Agora eu só olhava para o Ronaldo que partia. Lágrimas, banquinho e ignorar – Gamardžoba

Reportagem de Vladimir Ivanov.

Alguém fantasiou que Cristiano, com seu corpo perfeito, profissionalismo louco e obsessão assustadora, jogaria na próxima Copa do Mundo, aos quarenta e cinco anos. Mas as conversas foram cortadas pelo próprio Ronaldo alguns dias antes da partida: este torneio é o último.
Entendendo que a Espanha poderia ser o ponto final da jornada de Cristiano nas Copas do Mundo (e talvez até na seleção), eu registrei todas as suas ações e detalhes ao redor. Exatamente como com Messi no jogo contra Cabo Verde.
Cristiano brilhou no aquecimento, mas durante o jogo muitas vezes passou despercebido

No aquecimento, Ronaldo estava muito bem. No quadrado, não perdeu a bola nenhuma vez. Quando chutou ao gol, marcou 7 em 10. Messi, antes do Cabo Verde, teve 0 em 7 (não foi à toa que contei). É verdade que Cristiano marcou a maior parte de dentro da área, no máximo da linha, enquanto Leo treinava chutes de 20 a 22 metros.
Interessante que, quando os portugueses se reuniram em círculo antes do início, quem falou não foi o capitão, mas o zagueiro Rúben Dias.
Observar o número 7 foi tão fácil quanto observar o 10 argentino. Cristiano também não participou da pressão, principalmente caminhou e acelerou por alguns metros apenas em momentos específicos. A diferença chave está na influência no jogo. Praticamente em qualquer situação de ataque, os argentinos tentavam encontrar Messi. Já Ronaldo, por outro lado, às vezes era ignorado, mesmo quando estava livre. Ocasionalmente, Cristiano gesticulava insatisfeito, mas não se revoltava abertamente.
Nos primeiros 8 minutos, Ronaldo tocou na bola apenas uma vez. Escorou de cabeça.
Depois, uma tentativa fracassada de drible e um chute ao gol após um ótimo passe de Bruno Fernandes.
Aos 20 minutos, fez mais um passe preciso de primeira, e isso foi tudo o que fez até a pausa para hidratação. Pouco.
Depois disso, ficou um pouco mais interessante: uma falta conquistada (mesmo que em sua própria metade), um drible bem-sucedido, uma tentativa de finalização acrobática após um chute de João Félix.
Mas ainda assim, ele raramente tocava na bola. E enquanto os encontros de Messi com a bola frequentemente resultavam em jogadas perigosas, Ronaldo constantemente passava de primeira para o companheiro mais próximo, diminuindo o ritmo do ataque.
Na pausa para hidratação, Cristiano precisou de uma cadeirinha
Em campo após o intervalo, Cristiano foi o primeiro a entrar. Ele tem energia de sobra. E os primeiros 15 minutos do segundo tempo foram animados. Houve uma jogada individual, alguns movimentos para áreas vazias e uma falta conquistada.
Mas o bom ritmo cobrou seu preço. Na pausa para hidratação, que tradicionalmente é vaiada aqui, Ronaldo foi o único das duas equipes a sentar em uma cadeirinha (em forma de geladeira). Os líderes da seleção discutiam algo, enquanto ele simplesmente se recuperava. Ele se juntou ao grupo geral apenas no final.

Havia a sensação de que ele, de 41 anos, seria substituído a qualquer momento. Mas não: saíram Nuno Mendes (por lesão), João Cancelo, João Félix, Vitinha, Pedro Neto – e a esperança no milagre de Ronaldo continuava. Afinal, é o Ronaldo.
Embora fosse difícil ver esse Cristiano assim. Sensação semelhante à de assistir a Nadal nas Olimpíadas de 24. Em seu amado Paris, ele mal passou por Fucsovics, e depois foi atropelado por Djokovic. Rafa, o rei do saibro, jogando em uma quadra onde tem uma estátua, parecia completamente impotente. Até pouco tempo, ele reinava ali; agora, sofria.
E o mesmo acontece com Ronaldo. Um dos maiores da história do futebol. Um homem que apaixonou as pessoas pelo jogo. Uma lenda.
Que já tem 41 anos.
A vontade de vencer e se destacar ainda é imensa. Mas, nessa fase, nem mesmo um mestre como ele consegue superar o tempo.
Após o gol sofrido no apito final, ele não caiu no campo, não pulou de indignação, mas aceitou tudo com surpreendente calma. No minuto 94, ele se movimentou, correu, se ofereceu. Mas a chance não apareceu. E isso foi nada hollywoodiano.
Cristiano não conteve as lágrimas ao deixar o campo. Saiu entre os primeiros.

