Não sabe como criar oportunidades? Seja como os EUA! – BLUES

Ilya Vasilyev – sobre os arranques para trás.
Você também acha que algumas seleções faltam movimento? Ilya Vasilyev analisa o truque do técnico da seleção dos EUA, Mauricio Pochettino, que resolveu o problema da posse de bola estéril.
O que decepcionou Espanha e Portugal?
Pela troca de passes monótona contra adversários organizados.
O mapa de passes confirma que Espanha e Portugal tiveram posse de bola no meio-campo, utilizaram mínimamente os pontas, jogaram para os lados, e não para frente. A Espanha ainda criou algumas chances claras contra Cabo Verde (0:0), mas Portugal até perdeu para a RD Congo em finalizações, 7:8 (1:1).

Eis o que influenciou o jogo monótono entre Espanha e Portugal:
1. Ausência de pontas capazes de decidir em jogadas individuais
Na Espanha, os laterais Mark Cucurella e Marcos Llorente avançaram bastante (os pontas Nico Williams e Lamine Yamal ainda não estão prontos para 90 minutos), mas lhes faltava habilidade. Em Portugal, Roberto Martínez colocou o driblador Rafael Leão em campo apenas minutos antes do apito final.
2. Muitos meias de contenção.
A eles se somaram os pontas, também focados em manter a posse de bola em vez de driblar: Gavi, da Espanha, saía da esquerda para o centro, e Bernardo Silva, de Portugal, fazia o mesmo pela direita.
O exemplo de Portugal é particularmente marcante. Os meias Fernandes e Silva, excelentes passadores, estavam próximos ao centroavante Cristiano Ronaldo, embora suas melhores qualidades se destaquem quando atuam mais recuados e entre as linhas.
3. Substituições pouco eficazes do técnico da Espanha, Luis de la Fuente.
Acreditava que a Espanha superaria Cabo Verde no ritmo habitual, por isso demorou a fazer alterações e se recusou a simplificar o jogo com um atacante potente como Borja Iglesias.

4. Medo de contra-ataques.
Ambas as seleções calculavam cada passo para minimizar riscos.
5. Cabo Verde e RD Congo estavam dispostos a suportar.
Congestionavam o meio-campo (Cabo Verde no 4-5-1, RD Congo no 5-3-2), lutavam e aproveitavam a relutância em jogar verticalmente.
Conclusão: Espanha e Portugal jogaram de forma lógica, seguindo sua filosofia conhecida, mas faltou variedade. Por isso, os favoritos pareciam apagados.
Embora a Espanha tivesse uma solução
Eram as arrancadas do lateral-esquerdo Cucurella.
Com elas, a equipe avançava em direção ao gol de Cabo Verde e acelerava o jogo. As corridas também funcionavam como elemento surpresa – em vez de trocar passes longe do gol, os defensores reagiam a um adversário próximo. O controle da Espanha no meio-campo dava conforto aos defensores rivais: vendo os oponentes à frente, eles apenas observavam e se posicionavam quando necessário, mas, com passes por trás, tinham que se virar, correr em direção ao gol e marcar de forma caótica.
Neste exemplo, o zagueiro central Aymeric Laporte viu Fabian Ruiz abrir espaço e atrair um meio-campista extra, enquanto Cucurella correu para a linha de fundo. Resultado: o lateral-esquerdo da Espanha recebeu a bola na entrada da área e recuou para o chute.

Após 10 minutos, Cucurella encontrou o volante Rodri, e a área estava bem ocupada por Gavi, Ferran Torres e Mikel Oyarzabal (com Pedri também avançando). Todos em boa posição e sem marcação apertada. No final, Torres não acertou o gol vazio, e Oyarzabal finalizou com perigo no rebote.

No segundo turno contra a Arábia Saudita, a Espanha foi além: Alex Baena se tornou o ponta-esquerda no lugar de Gavi, que foi para o meio. Ele manteve a largura de forma disciplinada, chutou, cruzou e percebeu as aberturas de Cucurella à frente – essa ideia renovou a Espanha.
EUA contra Paraguai – exemplo de arrancadas perigosas
A equipe de Pochettino foi uma das melhores no primeiro turno. Os EUA enfrentaram o Paraguai, uma equipe defensiva e organizada. Mas, graças à boa preparação e à execução de classe, dominaram ainda no primeiro tempo.

