Alimentação da seleção da Noruega na Copa do Mundo: 300 kg de salmão, fast food uma vez por semana e Haaland sem leite cru

Erling Haaland consome seis mil calorias por dia e grelha bifes no quintal. Mas na Copa do Mundo, sua dieta – assim como a de toda a seleção norueguesa – fica a cargo de três chefs que viajaram para os EUA com um estoque significativo de produtos noruegueses: 300 kg de salmão, truta ártica, halibute e truta, além de 180 kg de queijo.
Todos os dias, eles alimentam 61 pessoas quatro vezes. E quando os dirigentes da federação visitam a equipe, o número sobe para 70 pessoas. Se a Noruega chegar à final, serão 216 refeições.
The Athletic revelou como funciona a cozinha dos noruegueses.
Para a Noruega, cozinham o melhor chef jovem, um cozinheiro de restaurantes Michelin e alguém que está na seleção desde 1998
Conheça o trio de chefs, da esquerda para a direita: Kristian Karlsson, Aron Espeland e Eirik Tufte.

Os dois últimos estrearam no futebol: Espelann ganhou ouro em um concurso de jovens chefs em 2022, e Tufte trabalhou em restaurantes estrelados pelo Guia Michelin na Noruega.
Já Karlsson está no sistema da seleção desde 1998. No entanto, não chegou a trabalhar na Copa do Mundo – foi contratado após a eliminação da Noruega. Karlsson relembra que, antigamente, os jogadores se contentavam com um hambúrguer ou uma pizza, mas agora todos acreditam que o corpo trabalha para eles e exige cuidados.
As tarefas dos chefs são inúmeras. Eles planejam a logística, monitoram a recuperação dos jogadores, adaptam o cardápio ao calor, viagens, treinos e partidas. E, ao mesmo tempo, garantem que os jogadores não apenas recebam calorias, mas também sintam um pedaço de casa.
Tanto peixe, porque faz parte da cultura norueguesa
A seleção da Noruega trouxe antecipadamente para os EUA um enorme estoque de alimentos de casa. Mas por que 300 kg de salmão e tanto peixe?
Para a Noruega, o peixe é parte da identidade nacional. O país está entre os maiores exportadores de frutos do mar do mundo, e o salmão norueguês é frequentemente servido como um produto premium. Por isso, a seleção quis construir o cardápio não com compras aleatórias no supermercado mais próximo, mas com uma base conhecida, familiar e de qualidade.
Quando a Noruega avançou para as oitavas de final, os chefs já estavam planejando um novo pedido de peixe. Os estoques restantes foram transportados entre as cidades de avião – em freezers especiais, para manter a temperatura adequada.
A dieta é construída em torno da proteína. Haaland não pode beber leite cru

O peixe é uma das melhores fontes de proteína. E a dieta da seleção é baseada em proteína de alta qualidade para a recuperação muscular, carboidratos e ômega-3, vitamina D, cálcio, ferro e magnésio. O timing também é monitorado: o menu antes do treino e após o jogo é diferente.
No hotel em Boston, os noruegueses compartilharam a cozinha com a equipe que antes atendia a seleção da Escócia. Foi necessário explicar que eles preferem o peixe menos cozido – a equipe estava acostumada com os escoceses pedindo para cozinhar “até a morte”. Espeland explica: se o salmão ficar branco, a proteína já foi perdida, e o suco também. A temperatura ideal no centro do pedaço é cerca de 40 graus.
Com tantas refeições, os cozinheiros precisam constantemente inventar algo novo. Após um mês no acampamento, até a melhor comida pode enjoar.
Um dos pratos favoritos dos jogadores se tornou o salmão tataki com molho à base de manteiga marrom, shoyu branco, yuzu e mel. Tudo aconteceu quase por acaso: os cozinheiros estavam com pressa, prepararam o prato, e um deles rapidamente improvisou o molho com os ingredientes disponíveis. Foi um sucesso!
Quanto às preferências pessoais: o meio-campista do Benfica, Fredrik Aursnes, gosta de perguntar aos cozinheiros detalhes sobre a composição, e Patrick Berg segue uma dieta bastante rigorosa – evita glúten e lactose, pois percebeu que seu corpo responde melhor assim.
Haaland, aparentemente, já fantasia sobre a próxima refeição – até sua namorada brincou sobre isso. Erling gosta de leite cru, mas na Copa do Mundo ele é proibido devido às bactérias. Alguns jogadores consomem leite sem lactose, pois o organismo reage melhor.
Antes dos jogos, Haaland, como muitos companheiros, prefere comidas simples: massa, pão, queijo, salame, às vezes frango ou peixe.
Um assunto à parte é o calor. Após o jogo contra o Senegal, vários jogadores da Noruega tiveram cãibras, e a equipe técnica verificou o nível de hidratação por meio de análises de urina. Depois disso, os cozinheiros passaram a adicionar um pouco mais de sal na comida. Não pelo sabor, mas para estimular os jogadores a beberem mais água.

