Brasil é eliminado da Copa do Mundo de 2026: 5 passos para o abismo

O Brasil perdeu para a Noruega (1:2) e foi eliminado já nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Nem os dribles de Vinícius nem a entrada de Neymar ajudaram.
Passo um: pragmatismo reduziu o potencial ofensivo
No primeiro tempo, o Brasil segurou a Noruega (os europeus só chutaram pela primeira vez aos 35 minutos, em um contra-ataque). O excelente trabalho de Carlo Ancelotti foi visível: o esquema 4-4-2 na defesa, com Vinícius e Matheus Cunha no ataque, funcionou bem.
Eles cobriam as saídas de bola, rapidamente se posicionavam no bloco intermediário, e os volantes se deslocavam para as alas quando necessário. A zona-chave era a esquerda: Alexander Sørloth às vezes vencia os duelos aéreos contra Douglas Santos, mas o Brasil recuperava a segunda bola, e na parte baixa, o lateral claramente se saía melhor (bloqueou um cruzamento e roubou a bola).
Às vezes, Gabriel Martinelli ajudava e cobria Santos quando a Noruega intensificava a pressão nessa área.

A Noruega teve um final ligeiramente melhor, mas mesmo após o intervalo, o Brasil defendeu com sucesso até o primeiro gol de Erling Haaland. Ståle Solbakken renovou as alas do ataque: Andreas Skov Olsen e Oscar Bobb entraram no lugar de Antonio Nusa e Serlot. A Noruega continuou pressionando na zona de Santos (vários jogadores se moviam em direção a Bobb) e tentava invadir a área através de dribles, enquanto pela esquerda confiava em cruzamentos e passes rasteiros.
O Brasil lidou bem graças ao volume de jogo dos pontas e à atenção dos volantes: Casemiro e Bruno Guimarães frequentemente ajudavam Danilo e Santos.

