Futebol

Brasil 2:1 Japão: Ancelotti vira o jogo com a substituição de Endrick

De Timur Bokov.

O Brasil superou com dificuldade o Japão nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 – 2:1.

Superou mesmo – foi realmente difícil. Bravo ao Japão pelo primeiro tempo: parece ser uma das principais atuações da Copa do Mundo em termos de organização de jogo, compactação na defesa e transição de ritmos. Após o intervalo, o Brasil mudou completamente a partida. Inclusive graças às jogadas táticas de Carlo Ancelotti.

Japão antes do intervalo – um hino à organização

Durante toda a Copa do Mundo, atuou no modo “seguro atrás, com momentos de beleza na frente”. Contra a Holanda, demonstraram estratégias para um adversário de alto nível, que foram utilizadas novamente agora. É importante destacar que contra a Suécia, economizaram energia – um dos segredos de um primeiro tempo tão excepcional.

Intencionalmente sem a posse de bola, o Japão se organizou em um esquema 5-4-1 – o mais compacto e organizado possível em cada linha.

Com a bola, o esquema mudava para 3-2-4-1, mas quase não o vimos. O Japão não planejava atacar muito, mas apostou na solidez, que é o seu trunfo.

Respeito ao técnico Hajime Moriyasu: sua equipe se defendeu muito bem em toda a largura do campo, não permitindo que a linha fosse desestabilizada. No primeiro tempo, o Brasil não pressionou muito nesse aspecto, mas o adversário estava preparado para as bolas direcionadas ao ponta Ryan, que permanecia em uma posição ampla.

Assim como às movimentações de Matheus Cunha: um atacante que constantemente recua em busca da bola e de espaço. Os japoneses não reagiam aos movimentos do centroavante do “MU”. Ou seja, não havia marcação individual, mas sim uma manutenção rigorosa da formação.

Um plano confiável que pegou o Brasil de surpresa. A equipe de Ancelotti teve apenas 0,35 de xG no primeiro tempo, um recorde negativo para a seleção.

Além disso: parece que o Japão intencionalmente se intensificou justamente após a parada para hidratação: o gol de Kaysuke Sano foi consequência do Brasil não ter entrado no jogo. Pode ser uma coincidência, mas parece uma jogada brilhante do treinador.

O Brasil rodou a bola o tempo todo. Vinícius foi neutralizado

Ancelotti, claramente, entendia: não valia a pena esperar por um jogo aberto. Para superar o Japão, o treinador parecia planejar três métodos:

1. Vinícius. Esse foco não é novidade. Até dá para dizer com certeza que essa é uma equipe montada para o ponta do Real Madrid, voltada para o conforto da principal estrela. Contra o Japão, ele foi novamente alimentado com a bola, sobrecarregando seu flanco com os deslocamentos de Paquetá e Cunha. O Japão respondeu com um excelente preenchimento de espaços: simplesmente não permitiram a criação de superioridade numérica.

2. Cunha não para. Mateus está sempre em movimento, então Ancelotti parecia acreditar que os deslocamentos do atacante desestabilizariam o Japão. No entanto, o adversário quase não reagiu às movimentações de Cunha e, quando ele recebia a bola, era rapidamente marcado, com uma ótima transição para o ataque.

3. As arrancadas de Guimarães. No flanco direito do Brasil, a situação foi mais interessante: o ponta Ryan quase não se aproximou do centro, e o lateral Danilo não avançou. Bruno ocupou grandes espaços, o que teoricamente poderia confundir o Japão, mas eles não caíram na armadilha. Guimarães foi marcado da mesma forma que os outros, sem desorganizar a estrutura.

O Brasil teve um primeiro tempo ruim, mas é difícil criticar Ancelotti: ele propôs alternativas, mas elas não foram eficazes. Além disso, a organização e a calma do Japão foram um desempenho forte por si só.

O Brasil dominou o Japão após o intervalo. Endrick ajudou

Até 11-1 em chutes e 1,37 em gols esperados contra 0,02 – assim parece o domínio.

