José Mujica – o presidente mais pobre do mundo: 12 anos em solitária e 90% do salário para fundações

“Com uma pistola de calibre 45, todos começam a te respeitar”.

“Hoje sou presidente. Amanhã, como todos, serei um monte de larvas”, sorria, de forma cativante, o idoso.
Quase o mundo inteiro o conhecia, embora a maioria das pessoas fora do Uruguai provavelmente não conseguisse citar o nome de outro presidente uruguaio.
José Mujica era conhecido por seu estilo de vida, discursos midiáticos e pelo apelido correspondente. O “presidente mais pobre do mundo” abriu mão do palácio e do carro oficial, viveu durante todo o mandato presidencial em uma antiga fazenda, onde cultivava cebola, abóbora e flores, doava 90% do salário para caridade e cuidava de um cachorro de três patas.
Mas logo esclarecia: “Se eu pedisse às pessoas para viverem como eu, elas me matariam”.
Talvez ele tenha sido o único no Uruguai dos anos 2010 capaz de competir em popularidade global com Suárez, Forlán e Cavani. No entanto, sua história vai muito além da pobreza radical. Por trás da figura conhecida, esconde-se a saga de um guerrilheiro revolucionário: Mujica levou seis tiros em um único tiroteio, passou oito anos em um buraco de um metro de profundidade e conversava com formigas.
Mujica foi um bandido Robin Hood: assaltava bancos e dava o dinheiro aos pobres
José experimentou a pobreza e o sofrimento desde a infância. Nascido em uma família de migrantes e humildes agricultores, perdeu o pai cedo e, aos seis anos, começou a trabalhar para ajudar a mãe a cultivar vegetais para venda.

Ao mesmo tempo em que crescia como fazendeiro, crescia também o rebelde. Mujica absorvia conhecimento através de livros, mas não gostava de estudar de forma sistemática, por isso abandonou rapidamente a ideia da universidade. Movimentos políticos o atraíam mais: um grupo anarquista foi substituído pelo partido “Blanco”, com visões nacionalistas.
Na década de 1960, o Uruguai enfrentou uma séria recessão econômica, e o governo tentava controlar a autonomia estudantil e reprimir movimentos sindicais. Essa pressão tornou as ideias revolucionárias, baseadas no marxismo-leninismo, atraentes para os jovens da classe trabalhadora.
Em 1960, uma viagem a Havana mudou o destino de Mujica: ele ouviu pessoalmente um discurso de Che Guevara e absorveu o arquétipo do revolucionário latino-americano ideal. O argentino defendia a importância do contato direto com as pessoas, para conhecer suas necessidades e aspirações. Foi assim que Mujica encontrou sua vocação. Até os 30 anos, ele buscou o grupo que melhor se adequava a ele, até se juntar ao relativamente novo Movimento de Libertação Nacional “Tupamaros”. Eles rejeitaram o modelo cubano de guerrilha em florestas e montanhas, preferindo atuar nas cidades. Nas primeiras etapas, dedicaram-se à expropriação de dinheiro e armas.
“Poucos crimes são piores do que fundar um banco. Ganhar dinheiro com o dinheiro dos outros é como o destilado, a quintessência do capitalismo. O mais belo é entrar em um banco com uma pistola calibre 45. Todos começam a respeitá-lo”, explicava Mujica sobre suas visões.
Certa vez, ele e seus companheiros invadiram o prédio da Academia Naval: alinharam os cadetes no pátio e exibiram armas entre eles. Depois, escreveram na parede: “O povo esteve aqui”. Várias vezes, os guerrilheiros tomaram estações de rádio durante importantes partidas de futebol, para gritar slogans no ar para um grande público.

