Futebol

Plano de Koeman é covardia. Marrocos avançou com mérito – não foi sorte

Pensamentos de Andrei Savin.

O Marrocos perdia para a Holanda até o minuto 90, mas conseguiu a vitória nos pênaltis e avançou para as oitavas de final da Copa do Mundo. Este resultado é justo: a Holanda não merecia seguir em frente devido ao seu jogo covarde. O principal responsável pela eliminação é Ronald Koeman.

Precaução de Koeman condenou a Holanda à esterilidade e a nós ao tédio

A Holanda oscila entre a excessiva cautela de Koeman e o ousado potencial dos jogadores. O conteúdo das partidas depende de para qual lado a balança pende. Desta vez, prevaleceu o medo de Ronald, o que afetou negativamente o brilho do jogo.

Talvez tenhamos assistido a uma das partidas mais fechadas desta fase do mata-mata. Em 90 minutos, as duas equipes juntas não alcançaram nem um xG. A Holanda conseguiu apenas 0,24 xG, 6 chutes (4 da área) e 16 toques na área adversária. O Marrocos foi mais agudo: 0,65 xG no tempo normal, 10 chutes (6 da área) e 15 toques na área. Em chances claras, vantagem também para os marroquinos: 1 a 3.

O fator-chave da escassez (não de gols, mas de busca constante por oportunidades) foram as mudanças táticas de Koeman em comparação com a fase de grupos. Na fase de grupos, a Holanda usou o 4-3-3 como base. Contra o Marrocos, Koeman adotou o 3-4-3, que se transformava em um compacto 5-4-1 na defesa. Vale destacar que a Holanda já havia usado uma linha de cinco defensores antes, mas de forma situacional. O terceiro zagueiro podia ser Frenkie de Jong, recuando para a linha, semelhante ao que os volantes fazem na seleção russa de Valery Karpin. Contra o Marrocos, Koeman usou uma trinca de zagueiros especializados: Jan-Paul van Hecke, Virgil van Dijk e Nathan Aké.

A principal crítica a Koeman é a esterilidade total, provocada por dois detalhes táticos.

Primeiro, a posição baixa do lateral-direito Denzel Dumfries até a primeira pausa para hidratação. No início, ele até ficou mais recuado que o zagueiro central Micki van de Ven, que atua no flanco oposto. Além disso, Dumfries tinha espaços para avanços, já que o ponta Crysencio Summerville se movia para o meio e abria a largura do campo.

Não é a primeira vez neste Mundial que Koeman limita o potencial de um lateral extremamente ofensivo. Ele cometeu um erro semelhante contra o Japão, mas se corrigiu nos jogos seguintes. Por exemplo, contra a Suécia, Dumfries atuou em sua posição habitual, e suas subidas resultaram em duas assistências – para o gol da vitória e, essencialmente, para o gol que selou o jogo. Não está claro por que Koeman voltou a uma distribuição de papéis desconfortável (mesmo que apenas nos primeiros 20 minutos ou mais). Provavelmente, Ronald temia ameaças em contra-ataques.

Após a pausa para hidratação, a situação melhorou. Dumfries passou a avançar mais e a se posicionar na última linha, mas suas subidas não representavam nenhuma ameaça. Sinais de perigo surgiam apenas após participações esporádicas em segundo tempo, que provocavam o caos na defesa do Marrocos, com desarmes e recuperações de bola pela Holanda no campo adversário e novos lançamentos.

Em segundo lugar, Koeman adotou uma linha de três zagueiros e atribuiu o papel de lateral-esquerdo a outro zagueiro central – Van de Ven. Para isso, Ronald até removeu um meio-campista adicional do centro do campo. A vítima foi Tijjani Reijnders. A explicação é simples: Koeman se precavia contra o flanco direito do Marrocos, onde os perigosos Achraf Hakimi e Brahim Díaz atuavam. Do ponto de vista defensivo, a jogada não pode ser considerada bem-sucedida. A Holanda não permitiu muitas chances, mas quase todos os principais lances do Marrocos no tempo normal estavam relacionados justamente com Hakimi. Ele chutou perigosamente da entrada da área no primeiro tempo, acertou a trave e teve uma oportunidade cara a cara no segundo.

Mais importante ainda, a estratégia de Koeman sufocou completamente o ataque holandês. Van de Ven ora se posicionava na largura, ora subia alto em meia-ala, mas sem eficácia. Cody Gakpo se adaptou às rotações e perdeu suas isoladas preferidas. O avanço pelo meio também não funcionou: o Marrocos bloqueou o centro, e os zagueiros centrais van Hecke e Aké se cobriram, sem progredir quando havia espaço. Os lançamentos para o atacante Brian Brobbey também não surtiram efeito – ele foi facilmente neutralizado pelos zagueiros centrais marroquinos.

No final, temendo contra-ataques, os zagueiros centrais e a dupla de volantes De Jong – Ryan Gravenberch trocavam passes estéreis na defesa, enquanto todo o ataque estava isolado.