Certamente, não se pode criticar o Brasil por um mau desempenho defensivo, mas esse pragmatismo afetou o ataque. Em primeiro lugar, os pontas e volantes realizaram muito trabalho defensivo e gastaram a maior parte de sua energia na contenção. Em segundo lugar, no momento da perda de bola para a Noruega, eles estavam posicionados muito baixo para uma transição rápida para o contra-ataque.
O Brasil foi salvo pela posição avançada de Vinícius (que organizou várias jogadas promissoras). E, potencialmente, poderiam ter extraído ainda mais lá na frente, se tivessem arriscado e deixado um pouco mais de trabalho para os laterais.
Passo dois: reação fraca à mudança de estratégia (embora no torneio tenha sido o contrário)
Apesar do plano cauteloso, o Brasil parecia mais brilhante antes do intervalo para hidratação: Guimarães se juntava à área como segundo homem, Vinícius atraía a atenção pela esquerda, e várias vezes eles exploraram o espaço entre as linhas (Santos fez bons movimentos). Os contra-ataques pareciam especialmente perigosos: conquistaram um pênalti após uma recuperação de Ryan Rosh no meio-campo e se organizaram em rápidos ataques de 3 contra 3 ou 2 contra 2.
Mas, no final do primeiro tempo, o cenário mudou ligeiramente, e o Brasil começou a enfrentar problemas. A Noruega passou a lançar mais bolas para Haaland (criando uma chance perigosa para Martin Ødegaard após um longo passe do goleiro Ørjan Nyland) e envolveu mais Noussair Mazraoui pela esquerda (que cruzou com sucesso para Haaland na área).
Nesse período, contra o 4-5-1 da Noruega na sua própria metade e com pontas volumosos, o Brasil não entrava na área com tanta frequência. Cruzamentos para o segundo poste pela direita pareciam promissores (quase resultando em um chute de Martinelli) e passes para Vinícius, mas a Noruega conseguiu conter suas dribles com mais sucesso. Além disso, o Brasil gastava mais recursos na posse de bola e deixava espaços nas costas (em um dos contra-ataques, Ødegaard chutou perigosamente).
O Brasil se sentia confortável no cenário pragmático (fechando o flanco esquerdo e saindo em contra-ataques), mas assim que a Noruega se adaptou, Ancelotti teve menos argumentos.
Uma situação semelhante ocorreu no segundo tempo. O Brasil defendia bem e respondia com dribles de Vinícius pela esquerda ou em contra-ataques: Endrick, logo após entrar, teve uma chance clara com um passe elegante de Vinícius. Ryan também teve uma oportunidade após um escanteio.
Para uma mudança completa na situação, isso não foi suficiente, mas o Brasil tinha um padrão claro. No meio do tempo, Carlo Ancelotti reorganizou o ataque (4-5-1 com Neymar como centroavante e Vinícius e Endrick nas pontas). A mudança abrupta (já por iniciativa do Brasil) não resultou em um efeito positivo: o primeiro chute foi dado quase 20 minutos depois, já com 0:1, e ainda se abriam espaços para a Noruega.
No momento mais crucial, Ancelotti não reagiu tão bem, embora a intuição dele tenha salvado o Brasil várias vezes. As substituições contra o Marrocos (1:1) melhoraram a situação: Carlo retirou Casemiro e Roger Ibañez (Danilo na direita da defesa parecia muito melhor), e mais tarde Cunha foi mais ativo que Igor Thiago. Contra o Japão (2:1), a entrada de Endrick ajudou: ele distraía os defensores e permitia que Vinícius e Cunha criassem.
Passo três: Haaland superou Gabriel
Mesmo que o Brasil tenha defendido bem, tudo poderia desmoronar devido a erros individuais. E foi o que aconteceu.
O primeiro gol de Haaland foi uma prova clara: primeiro, Endrick perdeu Skjelvik na lateral, e Erling, após o cruzamento, superou Gabriel na área.
Seu duelo, que durou toda a partida, reflete bem a situação: Haaland não apenas foi mais rápido no momento mais crucial, mas, em geral, se desvencilhou com sucesso de Gabriel mais vezes, faltando apenas agilidade após o recebimento. Mesmo quando Erling não venceu a disputa diretamente, a Noruega recuperava a bola (chute perigoso de Ødegaard no final do tempo).

Passo quatro: dependência excessiva de Vinícius
Vinícius teve uma atuação útil: criou uma chance no primeiro tempo, deixou Martinelli em boa posição para um cruzamento e gerou uma oportunidade de gol para Endrick em um contra-ataque, além de completar seis dribles bem-sucedidos. No entanto, não foi tão brilhante quanto em jogos anteriores.
A Noruega deixou pouco espaço. Quase não houve momentos em que Vinícius recebeu a bola isolado contra um defensor: ele quase sempre foi marcado por dois ou três jogadores. Nessas situações, o máximo que se conseguiu foi um escanteio.

E aqui apareceu uma das fraquezas do Brasil: se Vinícius não criava magia e não gerava perigo sozinho, não havia alternativas. Além disso, as zonas que surgiam devido à atenção dada a Vinícius não eram bem aproveitadas. Ele mesmo não percebia as aberturas dos companheiros (especialmente Santos) ou simplesmente não havia movimento próximo.
Passo cinco: entrada de Neymar
Ancelotti arriscou no meio do segundo tempo e mudou para o 4-5-1. Neymar entrou como ponta-de-lança em uma função livre, com Vinícius e Endrick apoiando pelas alas, enquanto Casemiro, Guimarães e Danilo dos Santos conduziam a bola no meio-campo. A decisão apenas aumentou o caos: o jogo se transformou em duelos individuais intermináveis, especialmente com o placar em 0:1.
Vinícius, Neymar ou Endrick constantemente atraíam dois marcadores e tentavam invadir a área ou cruzar. Parte dos ataques foi contida pela Noruega, e parte foi desperdiçada pelo próprio Brasil.
Após um cruzamento de Neymar, a sobra foi recuperada e, finalmente, conseguiram penetrar na área, mas Casemiro não soube aproveitar a oportunidade.

