se virem e acenem em agradecimento.

Depois, a música começa – todos dançam.

Se divertem como se tivessem uma reserva – para o caso de não haver motivo após o jogo.

Depois aparece uma enorme bandeira do Uzbequistão – balançada por crianças e idosos.

Entre os torcedores da seleção do Uzbequistão, policiais caminham com autoridade e posam para fotos com quem deseja.

Todo esse otimismo, após cinco ou seis horas, no primeiro tempo do jogo contra a RD Congo, parece absolutamente justificado. Shomurodov abre o placar de forma impressionante, e as tentativas de Fabio Cannavaro de “estacionar o ônibus” acabam se frustrando devido à baixa qualidade dos passes na saída de pressão. Além disso, no segundo tempo, os meio-campistas do Uzbequistão se desgastaram novamente, começaram a atrasar nas transições, e a defesa foi sobrecarregada, algo com que ela não conseguiu lidar mais uma vez. Yoane Wissa é mais forte e rápido, o que garantiu a vitória da RD Congo.

Depois do jogo, vou do estádio para o mesmo parque onde estive durante o dia e, no caminho, me igualo a três rapazes enrolados em bandeiras do Uzbequistão.

– O que estão sentindo agora?

– É triste, irmão.

– Marcamos contra a Colômbia, estávamos na frente hoje. Parecia que jogamos para quatro pontos, mas no final, nenhum.

– Sim, irmão, é triste.

Fico feliz com a profundidade da conversa e tento aproveitar o momento. Só preciso pensar em uma pergunta inofensiva.

– Quais são as emoções – estão chateados pela eliminação ou felizes por terem assistido a três jogos da Copa do Mundo?

– A dois, irmão. Três é caro. Não fomos ao México, só aqui.

– E vocês são da América?

– Estado de Illinois, irmão.

– O que fazemos com o Cannavaro? Tchao?

– Sim, sem ele era melhor. O que nos torna piores que Cabo Verde? Também poderíamos ter avançado [para as oitavas de final].

Por volta das dez da noite, chegamos ao Founders Green Park, mas lá novamente a maioria são americanos descansando e apenas alguns uzbeques jogando uma espécie de sereso. Infelizmente, a festa do futebol para o Uzbequistão acabou. Felizmente, eles a tiveram.

Foto: Denis Romantsov.

Yara Brito

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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