Futebol

A Seleção Brasileira como símbolo da Copa do Mundo – história e magia das camisas amarelas

Sempre no coração.

No início do jogo entre Brasil e Japão, o comentarista Dmitry Shnyakin observou que o uniforme dos brasileiros é reconhecível até mesmo para aqueles que não assistem a futebol.

E é verdade: a grande combinação de camisas amarelas, shorts azuis e meiões brancos é um verdadeiro símbolo das Copas do Mundo.

Você ouve algo sobre a Copa do Mundo e eles imediatamente vêm à sua mente. Com esses caras como pano de fundo, Baggio chutou para fora em 1994, Zidane marcou dois gols em 1998 e Oliver Kahn falhou em 2002.

Entendo que aqui há pessoas de diferentes gerações, mas tenho certeza de que muitos tiveram como primeira Copa do Mundo a de 1994, 1998 ou 2002.

Em cada uma delas, os brasileiros jogaram a final, e em duas – venceram. O público em geral não via a seleção brasileira em nenhum outro lugar além das Copas do Mundo, e lá ela sempre dominava.

Daí vem a forte sensação infantil de que a Copa do Mundo é, antes de tudo, um carnaval brasileiro.

Bebeto, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Ronaldinho, Cafu – os convidados mais esperados na festa.

E mesmo agora os brasileiros continuam assim, embora nos últimos vinte anos não joguem nem de perto como no final dos anos 90 e início dos anos 2000.

Desde 2006 começou o declínio (perderam para a França nas quartas de final), em 2010 a seleção foi, por algum motivo, confiada a Dunga, em 2014, no torneio em casa, chegaram às semifinais, mas então aconteceu o pesadelo com a Alemanha (1:7) e a goleada da Holanda (0:3).

Não deu certo em 2018 (foram eliminados nas quartas de final pela Bélgica), e também não funcionou em 2022 (perderam nos pênaltis nas quartas de final para a Croácia).

Os nomes já não são tão brilhantes: após o fim da grande geração, brilharam Kaká e Robinho, e depois, além de Neymar, ninguém mais se destacou.

Agora há o Vinícius, mas ele é praticamente a única superestrela.

Nesta Copa do Mundo, a seleção brasileira tem uma composição especial. Ainda é incomum ver um jogador do Zenit na defesa, um meio-campista bruto do Newcastle ditando o ritmo do jogo e, no ataque, apostas sérias em jogadores do Bournemouth, Brentford e, até recentemente, do Wolverhampton.

No entanto, a magia que as gerações passadas proporcionaram não desaparece. Vejo os jogadores com camisas amarelas, shorts azuis e meiões brancos – e ainda os percebo como parte daquele lendário time. Aguardo ansiosamente cada partida, cada torneio.

No segundo tempo contra o Japão, eles se apresentaram como deveriam ser.

Casemiro não se abalou após o erro e mudou o rumo do jogo, Gabriel fez cruzamentos perfeitos com a esquerda, ao estilo brasileiro, e Vinícius fez uma jogada mística, passando por todos.

Ryan está desesperado para se tornar uma estrela e dribla os adversários em espaços reduzidos, Guimarães está cada vez mais próximo do status de topo e dá passes únicos, e Martinelli está sempre pronto para aproveitar a única chance.

Sim, diante de nós está longe de ser a melhor seleção brasileira, mas ela definitivamente tem potencial para brilhar. Pelo menos em alguns momentos.

Por isso, estou aguardando o jogo contra a Noruega, acreditando em uma nova magia. Como a de Ronaldinho e Seaman em 2002.

Afinal, é o Brasil, que há décadas faz a história das Copas do Mundo.

Afinal, ela é a Copa do Mundo.

E que Brasil você lembra? Quais gols icônicos você revisita? E quem são os seus heróis favoritos?

Lara Magalhães

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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15 Comentários

  1. >Daí a sensação infantil persistente de que a Copa do Mundo é, antes de tudo, um carnaval brasileiro
    não.

  2. Lembro-me do Brasil na Copa do Mundo de 1990. Especialmente a eliminação para a Argentina nas oitavas de final. Elenco fortíssimo, ataque maravilhoso, vantagem em todos os aspectos e uma derrota por 1-0 a partir da única chance do adversário, com uma bela jogada de Maradona e gol de Caniggia.
    Aquela seleção era capaz de se tornar campeã mundial, mas os deuses do futebol decidiram diferente. Nisso está a dor e a beleza do jogo.

