Futebol

11 estrelas cujas suspensões a FIFA não reverteu – de Zidane a Ballack

Antes de Trump, já haviam ligado para lá!

Poderoso precedente judicial: a FIFA suspendeu condicionalmente a desqualificação do americano Folarin Balogun após um cartão vermelho direto nas oitavas de final contra a Bósnia e Herzegovina.

O atacante se prepara tranquilamente para a Bélgica, enquanto as redes sociais fervem: parece que a Casa Branca fez uma ligação e as rígidas regras do futebol se dobraram aos anfitriões do torneio. O técnico belga Rudi Garcia comparou a decisão da FIFA sobre Balogun ao Dia da Mentira.

A história das Copas do Mundo conhece centenas de tragédias em que jogadores-chave perderam etapas seguintes do torneio por causa de um único cartão. Relembramos 11 estrelas cujas desqualificações a FIFA manteve, apesar do status, das lágrimas dos torcedores e dos recursos das federações.

Leonardo (Brasil) – Copa do Mundo de 1994

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O que fez: cortou o caminho do centroavante búlgaro Hristo Stoichkov no meio do campo na semifinal (2:1), salvando a equipe de um mano a mano.

O que perdeu: a final da Copa do Mundo de 1994 contra o Brasil (onde Baggio desperdiçou o pênalti decisivo).

Por que não foi anulado: Costacurta cometeu a falta de forma consciente, mas ao ver o cartão amarelo (o segundo), levou as mãos à cabeça – percebeu que perderia a final. Os italianos tentaram contestar a decisão do árbitro, argumentando que foi um choque de jogo normal.

Mas a FIFA nem entrou em discussão. Na final, Arrigo Sacchi teve que escalar às pressas Baresi, que acabara de se recuperar de lesão, enquanto Costacurta, com lágrimas nos olhos, assistiu da arquibancada à derrota nos pênaltis.

Patrick Kluivert (Holanda) – Copa do Mundo de 1998

O que fez: deu uma cotovelada no peito de Lorenzo Staelens na partida de abertura contra a Bélgica (0:0).

O que perdeu: os dois jogos restantes da fase de grupos (contra Coreia do Sul e México) e as difíceis oitavas de final contra a Iugoslávia.

Por que não foi cancelado: Kluivert chegou à Copa do Mundo como o principal atacante da Holanda de Guus Hiddink. Na primeira rodada, o belga Staelens provocou Patrick durante todo o jogo e, segundo rumores, o chamou de assassino. Kluivert não se conteve e empurrou o adversário com o cotovelo. O árbitro daquela partida foi Pierluigi Collina, que imediatamente mandou o atacante para o vestiário.

Os holandeses insistiram nas provocações racistas do belga, mas a FIFA impôs uma suspensão rigorosa de três jogos ao atacante. Felizmente para a Laranja, eles chegaram às quartas de final, onde Kluivert, de volta, marcou imediatamente contra a Argentina.

Zinedine Zidane (França) – Copa do Mundo de 1998

O que fez: pisou no defensor da Arábia Saudita, Said Al-Owairan, na segunda rodada da fase de grupos.

O que perdeu: a terceira rodada do grupo contra a Dinamarca e as difíceis oitavas de final contra o Paraguai (onde os franceses só foram salvos pelo “gol de ouro” de Blanc).

Por que não foi anulado: foi uma agressão completamente estúpida e injustificada, bem na frente do árbitro. No Mundial em casa, a França era carregada por todo o país, mas a FIFA foi firme e aplicou a Zidane uma suspensão completa de dois jogos. Para a alegria de Aimé Jacquet, Zizu retornou para as quartas de final e, na final, marcou dois gols, eliminando a seleção brasileira.

Laurent Blanc (França) – Copa do Mundo de 1998

O que fez: empurrou levemente o croata Slaven Bilić no rosto durante a semifinal.

O que perdeu: a final em casa contra o Brasil.