Inicialmente, as ações do partido de esquerda não se destacavam por uma preparação cuidadosa. Durante um assalto a uma fábrica têxtil, Mujica foi pego, mas os policiais não o reconheceram como membro dos “Tupamaros”. Perguntaram apenas se ele conhecia um guerrilheiro com o apelido de Facundo e o condenaram a oito meses por tentativa de roubo. Apenas dois anos depois, a polícia descobriu que ele era, de fato, Facundo.
Na prisão, Mujica ganhou respeito e retornou aos “Tupamaros” como líder. Com ele, os guerrilheiros mudaram de estilo: adotaram ataques mais duros, expuseram esquemas fraudulentos de bancos e sequestraram diplomatas imperialistas. Além disso, os “Tupamaros” se aproximaram do povo, seguindo os ensinamentos de Che Guevara: o dinheiro roubado dos bancos e os resgates dos diplomatas eram distribuídos em áreas pobres.
Em outubro de 1969, os “Tupamaros” planejaram um ataque à cidade de Pando em homenagem ao segundo aniversário da execução de Che Guevara. Os guerrilheiros chegaram em um falso cortejo fúnebre, tomaram a delegacia de polícia, o corpo de bombeiros, a estação telefônica e vários bancos, levando armas e dinheiro. Nos tiroteios, um policial, um civil e três guerrilheiros morreram. Outros membros dos “Tupamaros” foram presos alguns dias depois.
Quando tudo se acalmou, Mujica relaxou, retomou suas atividades e, após uma nova operação, bebia cerveja com amigos no centro de Montevidéu. Policiais entraram no bar e pediram documentos. “Aqui estão meus documentos”, respondeu José, sacando um revólver.

Começou um tiroteio. Tanto o oficial quanto Mujica foram feridos. Ele tentou fugir, mas foi alcançado e levou mais cinco tiros. Tudo acabado!
Ou não?
Mujica passou 12 anos em isolamento, onde tentaram enlouquecê-lo
Por algum milagre, José não foi deixado para morrer em um beco, mas foi levado a um hospital militar.
“Fui operado por um cirurgião que era um companheiro de espírito – outro ‘tupa’. Ele me transfundiu um balde de sangue e salvou minha vida. Isso me fez acreditar em Deus”, relembrou Mujica.

Sem seu líder, os “Tupamaros” endureceram. Em julho de 1970, sequestraram o americano Dan Mitrione, conhecido por muitos como funcionário da embaixada dos EUA. Na verdade, ele era um agente da CIA que foi ao Uruguai para treinar a polícia em métodos avançados de tortura. Mitrione sequestrava pessoas sem-teto das ruas para praticar choques elétricos e afogamentos.
Os “Tupamaros” exigiram um resgate por ele, mas os governos do Uruguai e dos EUA se recusaram. Então, Mitrione foi morto sob o pretexto de justiça revolucionária. Após esse ato, os “Tupamaros” perderam parte do respeito e da aprovação popular.
Naquela época, Mujica, já recuperado, foi transferido para a prisão de segurança máxima de Punta Carretas. Lá, ele e outros 106 prisioneiros estabeleceram acidentalmente um recorde para o Livro Guinness: escavaram um túnel de 40 metros de comprimento e 10 metros de profundidade. Todos fugiram.
Facundo mudou seu apelido para Emiliano, mas isso não o impediu de ser preso novamente. Da nova prisão, Mujica fugiu mais uma vez. Foi rapidamente capturado e fugiu novamente – cada vez sendo recapturado logo em seguida.
Em março de 1973, os militares realizaram um golpe de Estado no Uruguai e assumiram o poder. Os “Tupamaros” ainda eram conhecidos. Todos os que já haviam sido presos foram espalhados por prisões do país para impedir qualquer comunicação.
Mais tarde, o major Niño, que liderava as operações, disse aos guerrilheiros: “Tenho uma ordem do comando supremo do exército – todos vocês estão condenados à morte. Tudo será mantido em sigilo. Vocês sabem que é muito fácil, porque simplesmente encenamos uma fuga, e pronto”.
Em vez da morte, Mujica foi condenado a uma tortura lenta: 12 anos em uma cela solitária. Por vários anos, ele ficou em um calabouço – um buraco no chão. Era levado ao banheiro uma vez por dia, quase sem água – teve que beber sua própria urina. Sem livros ou medicamentos.
“No calabouço, descobri que formigas sabem gritar: basta colocá-las no ouvido para ouvir”.
Nessas condições, Mujica desenvolveu uma nova filosofia.
“Tive que lutar contra a loucura, porque nessas prisões queriam que enlouquecêssemos. Mas vencemos e mantivemos a sanidade.
Passei muitos anos em um quarto menor que este. Sem livros, sem nada para ler. Me levavam uma ou duas vezes por mês para caminhar no pátio por meia hora. Sete anos assim. Estava à beira da loucura. Aprendi a caminhar de um lado para o outro, percorrendo cerca de uma milha.
Para não enlouquecer, comecei a recordar o que havia lido, os pensamentos que tive na juventude. Mais tarde, me dediquei a mudar o mundo e parei de ler. Não pude mudar o mundo, mas o que li na juventude me ajudou. Conversei com quem estava dentro de mim, e isso me salvou quando estava prisioneiro e sozinho. Comecei a lembrar, lembrar, lembrar”, confessou Mujica em uma de suas últimas entrevistas.
Mujica recusou a residência presidencial e viveu durante todo o mandato em uma antiga fazenda