    1. Sim, é até estranho o que aconteceu com o Brasil naquela época. Elenco superb. Taffarel, Jorginho, Branco, Dunga, Alemão, Careca, Bebeto… E todos os mencionados estavam no auge de suas carreiras. O que aconteceu com eles naquele jogo é incompreensível.

    2. Bem, não foi a única chance dos argentinos. E há uma história conhecida, os argentinos admitiram que misturaram algo na água dos brasileiros quando trouxeram a água comum.

  3. A seleção brasileira sempre foi o destaque de todas as Copas do Mundo, mas apenas… até 2006.
    Antes disso, sim, independentemente do time ser superpoderoso ou apenas bom, sempre havia uma magia em torno dele.
    A última vez que isso aconteceu foi em 2006 – o time jogou brilhantemente desde a vitória em 2002 em todas as partidas, o elenco era um sonho: Ronaldinho, Ronaldo, Cafu, Roberto Carlos, Adriano. O principal favorito ao título com folga. Mas no final, foi um fiasco. Futebol chato e forçado, eliminação justa nas quartas de final.
    Depois disso, a verdadeira magia não voltou. Em 2010, o Brasil tinha apenas um Kaká semi-contundido como superestrela, eliminação justa para os holandeses mais fortes e interessantes com Robben nas quartas de final. 2014 nem vale a pena mencionar. Chegaram ao semifinal de qualquer jeito. E lá, 1:7 para a Alemanha. Uma vergonha total. Aliás, estava na arquibancada naquele jogo em Belo Horizonte. 2022 também foi mais ou menos, apesar de um elenco decente e um Neymar no auge, eliminação sem graça para a Croácia nos pênaltis. Neste campeonato, mal conseguiram um empate com o Marrocos, e nos últimos minutos superaram o Japão. Se não fosse o Vini, não haveria ninguém para assistir.
    Então, essa ‘magia’ é sobre o Brasil do passado, e não o de hoje.

    1. Bem, o que significa magia. Em 1994, 3 vitórias mínimas nas eliminatórias e a final nos pênaltis. Em 1998, também nos pênaltis, apenas passaram pela Holanda. E em 2002, perderam para a Inglaterra, por exemplo, nas eliminatórias. Havia chances de eliminação em todos os lugares. Não há dominação de nenhuma seleção nos últimos anos na Copa do Mundo. Qualquer campeão em algum jogo passou raspando. Porque há muitas equipes fortes. Sim, o estrelato dos brasileiros caiu, mas mesmo com estrelas, não se pode dizer que dominaram no final do século.

  4. Bem, claro, não há discussão, o Brasil é provavelmente a equipe de futebol mais conhecida do mundo. Todos sabem que os brasileiros jogam futebol, mesmo aqueles que não se interessam por ele. É como os EUA no basquete.

  5. Vou ser sincero, vi apenas um jogo deles nesta Copa do Mundo – contra o Japão.
    E nunca vi uma seleção brasileira mais primitiva do que essa.
    Don Carlo aparentemente trouxe o modelo europeu de quebrar a retranca – cruzamentos infinitos (Brasil e cruzamentos constantes?!) ou ‘passem a bola para o Vinícius – ele vai inventar algo’, isso com tantos dribladores! Quando os japoneses começaram a se fechar e abrir espaços na frente da área, ninguém tentou chutar, sendo o Brasil, onde o perigo está em qualquer um poder chutar de longe, em vez disso, pegando a bola já na zona de chute, o que eles fazem? correto – procuravam para onde rolar para o flanco para o cruzamento ou para o Vinícius.
    E um passageiro no banco.
    Enfim, se a Noruega passar por eles, não vou me surpreender nem um pouco.

  6. Temo que o Brasil atual vai tentar não dançar mais que a Noruega, mas vai tentar enfrentar o futebol denso deles.

  7. Infelizmente, o Brasil deixou de ser aquela seleção que fazia tremer as pernas, agora acho que a seleção francesa se encaixa mais nesse perfil.

  8. Encontrei minha equipe favorita para a Copa do Mundo pelo princípio ‘precisa ser o mais parecido possível com o Spartak’. Reis nos anos 90 e início dos anos 2000 e erros intermináveis depois, famoso espírito, tabelas, corridas, enorme hype e atenção da mídia, adoram perder de 7:1… Tudo aqui.

  9. Pelo clima e emoções – um acerto absoluto. A única observação, claro, é que o Brasil não venceu a final de 1994, o jogo terminou empatado.

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