Arranques – elemento crucial. Aqui estão os detalhes principais:
1. Os EUA não lançavam a bola para trás de forma descuidada, mas preparavam cuidadosamente as jogadas. Quando atacavam de sua própria metade, os jogadores rápidos avançavam, enquanto os companheiros se posicionavam para rebotes ou passes de volta. Assim, os americanos entravam rapidamente na área penal ou empurravam o Paraguai para trás, desenvolvendo em seguida ataques posicionais.
Dois exemplos diferentes.
Este é um lançamento comum da defesa para o meio-campista Weston McKennie. O centroavante Balogun esperava o passe dele. Resultado: um passe de cabeça para o primeiro chute a gol da partida.

E aqui já temos a posse posicional: os meio-campistas Tillman e McKennie invadiram com facilidade a zona esticada do Paraguai. No final, Malik devolveu elegantemente o passe de calcanhar, Weston recebeu na área e a defesa paraguaia se desestruturou.

2. Pochettino escolheu os jogadores ideais. É difícil marcar gols sem jogadores em movimento, por isso os EUA contaram com o rápido e habilidoso Pulisic, o atacante móvel Folarin Balogun e o forte e técnico Weston McKennie.
Foi justamente a velocidade e o momento certo do arranque que permitiram a Pulisic se livrar do zagueiro do Dinamo, Juan Caseres. Balogun se posicionou muito bem e marcou de uma área livre. Além disso, o compacto 4-4-2 se esticou bastante: o atacante teve muito tempo para receber e finalizar.

3. Os americanos trabalharam habilmente com o espaço. O lateral-direito Sergiño Dest intencionalmente se movia para o centro, atraindo o zagueiro adversário, para que McKennie pudesse fazer corridas pelo seu flanco. Isso confundia o Paraguai e facilitava os cruzamentos. Já pela esquerda, Pulisic partia para o drible, recebendo a bola em situações de um contra um, ou também atraía o marcador para abrir espaço para as arrancadas de Weston.
Assim, os EUA se tornaram uma equipe de constantes movimentações, com os jogadores sempre buscando e encontrando parceiros que se infiltravam. Por exemplo, neste lance, Dest poderia ter tentado o drible, mas percebeu a corrida titânica de McKennie vindo de trás e o recompensou com um passe.

Combinações dos EUA funcionaram também contra a Austrália
Gol contra de Cameron Burgess – consequência da corrida do atacante Balogun.
Os EUA aproveitaram a pressão irregular da Austrália: Matthew Leckie e Jacob Italiano não conseguiram marcar Tim Ream e Robinson.

A confusão entre Lecky e Italiano permitiu que o lateral-esquerdo Robinson lançasse Balogun pela ala. O atacante dos EUA ficou cara a cara com o zagueiro central direito Alessandro Circarti, de quem escapou com facilidade. A Austrália perdeu a estrutura defensiva, e a defesa caótica resultou em um gol contra.

Aqui estão mais algumas equipes com jogadas incríveis – fique de olho nelas
● Suécia.
O técnico Graham Potter magicamente uniu os atacantes Viktor Gyökeres e Alexander Isak. Sim, a magia aconteceu contra um Tunísia desorganizado, mas as corridas impressionaram, assim como a saída de pressão, os cruzamentos na área em ataques posicionados e a velocidade pelas alas. Contra a Holanda não foi ruim, mas a Suécia pecou na finalização.
O melhor exemplo é o primeiro gol contra a Tunísia. Isak avançou, e os companheiros aproveitaram o caos criado: o atacante Gyökeres chutou sem interferência dos defensores, e o volante Yasin Ayari explorou o espaço entre meio-campo e defesa.

● Suíça.
Na primeira rodada, deixou uma impressão confusa devido à vitória perdida contra o Catar (1:1), na segunda, lutou muito contra a Bósnia, decidindo o resultado apenas após o 70º minuto (4:1). No entanto, a Suíça sabe fazer muitas coisas, incluindo usar o porte físico do atacante Breel Embolo (ele atraía a atenção, os companheiros se abriam ao lado – assim ganharam o pênalti contra o Catar) e as arrancadas dos laterais para cruzamentos.

Arranques pelas costas indiretamente ajudaram a superar a Bósnia – por exemplo, a corrida de Embolo resultou na expulsão de Tarik Muharemović.
● Colômbia.
A equipe de Néstor Lorenzo aproveitou a formação dispersa do 5-4-1 do Uzbequistão, sem pressão sobre os portadores da bola. Jogo entre linhas – excelente. Elemento adicional – lançamentos, jogo pelas alas, passes em profundidade. Tudo funcionou perfeitamente quando Díaz cruzou de forma imprevisível para o primeiro gol – os defensores tiveram dificuldade para marcar Muñoz devido à corrida diagonal.

Claro, apenas passes por trás das costas não são suficientes. São necessários executores adequados e uma boa preparação para não perder a posse de bola desnecessariamente. Mas, definitivamente, este é o elemento tático mais marcante deste torneio.