Em 1985, a ditadura militar no Uruguai desmoronou. Muitos presos políticos foram libertados, incluindo Mujica, que foi praticamente carregado para fora da cela devido ao esgotamento. O homem, já com quase 50 anos, foi recebido por uma multidão de apoiadores que não o haviam esquecido desde os tempos dos “Tupamaros”. Muitos viam José como um símbolo das vítimas da bárbara ditadura.
Pepe (agora esqueça Facundo e Ernesto) não retornou ao grupo – naquela situação, ele deixou para trás definitivamente os pensamentos sobre roubos, sequestros e radicalismo. Em vez disso, passou a defender o diálogo e o compromisso. Nos primeiros comícios, declarava: “Nem eu nem meus companheiros temos uma plataforma ou programa pronto – acabamos de voltar à vida normal após tantos anos de prisão. Mas sabemos com certeza: nossos principais ideais permanecem inalterados – garantir igualdade para todos”.
Ele ingressou no Frente Ampla, uma aliança de centro-esquerda criada na década de 1960 com o objetivo de acabar com o sistema bipartidário. Lá, Mujica conheceu sua futura esposa, Lucía Topolansky. Um dia, enquanto andavam de bicicleta pelos campos, encontraram um lugar para construir sua futura casa. “Eu disse a ele: ‘Parece que vamos ficar por aqui’. Eu arrumei um emprego em uma taverna, e ele cultivava flores para vender. Assim, juntamos um pouco de dinheiro para a entrada”, relembrou Lucía Topolansky. Nesse terreno, construíram uma fazenda, compraram um trator velho e plantaram um jardim onde passavam horas bebendo mate.
Junto com as flores no canteiro, crescia também a influência política de Mujica. Em 1995, o partido lhe garantiu uma vaga no Congresso. No primeiro dia de trabalho, José chegou ao edifício governamental em uma moto desbotada e com os cabelos desalinhados, enquanto as pessoas ao redor usavam ternos caros.

No Uruguai, espalhou-se a lenda de que um segurança em um estacionamento confundiu Mujica com um fazendeiro e perguntou: “Você vai ficar aqui por muito tempo?” Ao que José respondeu: “Espero que por cinco anos”.
A bela história revelou-se uma fábula, que o próprio Pepe modestamente desfez. Mas acrescentou: “Naquele dia, estacionei sob uma cobertura geralmente ocupada por carros de congressistas. Depois disso, muitas pessoas comuns em motos também começaram a estacionar lá”.
Até 2000, Mujica já se destacava: em grande parte devido a suas visões não convencionais e comportamento consistente. Em 2005, o candidato de seu partido, o médico Tabaré Vázquez, venceu as eleições presidenciais – sob seu governo, Mujica assumiu o cargo de ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca.
Os primeiros dias de trabalho começaram com surpresa: “Os políticos devem ser flexíveis e não esperar que todos nós sejamos de esquerda ou de direita. Quando vencemos as eleições, fui conversar com os ministros que estavam deixando os cargos. Eles não me deram um único papel. E, logo após assumir o cargo, precisei discutir a lei do orçamento”.
Cinco anos depois, chegou a sua vez de governar o país – os uruguaios escolheram como líder um ex-guerrilheiro e preso político, que passou quase um quarto da vida na prisão. Aos parabéns dos jornalistas, José respondeu secamente: “Conversas fiadas não vão mudar o mundo”.
O presidente tinha direito a um carro oficial e a se mudar para uma mansão. Mujica recusou tudo isso: andava em um Volkswagen azul de 1987, doava 90% do salário (recebia 12 mil dólares) para caridade e continuava a viver em uma casa decadente em uma fazenda.