Parabenizou os espanhóis, abraçou calorosamente Yamal, agradeceu aos árbitros e companheiros. Depois, acenou casualmente com a mão e desapareceu nos vestiários.
Certamente, ele não imaginava que os últimos minutos no campeonato mundial seriam assim.
“Eu conquistei três títulos para Portugal. Antes de Cristiano, Portugal não havia ganhado nenhum”. As últimas palavras
Na zona mista, era um caos. Jornalistas se alinharam em sete fileiras. Quase todos sacaram seus telefones. Os mais ousados tentavam se aproximar, buscando tocar a estrela. A jovem a quem ele respondeu pulava de felicidade.

Os outros portugueses, chateados com a eliminação, passavam um a um pela zona mista. Ronaldo encontrou forças para parar. Formou-se uma aglomeração.

Aqui estão suas palavras:
«Amanhã eu vou acordar exatamente como hoje: tranquilo. Eu fiz tudo o que pude.
Eu conquistei três títulos para Portugal. Antes de Cristiano, Portugal não havia ganhado nenhum.
Então, estou feliz. Sinceramente, o principal título da nossa seleção – a Euro 2016 – é tão importante para mim quanto a Copa do Mundo.
Portanto, repito, na minha consciência estou em paz. Porque dei o máximo, é só isso.
Amanhã é um novo dia, a vida continua».





O time perdeu a Copa do Mundo, eu ganhei a Euro… está tudo claro, campeão.
Sem esse ego, ele não teria se tornado quem é hoje, mas, na minha opinião, foi isso que o destruiu no final da carreira. É até interessante pensar como os companheiros de seleção se sentem ao ler as palavras de Ronaldo sobre ‘eu ganhei a Euro para Portugal’, claro que sem ele não teriam chegado à final, mas, cara, você assistiu ao gol da vitória da lateral no final. Um comportamento repulsivo para mim.
O mais engraçado é que, se ele tivesse concordado em diminuir um pouco seu ego exagerado e assumido o papel de coringa, entrando nos últimos trinta minutos das partidas, Cristiano só teria a ganhar em termos de alimentar ainda mais esse ego. Porque, independentemente do que se diga, seus assessores de imprensa sabem muito bem o que fazem e poderiam apresentar essa atitude como algo heroico. Por exemplo: ‘O maior jogador do país, herói da nação, ciente de que já não está no auge, generosamente aceita o papel de reserva para continuar com a seleção e, por muitos anos, compartilhar sua experiência e sabedoria com as futuras gerações’. Bastaria apresentar isso de forma inteligente e divulgar em todas as redes sociais e publicações. Cristiano ainda é amado em Portugal, mesmo após Copas do Mundo como essa, e após algo assim, seria idolatrado pelo resto da vida.
Exatamente, Cristiano, a vida continua! Aliás, recomendo muito a pesca – pode ser bem emocionante!
Não precisa, com o seu entusiasmo, ele vai acabar com todos os baleias no iate dele.
Ele vai explodir todos os carpas e bagres com dinamite para bater recordes.
Material raro e digno sobre um grande jogador. Obrigado, Cristiano!
Onde estão os comentários do Piers Morgan?
Na verdade, o auge acabou depois que ele saiu do Real Madrid. Depois, foram apenas tentativas frustradas de voltar ao seu melhor momento. Situação semelhante à do Messi após sair do Barcelona. Exceto pelo fato de que Leo conseguiu ganhar a Copa do Mundo com a Argentina.
O erro de Colomvani apenas piorou a situação do ‘português celestial’ entre as grandes estrelas.
Ele permanecerá como o ‘melhor batedor de pênaltis de todos os tempos’
Ronaldo permanecerá, no mínimo, como o melhor jogador da Liga dos Campeões da história (que é o torneio de clubes mais prestigioso), tendo ganhado todos os troféus coletivos e individuais possíveis em dois times diferentes.
Quanto ao ‘batedor de pênaltis’, você está enganado, Cristiano, por exemplo, em 6 Copas do Mundo, bateu apenas 4 pênaltis, enquanto Messi, só em 2022, bateu 5.
Escreva quantos gols de jogo Messi e Cristiano marcaram na Copa do Mundo?
Quem precisa de um leão morto? Na Copa do Mundo, Ronaldo só prejudicou Portugal. É preciso saber a hora de sair.
Não entendi qual foi o sentido de incluir esse avô no jogo? Como ele ajudou o time? Provavelmente, ele foi incluído apenas para evitar escândalo. Ou como um talismã ambulante. Ambulante, porque ele já não consegue correr de ninguém.
Mas nas entrevistas, ele mostrou a todos quem é o arrogante.
Estava bem no aquecimento!😄😄🤣🤣