Por que não foi anulado: um dos momentos mais injustos e vergonhosos da história da arbitragem na Copa do Mundo. Na cobrança da falta, Blanc estava em uma disputa de posição normal, enquanto Bilić “ganhou um Oscar” – segurou a cabeça e caiu no gramado como se tivesse sido nocauteado por Mike Tyson. O árbitro caiu na armadilha e mostrou o vermelho direto para Blanc.

O mundo inteiro viu nos replays a simulação clara, e toda a França implorou à FIFA para perdoar o líder da defesa antes da final. Mas as regras da FIFA na época eram inflexíveis: as decisões do árbitro sobre cartões em campo eram intocáveis. Mesmo para os anfitriões do torneio.

Ronaldinho (Brasil) – Copa do Mundo de 2002

O que fez: recebeu um cartão vermelho direto na lendária quartas de final contra a Inglaterra.

O que perdeu: a semifinal contra a Turquia.

Por que não foi anulado: naquela partida, Ronaldinho se destacou para o mundo: deu uma assistência, marcou um gol genial por cobertura em David Seaman e, sete minutos depois, pisou na perna de Danny Mills. O árbitro Felipe Ramos Rizo mostrou o vermelho imediatamente.

Os brasileiros tentaram argumentar que a falta foi acidental. Na semifinal contra a Turquia, Ronaldinho foi substituído por Edílson, e os futuros “Pentacampeões” avançaram para a final graças a um gol de Ronaldo.

Michael Ballack (Alemanha) – Copa do Mundo de 2002

O que fez: falta tática no sul-coreano Lee Chun-Soo na semifinal.

O que perdeu: a final contra o Brasil.

Por que não foi anulado: a situação foi um verdadeiro drama. Ballack já tinha um cartão amarelo, recebido nas quartas de final contra os EUA. Ao cometer a falta no sul-coreano, ele fez uma “falta de ouro” pela equipe, salvando a Alemanha de um contra-ataque e, minutos depois, marcando o gol da vitória.

Segundo as regras, não havia anistia antes da final – apelações não eram aceitas. Por isso, o capitão da Alemanha assistiu ao doblete de Ronaldo das arquibancadas. Foi exatamente por causa desse caso que a FIFA mudou as regras posteriormente, passando a zerar os cartões após as quartas de final.

Deco (Portugal) – Copa do Mundo de 2006

O que fez: tornou-se um dos principais protagonistas da “Batalha de Nuremberg” contra a Holanda.

O que perdeu: a quartas de final contra a Inglaterra.

Por que não foi anulado: Naquele jogo icônico, Valentin Ivanov distribuiu quatro cartões vermelhos. Deco recebeu o segundo amarelo aos 78 minutos por perder tempo e não devolver a bola aos holandeses (o que desencadeou mais uma confusão em campo).

Os portugueses imploraram à FIFA para revisar o relatório, argumentando que o árbitro perdeu o controle e distribuiu cartões para todos os lados. O comitê rejeitou o recurso. Nas quartas de final contra a Inglaterra, Luiz Felipe Scolari reformulou todo o meio-campo, mas foi o goleiro Ricardo quem salvou Portugal na disputa de pênaltis.

Luis Suárez (Uruguai) – Copa do Mundo de 2010

O que fez: jogou vôlei na linha do gol aos 120 minutos da quartas de final contra Gana.

O que perdeu: a semifinal contra a Holanda.

Por que não foi anulado: Provavelmente, a falta de última esperança mais famosa do século XXI. Suárez salvou o Uruguai da eliminação, sacrificando-se. Asamoah Gyan desperdiçou o pênalti, Gana foi eliminada nas cobranças e Luis celebrou nos vestiários.

A federação uruguaia tentou justificar como um ato instintivo, mas a FIFA não apenas manteve a suspensão para a semifinal, como também considerou estender a punição para a final ou disputa pelo terceiro lugar. Com Forlán, mas sem Suárez, o Uruguai perdeu por 2:3 para a Holanda na semifinal.