«O governo me ofereceu uma mansão de quatro ou cinco andares. Um lugar onde seria preciso montar uma expedição só para tomar um chimarrão. Nos dias de hoje, pareço um excêntrico, mas não tenho culpa do mundo em que vivo».
Para chegar até o presidente, jornalistas e assessores tinham que ir para a periferia, sujar as botas até os tornozelos no lamaçal e passar por caixas de madeira com a inscrição “Ração para galinhas”. Nenhuma segurança ou guarda-costas – apenas uma cachorrinha extremamente simpática de três patas chamada Manuela.
Ainda era preciso esperar horas pelo presidente, enquanto ele percorria a fazenda em um trator: «Isso é mais interessante do que dirigir um carro. Você está em contato constante com a natureza, com insetos e pássaros».
Entrar em contato por telefone também não era uma opção: Pepe abandonou gadgets e redes sociais porque eles o impediam de conversar consigo mesmo.
Os visitantes mais famosos da fazenda de Mujica foram o presidente da Bolívia, Evo Morales, e o presidente do Brasil, Lula da Silva. O historiador britânico Giles Tremlett escreveu: «As pessoas descobriram que Mujica vive em uma casinha pequena, cultiva flores e não se preocupa com a aparência, posses ou se parece estar discutindo no caixa de um bar da capital. Assim, Mujica se tornou um herói popular».
Como governava o «presidente mais pobre do mundo»
Mas ele não concorda com esse status: «Não me sinto pobre. Pobres são aqueles que trabalham para manter um estilo de vida caro. Aqueles que nunca estão satisfeitos. Tudo se resume à liberdade. Se você tem poucas posses, não precisa trabalhar como escravo a vida toda para mantê-las. Você tem tempo para si mesmo.
Então, o que atrai a atenção do mundo todo? O fato de eu viver em uma casa muito simples e dirigir um carro velho? Então esse mundo enlouqueceu, porque se surpreende com coisas comuns.
Não defendo a pobreza. Defendo a moderação. Quando você compra algo, não paga com dinheiro, mas com o tempo gasto. E a vida não se compra – ela só se gasta».

Durante uma visita à Alemanha, a delegação uruguaia foi acompanhada por 25 motocicletas BMW, e o próprio Mujica foi colocado em um Mercedes Benz blindado. Vendo isso, José perguntou: “Para que tudo isso?”
Quando Mujica foi a um encontro com a família real norueguesa usando uma camisa listrada, os organizadores insistiram para que ele colocasse pelo menos uma gravata. José virou-se para sua delegação e disse: “Vamos embora, estamos indo para casa”.
E explicou: “Não sou contra gravatas. Sou contra que as imponham. Gosta de usar gravata – use, embora possa colocar cuecas no pescoço. Depois, eles estendem um tapete vermelho para você, e você tem que caminhar por ele por cinco quarteirões. Algum tipo de feudalismo”.
Quando o governo discutiu a compra de um avião presidencial, Mujica bloqueou a questão. Com esse dinheiro, comprou da França um helicóptero potente e o colocou no centro do país – para que estivesse igualmente distante de todos os cantos em caso de emergências.
“Não sou a favor de voltar às cabanas. Apenas peço que se acabe com o desperdício e os gastos desnecessários”, dizia José.
Como presidente, Mujica legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e a maconha. Mudanças significativas.
“O principal problema não é o consumo de cannabis, mas o tráfico de drogas. A ideia é tirar o mercado dos traficantes – essa é a melhor maneira de combatê-los. Interceptamos uma remessa, depois outra, ganhamos muitas batalhas, mas, no final, a guerra continua sendo deles.
Não legalizamos a maconha para parecer mais liberais. Queremos afastar aqueles que a consomem dos traficantes clandestinos. Mas também queremos limitar o direito deles de fumar maconha, se excederem os limites razoáveis. É como o álcool. Se você bebe uma garrafa de uísque por dia, deve ser tratado como uma pessoa doente”, argumentou o presidente.
Entre as mudanças sociais, Mujica reduziu o nível de desemprego e aumentou a renda real da população, mas não reformou o sistema educacional devido à resistência dos sindicatos.
Ele também era frequentemente questionado sobre seu passado na prisão – por que nunca puniu os militares? “Na vida, há feridas que não cicatrizam, e é preciso aprender a seguir em frente. Há pessoas que não me apoiarão, mas escolho uma abordagem mais racional e menos sentimental. É por isso que não usei o poder para condenar os militares”, respondeu ele.
Em 2015, seu mandato presidencial chegou ao fim. Pepe, de 80 anos, se despediu assim: “Se eu tivesse duas vidas, dedicaria ambas a ajudar vocês em suas dificuldades. Essa é a maneira mais bela de amar a vida que encontrei em 80 anos”.
“Dediquei-me a mudar o mundo e não mudei nada”