No momento decisivo, Ancelotti mudou a estrutura, mas não melhorou a situação do Brasil, apenas acrescentou imprevisibilidade.
O Brasil fracassou na Copa do Mundo?
O Brasil atual é uma equipe imatura, que teria dificuldades contra qualquer seleção de elite. A eliminação em uma fase tão precoce sempre é vista como um fracasso, mas é preciso considerar também as limitações de recursos (além disso, Rafinha, como jogador-chave, se lesionou durante o torneio).
É difícil culpar Ancelotti exclusivamente por todos os problemas. Suas decisões certamente trouxeram benefícios (contra Marrocos e Japão, a equipe melhorou significativamente após as substituições), e a escolha de destacar as qualidades de Vinícius no ataque é óbvia (um jogador forte no drible em um torneio curto).
No entanto, há críticas suficientes. Tanto pelo desempenho em campo (reestruturação mal-sucedida contra a Noruega, ajustes no elenco feitos apenas durante a Copa do Mundo) quanto fora dele (a convocação questionável de Neymar). Parece que, apesar de toda a atenção da mídia, Neymar, em sua forma atual, não está pronto para entrar em momentos decisivos e liderar o ataque do Brasil. Provavelmente, o desejo de Ancelotti de evitar conflitos com os torcedores influenciou significativamente o desempenho da equipe.




Depois da substituição de Bruno por Ederson, tomamos 2 gols. No primeiro gol, Ederson estava na mesma linha que o zagueiro e tentou bloquear o cruzamento, embora deveria ter interceptado antes.
No segundo, simplesmente não marcou Haaland, ficando em uma posição intermediária.
Revi os dois lances, para mim, Endrick não fez o suficiente no primeiro, Ederson cobriu o passe para Ødegaard, que estava livre; no segundo, não há culpa direta, o atacante não é um volante, não havia ninguém na área, eles deveriam ter marcado mais à frente.
O problema nem é o Neymar, mas o fato de o Brasil ter muitos jogadores individualmente fortes, mas sem um sistema ou um maestro para conduzir o jogo e levar a bola ao ataque. Tudo se resumiu a Vinícius tentando driblar e marcar 🤷🏻♂️ É surpreendente que o Brasil não tenha um meia armador. Por isso, o papel de Ødegaard na Noruega ficou evidente. Aqui, as perguntas são para Ancelotti, que escolheu os jogadores para a Copa e montou o time.
É mais simples – o Brasil não tem um técnico que organize o jogo.
Todos vão brincar, mas Wendel poderia ter carregado e segurado a bola nessa seleção, com certeza ))
É isso que acontece com os goleiros… nem uma palavra sobre o que o norueguês defendeu quando a bola estava voando para o gol, e nem uma palavra sobre o goleiro em geral.
Estamos falando do Brasil, não do jogo como um todo.
O segundo gol de Haaland é um exemplo claro do nível da seleção brasileira – um atacante de elite recebe a bola com tranquilidade e chuta com mínima resistência. Os brasileiros têm bons nomes, mas ficou claro que seriam derrotados por um time organizado e com poucos erros. Haaland é um monstro, a Inglaterra vai sofrer.
Ancelotti só errou ao ceder e convocar Neymar. No resto, ele usou os jogadores que estavam em boas condições.
E nem uma palavra sobre o goleiro da Noruega, Nyland, que fez a partida da vida dele. Se ele tivesse defendido apenas uma a menos, talvez estivéssemos lendo artigos completamente diferentes sobre o Brasil agora.
Isso aqui é o que mais diverte – o artigo inteiro é ajustado para o resultado. Se alguns lances tivessem sido diferentes, o texto teria que ser reescrito, e Ancelotti seria considerado um herói (como no jogo realmente ruim contra o Japão).
Sim, antes do primeiro gol norueguês, os brasileiros poderiam estar ganhando por 2 ou 3 gols.
Sem Rafinha, o nível é outro. Ele é um jogador de classe extraordinária e uma grande perda.