O Brasil sufocou o Japão no segundo tempo, repetindo em parte o roteiro do Marrocos: primeiro, não criaram nada contra um adversário organizado e disciplinado, e após o intervalo, eles mesmos se limitaram. Com o Marrocos, simplesmente igualaram o jogo. Com o Japão, o efeito foi notoriamente mais forte.

Ancelotti, entendendo que precisava mudar algo, fez uma jogada no intervalo: em vez do lesionado Paquetá, entrou não outro meio-campista, mas Endrick. Sua entrada realmente mudou muita coisa. Ele se tornou o coringa, embora não tenha deixado marca no protocolo.

Endrick pressionou o Japão ao se posicionar na mesma linha dos defensores, sem tentar puxá-los, como Cunha. Enquanto isso, Matheus permaneceu e continuou seu trabalho, e Guimarães ficou mais passivo nas subidas. O Brasil apostou tudo na esquerda, esperando que Vinícius funcionasse.

E ele funcionou. O Japão manteve a mesma configuração, mas o Brasil saturou mais o centro e forçou uma escolha: deixar Endrick no centro ou Vinícius na ponta. Os japoneses não se decidiram, e Júnior soube aproveitar isso com maestria. Cunha ajudou com seus movimentos, e o adversário simplesmente não conseguiu superar em número.

O Brasil assumiu o controle total. O Japão se perdeu. Moriyasu tentou revitalizar as alas, mas não funcionou. Restava pressionar, e a equipe de Ancelotti conseguiu. Parece que nada mudaria na prorrogação. O Japão apenas adiou a eliminação, esperando por pênaltis.

É claro que é importante mencionar que a queda de rendimento do Japão no segundo tempo é uma tendência preocupante nesta Copa do Mundo. Talvez não apenas nesta. Com tanta organização, concentração e frieza, é simplesmente impossível manter o ritmo durante toda a partida. Só dá para um tempo. Quando o fôlego acaba, a qualidade individual dos jogadores vem à tona. E ela é visivelmente inferior à do Brasil, com um Vinícius como esse.

Destaques: Vinícius e Douglas se destacaram, Casemiro – bem, como sempre

Um resumo dos principais destaques.

● Vinícius não teve um bom primeiro tempo, mas no início do segundo, ele se ligou e começou a brilhar. Não foi o melhor jogo do Júnior nesta Copa, mas ele mostrou que pode fazer a diferença no momento crucial.

● Douglas Santos mais uma vez cobriu Vinícius. Para ser justo, o Japão não pressionou muito, mas Douglas ainda assim fez uma ótima partida. Venceu a maioria dos duelos e, quando necessário, ajudou com avanços oportunos ao ataque.

● Casemiro – no seu estilo. Um primeiro tempo mediano, se não ruim. Após o intervalo, quando o Brasil acelerou o ritmo, ele voltou a ser o mestre. Casemiro se redimiu com um gol, mas antes das oitavas de final, há uma preocupação: ele vai aguentar?

● Takehiro Tomiyasu dominou Vinícius por um tempo. Vale destacar, já que o ex-jogador do Arsenal sofre tanto com lesões. Enquanto o Japão se manteve firme, ele neutralizou o ponta do Real Madrid com maestria e realmente parecia em grande forma. Mas no segundo tempo, assim como o time todo, ele se perdeu.

É uma pena pelo Japão, que fez um ótimo primeiro tempo, mas o Brasil o sufocou no segundo. Faltou aos japoneses tanto qualidade quanto concentração. É clichê, mas dá para traçar paralelos com a Bélgica em 2018: também estavam na frente e cederam a classificação no final. Mas, naquela época, parecia mesmo falta de sorte. Agora, o resultado parece justo.

O Brasil passou por um teste importante e mostrou que pode jogar contra um adversário tão organizado, mesmo com um primeiro tempo mediano. Agora, vem Costa do Marfim ou Noruega, onde há mais chance de respirar. Por enquanto, as impressões são positivas.

Iara Sousa

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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