Até 2020, Mujica trabalhou no congresso, mas a saúde já não permitia mais. Durante o período na prisão, José contraiu uma grave infecção na bexiga e perdeu um rim.
“Não sou do tipo que fala sobre torturas e o quanto sofri. Isso até me irrita um pouco, porque às vezes vejo uma competição sobre quem sofreu mais. Há quem goste de repetir: ‘Ah, como foi terrível’. Sim, tive uma vida difícil, sofri alguns ferimentos, então preciso me cuidar. Por exemplo, limitar o consumo de rum.”
No final da vida, Pepe foi diagnosticado com câncer: as metástases apareceram primeiro no esôfago e depois no fígado. Aos 89 anos, o ex-presidente passou por 31 sessões de radioterapia – todos os dias às sete da manhã.
“Eles queimaram essa porcaria até o fim, mas deixaram um buraco do tamanho de uma laranja. Agora esse buraco precisa cicatrizar, e eu sou um homem velho. Não posso comer até que ele feche”, reclamava Mujica.
Neste momento da entrevista, ele levantou a camisa, mostrando um curativo de gaze que cobria a abertura do tubo de alimentação. Ele foi inserido no buraco de uma ferida de bala – ao todo, o presidente tinha nove.
A terapia não funcionou, e a doença retornou. Foi preciso se despedir: “Dediquei-me a mudar o mundo e não mudei nada. Mas foi divertido e me deu um sentido para a vida. Morrerei feliz. Passei o tempo sonhando, lutando, superando dificuldades. Apanhei e tudo mais. Não importa, pois não tenho dívidas a cobrar.
Este é o meu mundo: nem melhor, nem pior – é diferente. Vivemos em uma era de consumo, onde acreditamos que o sucesso na vida significa comprar coisas novas e pagar parcelas. Como resultado, construímos uma sociedade de autoexploração. Você tem tempo para trabalhar, mas não para viver.
Quanto mais você tem, menos feliz é.”
Mujica morreu em maio de 2025. Foi enterrado sob uma sequoia na fazenda – onde, um dia, enterrou sua cadela Manuela, que tinha apenas três patas.

Muhica ficou conhecido por suas citações aforísticas. Ao contar sua história, lembramos de muitas. Aqui estão mais algumas:
● «Acredite, tive muito tempo para pensar. Ou a pessoa é feliz com pouco, sem se sobrecarregar, porque carrega a felicidade dentro de si. Ou nada dará certo».
● «Não nos falta recursos – nos falta vontade política. Os governos só se preocupam com os resultados das próximas eleições. Lutam pelo poder, esquecendo os problemas e as necessidades do povo».
● «Alguns têm o estereótipo de que o presidente deve ser como uma estátua, absolutamente inerte. Ele não pode ser como qualquer outra pessoa. Mas eu sou um homem velho de carne e osso, com nervos e coração».
● «A mudança climática é a maior tragédia da política. Eles não levaram em conta as recomendações da ciência».
● «O que podemos fazer aqui, nas regiões pobres do mundo? Precisamos de uma política global. Nossa civilização possui um potencial científico e tecnológico colossal, mas carece de um vetor político de desenvolvimento».
● «O problema é que o mundo é governado por velhos que esqueceram como eram na juventude».
● «A vida é bela, mas é preciso encontrar algo pelo qual valha a pena viver. Pode ser a música, a ciência, qualquer coisa. Viver apenas para pagar dívidas? Isso não é vida. Afinal, viver é sonhar, acreditar em algo maior, na criação. Entender que tudo pode dar certo, dar errado ou simplesmente ser normal».





Não é o ‘mais pobre’, mas o mais humano. Mais precisamente – o único que parece um ser humano. Os outros são como bonecos.
Exatamente como aqui no Brasil, igualzinho