Thiago Silva (Brasil) – Copa do Mundo de 2014

O que fez: capitão, líder e principal estrela da defesa na Copa do Mundo em casa, nas quartas de final contra a Colômbia (2:1), correu desnecessariamente para atrapalhar o goleiro adversário David Ospina a afastar a bola e recebeu um cartão amarelo absurdamente ridículo.

O que perdeu: a semifinal contra a Alemanha. A mesma que terminou 1:7.

Por que não foi anulado: o cartão foi o segundo no torneio, o que significou uma suspensão automática. A Confederação Brasileira de Futebol fez um escândalo: apresentou um recurso formal à FIFA, implorando para que o aviso fosse anulado, já que Silva não foi violento, a falta foi mínima, e o Brasil perdeu seu capitão (além de Neymar ter se lesionado no mesmo jogo).

A FIFA respondeu com uma recusa dura: “Não há base legal para anular o cartão amarelo”. O país ficou sem seu líder, e o Brasil, mentalmente abalado, sofreu a maior humilhação de sua história. Há a sensação de que, com Silva na defesa central, as coisas não teriam desandado tanto.

Jerome Boateng (Alemanha) – Copa do Mundo de 2018

O que fez: recebeu dois cartões amarelos em uma partida intensa contra a Suécia (2:1).

O que perdeu: o decisivo jogo da terceira rodada da fase de grupos contra a Coreia do Sul.

Por que não foi suspenso: Boateng era um pilar insubstituível da defesa dos então campeões mundiais. Na segunda rodada, os alemães estavam em apuros contra os suecos, mas conquistaram uma vitória heroica aos 95 minutos, graças a uma cobrança de falta de Kroos. No entanto, aos 82 minutos, Boateng recebeu o segundo amarelo.

A Federação Alemã de Futebol tentou argumentar que a segunda infração não merecia um cartão e que havia um jogo crucial pela frente para a classificação. Sem Boateng, a defesa alemã se desestruturou completamente, e os alemães foram surpreendentemente derrotados pela Coreia do Sul (0:2), voltando para casa de forma vexatória.

E Garrincha em 1962?

No Campeonato Mundial no Chile, houve outro caso – justamente o único análogo histórico de Balogun. Na semifinal da Copa do Mundo de 1962 contra o Chile, o brasileiro Garrincha foi atingido nas pernas durante toda a partida. No final, ele não aguentou e deu um chute no chileno Rojas. O árbitro o expulsou de campo.

Em 1962, os cartões vermelhos ainda não existiam (foram introduzidos apenas em 1970). A expulsão de campo não significava automaticamente a suspensão do próximo jogo – a decisão sobre a desqualificação era tomada pelo comitê disciplinar após análise dos relatórios.

O Brasil lançou uma campanha em larga escala para salvar o jogador. O primeiro-ministro brasileiro Tancredo Neves enviou à FIFA um telegrama oficial solicitando o perdão do futebolista. Além disso, o presidente do Chile, Jorge Alessandri, e os torcedores chilenos, admirados com o jogo do brasileiro, também assinaram uma petição à FIFA pedindo que Garrincha fosse autorizado a jogar na final.

O árbitro assistente Esteban Marino, que registrou a infração e deveria prestar depoimento na reunião do comitê disciplinar, deixou o estádio e saiu de Santiago sem deixar um relatório escrito.

Sem seu testemunho crucial, a FIFA não conseguiu provar a gravidade da agressão de Garrincha. Dizem que os brasileiros pagaram as passagens de Esteban e deram a ele uma boa quantia para despesas. O zagueiro Rojas foi forçado a dizer que “foi uma brincadeira”, e a FIFA, pela primeira vez na história, perdoou um jogador.

Até julho de 2026, o caso de Garrincha permaneceu como um resquício único de uma era antiga. Mas a Casa Branca e Folarin Balogun provaram: se for realmente necessário, a FIFA está disposta a repetir o feito de 64 anos atrás.

