‘Morrer e ressuscitar em campo é algo que temos que fazer’. Como a Argentina conseguiu – Cozinha da Alma

Egito em fúria: “O árbitro estava contra nós desde o primeiro minuto”.

Para muitos torcedores argentinos, é tradição vestir uma camisa da seleção (branca e azul ou azul-escuro) e amarrar outra em volta do pescoço.
Após o primeiro gol de Zico, o argentino que estava na minha frente tirou a camisa do pescoço e a pressionou contra o rosto, escondendo as lágrimas, e quando o gol egípcio foi anulado, começou a beijar a mesma camisa com o número dez.
Scaloni, ainda com o placar em 0:1 (reagindo, claramente, ao gol anulado do Egito), substituiu Rodrigo de Paul e Nicolás Tagliafico, colocando Lautaro Martínez e Nicolás González em campo.
A Argentina adotou um esquema super ofensivo com três atacantes, o que inicialmente resultou em 0:2.
Apesar do choque, os campeões mundiais não entraram em pânico, aumentaram o ritmo e pressionaram o Egito na área defensiva.
Em vez de manter a posse de bola no meio-campo, a Argentina passou a utilizar mais as alas, onde Messi se deslocava para criar superioridade numérica.
O ritmo superagressivo dos ataques pelas alas coincidiu com a queda física dos laterais egípcios (Hany e Hafez), que nos últimos 15 minutos não conseguiam acompanhar os movimentos dos adversários.
A substituição de Nahuel Molina por Gonzalo Montiel aos 72 minutos trouxe mais frescor e agressividade para a Argentina na ala direita.
Os argentinos atacaram metodicamente o lado esquerdo da defesa egípcia, o que resultou no gol de Cristian Romero aos 79 minutos, após um cruzamento de Messi. Já aos 83 minutos, o próprio Leo igualou o placar.
O ápice da pressão da Argentina – o gol de Enzo Fernandes, que foi consequência da zona de meio-campo do Egito começar a deixar espaços livres na frente da área, devido ao deslocamento do foco defensivo para as alas.
Quando o placar estava 3:2, começou ao meu redor, eu diria, uma loucura racional: os argentinos se banhavam com as bebidas compradas no intervalo, abraçavam uns aos outros, jornalistas e seguranças (só não os egípcios). “Desculpa, desculpa! – gritou no meu ouvido um argentino magro de aparelho, derramando uma taça de cerveja em mim. – Tudo bem? Obrigado!”
“Cara, transformamos Atlanta em Buenos Aires! – disse após o jogo o morador local Thomas, que veio aos EUA de Córdoba. – Tomamos a cidade três horas antes da partida. Todo o Piedmont Park estava azul e branco com nossas bandeiras e camisas.
Nas arquibancadas, éramos sessenta mil, no mínimo! Quando estávamos perdendo por 0:2, o estádio não ficou em silêncio. Cantamos Muchachos ainda mais alto para que os caras ouvissem: estamos com eles até o fim. Essa energia passou para o time.
No momento do gol da vitória de Enzo Fernandes, o teto do estádio quase foi parar no espaço! Atlanta nunca viu um drama assim antes.
Santiago, de Buenos Aires, acrescentou: “Quando esse Zico marcou o segundo gol contra nós, cobri o rosto com as mãos e comecei a chorar. Pensei: ‘Meu Deus, será que os campeões do mundo vão voltar para casa assim, depois de uma oitavas de final contra o Egito?’ Mas essa é a Argentina! Nunca vencemos com facilidade, precisamos necessariamente morrer e ressuscitar em campo”.
Na zona mista, Enzo Fernández disse: “Quando vi a bola na rede aos 93 minutos, toda a minha vida passou diante dos meus olhos! Ganhamos essa partida com garra.
Léo nos animou no vestiário durante o intervalo, disse que precisávamos continuar pressionando pelas alas. O Egito jogou muito bem, eles nos fizeram sofrer, mas a Argentina mostrou o espírito de campeão”.
Outro herói da partida, Mostafa Ziko, chorou na entrevista pós-jogo e não escondeu sua decepção e raiva: “Isso é injusto, o árbitro foi desonesto (provavelmente, referindo-se ao gol anulado de Ziko aos 58 minutos, devido a uma falta anterior de Marwan Attia sobre Lisandro Martínez). Isso foi planejado.
Parabéns à Argentina, eles já ganharam a Copa do Mundo, não precisam de mais jogos. O troféu está indo para as mãos da Argentina. O árbitro está anulando os esforços de uma nação inteira. O árbitro estava contra o Egito desde o primeiro minuto”.





Como eu gostaria de ser argentino hoje…
Mas houve uma falta, qual é o problema?
Comentário oculto
No primeiro tempo, houve um momento em que um jogador da Argentina deu um tapa descarado em Ashour e o árbitro nem apitou. Se fosse um jogador do Egito fazendo isso, nas melhores tradições da escola espanhola, seria um escândalo. Esse é só um dos momentos que se acumulam contra a Argentina desde a última Copa, como o lance do Messi no primeiro jogo ou o gol não anulado no jogo contra a Áustria, que foi semelhante ao lance da anulação do gol do Egito.
Uma partida incrível, com uma tensão absurda. Parabéns para ambas as equipes! Pena que os egípcios não souberam aceitar a derrota com dignidade. Essas histórias emocionais sobre destino e injustiça não os favorecem.
De onde tiraram que eles deveriam aceitar se a vitória foi roubada? Isso é posição de quem se conforma, todos falaram corretamente, os melhores jogadores da Argentina em campo hoje foram os árbitros.
Lautaro participou de 2 gols
Rios de lágrimas, Messi chora, o técnico chora, o blogueiro chora (Ronaldo também está chorando em algum lugar). Todos choram, as audiências sobem, o Gnomo escreve um exclusivo para o jornal esportivo.
Eu já tinha me despedido da Argentina, fiquei irritado com o primeiro tempo deles. Mas o final me surpreendeu. Eles sabem como entrar no jogo, os argentinos adoram testar os nervos. E Messi, como sempre, sabe onde estar e o que fazer. Suas jogadas na área dão arrepios. Não sou fã de nenhuma seleção. Eu chamei essa Copa de ‘O Último Tango dos Heróis’.
Não é Córdova, é Córdoba
A Argentina tem os torcedores mais incríveis do mundo. Isso ficou claro na Copa de 2018.
E assim seria perfeito. Argélia – campeã da África, Egito – do Mundo. Marrocos – do Universo. Acho que não esqueci ninguém.