Retorno da Argentina: genialidade de Messi e substituições precisas de Scaloni

E um grande obrigado ao ônibus de Tuchel.

Scaloni e Messi fizeram isso de novo. Viraram o jogo mais uma vez, quando já davam a Argentina como derrotada. Como eles conseguiram mais um retorno?
Então, aos 55 minutos, a Inglaterra assumiu a liderança e, imediatamente, recuou: no tempo restante, sua posse de bola mal passou de 21%.
Scaloni reagiu com a entrada de Nico González (corridas pelas costas, espaço, ataque à trave distante) no lugar do volante Paredes. Ele causou algum desconforto aos ingleses.
Aos 72 minutos, ambos os treinadores fizeram substituições significativas. E foram elas que definiram o desfecho.
Tuchel colocou o zagueiro Ezri Konsa no lugar do ponta Anthony Gordon, fechando-se em um 5-3-2 sem possibilidade de contra-atacar.
Scaloni revitalizou o flanco direito. De Paul substituiu Simeone, Montiel entrou no lugar de Molina. Além disso, Nicolás Otamendi entrou na vaga de Lisandro Martínez. Para alguns, isso deve ter parecido absurdo: quem substitui zagueiros a 18 minutos de ser eliminado do torneio? Mas o treinador removeu o cartão amarelo do centro da defesa, adicionou pernas frescas para conter contra-ataques e reforçou o lado direito com jogadores descansados.

Isso aconteceu no mesmo momento em que os ingleses, ao mudarem para o 5-3-2, deram mais espaço justamente pelas alas.
Além disso, se fecharam em um ônibus inimaginável. Do 72º minuto até o segundo gol sofrido – ou seja, cerca de 20 minutos –, a posse de bola dos ingleses foi de 7%. Tenho certeza de que, nesse nível, isso é inédito. Não tenho certeza se algo assim já aconteceu alguma vez.
Então, diante de Scaloni e Messi, estavam:
a) uma equipe que esqueceu os contra-ataques;
b) alas desguarnecidas.
Scaloni avançou mais jogadores para a área e para a zona de recuperação.
Messi viu a vulnerabilidade e se deslocou quase definitivamente para a direita. Nos primeiros 72 minutos, ele teve 13 toques na bola pela ala; a partir do 73º minuto, 14. Montiel e De Paul, com pernas frescas, cobriam a ala em caso de perda e, ao mesmo tempo, apoiavam Leo com movimentações.
Os ingleses davam a Messi tempo suficiente para fazer passes (isso por si só já é uma receita para uma reviravolta), e quando dobravam a marcação, perdiam os argentinos em outras zonas. Enzo ganhava mais espaço na frente da área, e Mac Allister invadia a área com mais liberdade.
Scaloni, avaliando que não havia o que temer da Inglaterra, fez a última substituição decisiva: colocou Lautaro com seu movimento na área e seu salto de basquete, e ainda tirou um zagueiro. Tagliafico foi para o banco, e a ala esquerda foi ocupada pelo ponta Nico González.
Entendo aqueles que não conseguiram aproveitar totalmente o jogo (parece que, nos primeiros 30 minutos, até estabeleceram algum tipo de recorde de esterilidade). Mas taticamente, este foi um dos jogos mais ricos do torneio.




Essas substituições me lembraram da final da Liga dos Campeões de 2006, quando Frank Rijkaard arriscou tudo e apostou no ataque, e deu certo. Mas… o Arsenal de Wenger estava jogando com um a menos, então a situação era um pouco diferente.
Recuar completamente para a defesa, liderando por um gol, contra um time que já se recuperou várias vezes só neste campeonato, é algo totalmente errado do Tuchel.
Ele já fez isso com o Bayern contra o Madrid. Parecia que tinham aberto o placar, recuado para a defesa e levado dois gols do Joselu nos minutos finais.
Eles sempre fazem isso. Funcionou contra o México em desvantagem numérica. E contra os noruegueses, também colocou o Bern e seis jogadores na área contra cruzamentos, mas os noruegueses, por algum motivo, não chutaram de fora da área – só cruzamentos que não levaram a nada. A Argentina começou a cruzar e criar chances – Tuchel colocou o Bern como de costume, mas a Argentina imediatamente começou a chutar de fora da área – primeiro Pickford defendeu debaixo da trave, e depois marcaram no segundo chute de uma posição livre, e tudo mudou. Então eu destacaria os argentinos, eles estavam preparados, sabiam o que o Tuchel faria e isso trouxe resultados rapidamente.
Bem, sejamos honestos – o Arsenal se saiu muito bem com 10 jogadores. Henry teve uma boa chance de marcar.
Absolutamente correto, ele estava correndo para áreas virgens e desertas, livres de defensores do Barcelona))) todos correram para marcar.
Faltam palavras para descrever o quão grande é esse jogador. Independentemente da final.
Tuchel, claro, falhou feio. Faz tempo que não via uma retranca tão vergonhosa.
Se não fosse o ônibus do Tuchel, teriam sido derrotados muito mais rápido, e não depois dos 85 minutos. Ao reforçar a defesa, Tuchel esperava neutralizar esse rolo compressor desenfreado. Quando o adversário ataca no octógono com fúria desenfreada, não há espaço para sentimentalismos, é preciso se defender com os métodos mais primitivos. A Inglaterra seguraria a bola, atacaria, mas veja só, o Tuchel os obrigou a recuar para a defesa, ahah. E daí que o Tuchel simplesmente agiu de acordo com a situação? Defender-se de um bando de cães não em campo aberto, mas tentar se trancar em um celeiro. A Inglaterra não é adversária para essa Argentina, defender-se com o que for possível não é capricho do Tuchel, mas uma tentativa de salvar a situação. De qualquer forma, a Inglaterra perdeu a bola depois de meia hora de jogo, o gol do Gordon foi um acaso.
Concordo plenamente. É forte, as pessoas realmente acham que os jogadores britânicos são mais talentosos e melhores que os argentinos.
Interessante saber quem, ao longo da temporada, é mais forte entre os argentinos e os ingleses. Sem considerar um jogo específico?