🌭 + 🍔 + 🍺 = 💔

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Yasmin Fonseca

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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24 Comentários

  1. >>>O árbitro assistente chileno inesperadamente voltou para casa
    O quê? Na semifinal entre Brasil e Chile, o assistente era chileno? E para onde ele iria, se o torneio já estava acontecendo no Chile :)))
    Na verdade, com as bandeiras naquele jogo estavam o uruguaio Marino e o argentino Ventre.
    De qualquer forma, todos deveriam assistir à repetição daquele episódio para fins educacionais. Com um leve tapa de Garrincha, Rojas caiu imediatamente e começou a rolar na grama, provando que queriam matá-lo. Isso se refere à tese favorita de que meio século atrás, os jogadores jogavam como homens, e não como atores. Não sei como era na Europa, mas na América do Sul já era assim.

  2. Caniggia estupidamente perdeu a final da Copa do Mundo de 1990. Na semifinal, ele recebeu o segundo cartão amarelo no torneio por pegar a bola com a mão. E pronto, adeus final. Naquela época, nada foi anulado. Sem Claudio, a Argentina tinha poucas chances, mesmo com Maradona

  3. «Sem seu principal matador, o Uruguai perdeu para os holandeses (2:3)»
    Para ser justo, o principal matador do Uruguai naquela Copa do Mundo foi Diego Forlán.
    E se considerarmos todos os episódios, o mais frustrante, talvez, foi a suspensão de Laurent Blanc. Ballack também, é claro, mas lá pelo menos houve uma falta que merecia um cartão.

  4. “Se espremeram, rastejaram”. Que termos pejorativos são esses? O autor é um estudante? Nossa, o nível do jornalismo é muito “alto”

  5. Infantino e a FIFA são fracos!!!
    E por que Maradona (aliás, duas vezes) não foi punido – permanecerá um mistério
    Suárez é o verdadeiro Salvador!!!

  6. Ballack, em 2002, foi uma perda enorme, sem ele os alemães eram completamente sem identidade

  7. Faltaram os depoimentos de Mukhtarovich (ou seja lá como se chama) sobre como ele brincou ao colocar a perna na frente de Balogun de propósito

  8. O mais engraçado é que, em comparação com figuras como Kluivert, Zidane, Blanc, Ballack, Suárez, Thiago Silva e outros, ele é apenas um desconhecido e insignificante.
    Ele entrará para a história como o cara cuja suspensão foi cancelada de forma arbitrária.
    Uma Copa do Mundo vergonhosa em um tempo vergonhoso.
    Kluivert, aliás, logo após a suspensão, entrou para a história ao marcar gols consecutivos contra a Argentina e o Brasil. Ele não apenas confirmou sua reputação de jogador de grandes jogos, mas também se tornou o único jogador na história a marcar dois gols contra gigantes sul-americanos em um único torneio.
    E compare Balogun com ele – quem é esse? o que é isso?
    Ballack também é uma pena.
    Não é certo que a Alemanha teria vencido, mas a final teria sido completamente diferente.
    Ballack naquela temporada (2001-2002) mostrou, provavelmente, o melhor e mais produtivo jogo para um jogador de sua posição no século XXI.
    Ele estava simplesmente em chamas, sem mencionar que era o único jogador de campo de nível mundial naquela (ainda verdadeira) seleção alemã.

  9. A Alemanha de 2002 pode não ter sido o time mais estrelado, mas aqueles cruzamentos, passes longos e chutes ao gol eram muito impressionantes.

  10. Tudo estava normal com as chances lá. Tudo foi decidido por um pênalti duvidoso no final do jogo.

  11. Na África do Sul, tudo era como é agora, isso é verdade.
    E a mesma pessoa podia dar um gancho, pular com os dois pés para frente (o que os chilenos fizeram contra a Itália, por exemplo) e cair se contorcendo por causa de um tapa.

  12. Suárez era uma estrela em ascensão, com ele certamente não teriam perdido. Ele ‘com os dentes’ teria arrancado a vitória ))

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