O Marrocos também foi cauteloso – especialmente no primeiro tempo

No primeiro tempo, em contraste com a Holanda, o Marrocos pareceu muito mais convincente: duas bolas paradas perigosas e algumas investidas rápidas. No entanto, no geral, também jogou com cautela. A Holanda se organizava em um compacto 5-4-1 e enfrentava o bloco médio com toda a equipe atrás da linha da bola. Era difícil penetrar. No Marrocos, os responsáveis pelo avanço eram os zagueiros centrais, o lateral-esquerdo Noussair Mazraoui e o volante Ayoub El Khaliqi (equilibrado em seu estilo, ele precisa de motivos sérios para arriscar). Frequentemente, El Yamiq ou Amrabat recuavam para ajudar. Isso resultava em divisões: 5 jogadores na própria metade com a bola diante de toda a equipe da Holanda, e 5 buscando espaços na metade adversária.

No segundo tempo, o Marrocos corrigiu esse problema. Primeiro, a Holanda caiu de rendimento (de 50% de posse de bola no primeiro tempo para 21%). Segundo, as rotações do Marrocos começaram a funcionar. Dias se movia pela largura e pelo centro, Ounahi e El Yamiq iniciavam na contenção e depois apareciam em todos os lugares: pelas alas, entre as linhas, na profundidade. Terceiro, as incursões de Hakimi pelo centro e os arranques pelas costas desorganizaram a estrutura holandesa.

O lance na trave veio após Hakimi primeiro participar de uma jogada na profundidade como volante, depois se abrir pelas costas na largura (o passe de Ounahi não funcionou), e após a recuperação, o Marrocos voltou ao centro e Hakimi se desvencilhou de Aké.

Partida muito útil de Saibari

Saibari não é um centroavante de origem, na seleção ele atua como falso 9. Ismaël não está preso à posição: atrai os zagueiros para o fundo, recua para as alas e parte por trás. Contra a Holanda, Saibari se movimentou de forma interessante nos espaços entre os zagueiros centrais. Concentrou-se principalmente na ala esquerda: ou mergulhava na zona entre Van Hecke e Dumfries para receber passes em profundidade do centro, ou aproveitava a posição avançada de Dumfries no ataque e se abria pela esquerda em contra-ataques rápidos.

Mas poderia ter feito um truque semelhante pela direita.

No primeiro tempo, as jogadas ofensivas careceram de qualidade na fase final. Saibari recebia mal a bola ou a perdia no drible. No segundo tempo, Ismaël acrescentou: aos 60 minutos, fez um ótimo movimento na meia-lua, driblou Van Hecke com um toque por cima, entrou na área e cruzou (conquistou um escanteio). Mais uma vez, jogou com antecipação de forma brilhante.

Após a saída do centroavante, Soufiane Raïm, Saîbary se reposicionou como um ponta. Assim, criou uma grande chance no tempo extra: recuou, recebeu o passe de Shamsdine Talbi no espaço entre Van Hecke e Van Dijk, e deixou Raïm em condição de finalizar. O Marrocos poderia ter encerrado o jogo naquele momento, mas os holandeses foram salvos por Bart Verbruggen.

E Saiss converteu o pênalti decisivo na série. Além disso, no 120º minuto, ele sofreu um corte na sobrancelha, e o técnico Mohamed Ouahbi planejava substituí-lo. Saiss se recusou a sair – e não foi em vão.

As substituições do Marrocos poderiam ter garantido a vitória ainda na prorrogação – Koeman também perdeu aqui

Outra crítica a Koeman – as substituições. Todas foram defensivas: Wout Weghorst no lugar de Brobbey, o meio-campista Teun Koopmeiners, que entrou na zaga no lugar de Aké, e os defensivos Quinten Timber e Marten de Roon no lugar de De Jong e Gravenberch.

Koeman planejava segurar o 1:0, mas sofreu o gol no final e continuou jogando para manter o resultado na prorrogação. No final, em 30 minutos, a posse de bola caiu para 17%, a Holanda não chegou ao gol adversário nenhuma vez e se defendeu com todo o time em seu próprio campo.

Outro detalhe importante – a escolha dos batedores de pênalti. Dos cinco que bateram pela Holanda, quatro eram jogadores que entraram como substitutos. Dois deles – Timber e Justin Kluivert – desperdiçaram suas cobranças.

A eliminação da Holanda é um fracasso de Koeman. Ele tinha razão em temer os ataques do Marrocos e Hakimi, mas, em vez de movimentos bem pensados para neutralizar os pontos fortes do adversário, ele se prendeu a um plano covarde, junto com a equipe. O Marrocos puniu – e com justiça.

Victória Simões

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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Um Comentário

  1. Assisti de manhã sem saber o placar
    O que dizer, Marrocos foi melhor e mereceu a vitória. Seria incrível se o campeão da África se tornasse também o campeão do mundo

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