Uma vez por semana – fast food. Já comeram tacos, pizza e hambúrgueres
Não se pode alimentar a seleção com comida perfeita durante todo o torneio. O torneio é longo, a vida no hotel é opressiva, e cada dia parece igual ao anterior. Por isso, uma vez por semana, a Noruega tem um “cheat meal”.
No menu, já houve tacos, pizza e hambúrgueres caseiros. Isso faz parte do alívio psicológico. Espeland comparou o acampamento da seleção a um resort all-inclusive: os primeiros dias são ótimos, mas depois você quer algo diferente.
Ainda assim, uma alimentação saudável funciona melhor quando não se torna um castigo.
Máquina de waffles, mesas longas e café. Como os noruegueses criam um ambiente familiar
A maioria dos jogadores da seleção vive no exterior há muito tempo – alguns partiram muito jovens, outros passam toda a temporada na Inglaterra, Alemanha ou Portugal. A seleção é uma rara oportunidade de estar novamente em um ambiente norueguês, e os cozinheiros exploram isso conscientemente.
Máquina de waffles, queijo marrom, geleia de framboesa e morango, o equivalente local da “Nutella”, e pudim de peixe – tudo isso foi trazido especialmente para lembrar a infância. A aveia tem um status especial: é cozida lentamente no leite e depois misturada com bananas, nozes, frutas vermelhas, mel ou canela.
A mesma lógica se aplica à organização da própria refeição. Não há porções individuais ou apresentação rígida. Na Noruega, há mesas longas e compartilhadas, com várias estações de comida, onde os jogadores escolhem entre peixe ou carne, arroz ou massa. Os cozinheiros ficam por perto, cortam, conversam e ouvem o feedback.
Até mesmo o café faz parte dessa filosofia. Os noruegueses trouxeram seus próprios grãos, máquinas de espresso e café filtrado de casa, e o defensor Julian Ryerson levou até uma cafeteira pessoal, apenas por precaução.
Por isso, no acampamento da Noruega, a alimentação não é como em um laboratório, mas como em uma grande família.




Ótimo artigo!!!
Interessante e nada entediante!!!
E delicioso (ponto)
Esses detalhes internos são muito interessantes. Parecem pequenas coisas, mas desempenham um papel importante
Sim. Futebol é futebol, mas esses relatos sobre os bastidores (em sentido amplo) também são muito curiosos.
6000 kcal por dia é muito, mesmo para o Haaland.
seis mil calorias, não kcal
Ou seja, seis quilocalorias? Acho que até um hamster consome mais.
Artigo interessante.
Estou com fome
O “queijo marrom” se chama brunost. É feito em um processo longo: evaporado por horas a partir do soro de leite. Ainda assim, os fiordes da Noruega não são os Alpes). E sim, o brunost é um símbolo culinário da Noruega, como a pizza italiana ou o nosso cuscuz, por exemplo 😉
Acho que é uma forma de aproveitar os subprodutos da produção de outros queijos. Aqui, por exemplo, esse soro é transformado em pó para misturas nutritivas. Mas, considerando a particularidade cultural, o queijo norueguês tem um valor agregado maior. Antigamente, até na região de Leningrado, os finlandeses vendiam isso às margens das estradas.
Sim, é uma forma muito trabalhosa de usar o leite até a última gota de soro. E nas condições dos Alpes, por exemplo, seria inviável. Muito trabalho, pouco retorno, e o queijo não fica exatamente doce. Mas, se a natureza não permite rebanhos grandes com alta produção de leite, essa supereconomia do leite faz sentido.