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«Meu sobrenome originalmente era outro». Shara Bullet fala sobre Ronaldo, dinheiro e um erro no cartório – Puncher

Mestre de entrevistas curtas.

Sharabutdin Magomedov, também conhecido como Shara Bullet, está passando pelo período mais longo sem lutas. A última vez que entrou no octógono do UFC foi em julho do ano passado. Depois, se recuperou de uma fratura no nariz, participou de sessões de grappling com Arman Tsarukyan e Edson Barboza, e finalmente começou a se preparar na Tailândia para a luta contra Michel Pereira (27 de junho em Baku).

Shara tem aparecido menos na mídia, mas ainda com destaque. No podcast de Azamat Bostanov, lembrou-se de como, uma vez, seu avô, sem dizer uma palavra, encheu a geladeira do apartamento alugado do lutador com comida, e contou sobre a compra de um Mercedes blindado 126. E no documentário do UFC Eurasia, mostrou suas duas filhas pela primeira vez. “Essas são minhas piratinhas”, sorriu Shara, levando as meninas para jantar.

Para a luta contra Pereira, Shara atualizou sua bandana e agora aparece com um acessório de cabeça que traz a imagem do divertido Roger. Mas algo permanece inalterado: ele continua sendo o nº 1 no ranking P4P da Rússia quando se trata de contar histórias. Por exemplo, o fato mais interessante desta entrevista surgiu não de uma pergunta, mas de um comentário em resposta às palavras do lutador.

– Por que desta vez você decidiu se preparar na Tailândia e escolheu Abusupiyan Magomedov [28-7 no MMA, luta no mesmo torneio contra Michal Oleksiejczuk] como um de seus principais parceiros de sparring?

– Desta vez, viajei com minha família para Phuket porque era o Ramadã e precisava encontrar um lugar tranquilo para observá-lo [de 17 de fevereiro a 19 de março]. Já estive em Phuket várias vezes durante o Ramadã e adorei o ambiente, a atmosfera, onde nada distrai. Decidi ficar de vez.

Há parceiros de sparring suficientes lá. Conheço o Abus há muito tempo e agora temos um ótimo contato, ajudamos um ao outro nos treinos e sparrings. Agora, estamos lutando no mesmo torneio: eu enfrentei o oponente dele, e ele, o meu. Formamos a dupla dos Magomedov.

– Publicamos um artigo chamado “Quantos Magomedov lutam no MMA”. Quando o escrevi, percebi que há Magomedov suficiente para competir pelo cinturão em cada categoria de peso.

– Originalmente, meu sobrenome deveria ser outro. Alidadayev. Mas, quando meu avô o registrou na era soviética, eles colocaram o patronímico como sobrenome. O nome do meu pai foi registrado como sobrenome. Erros como esse eram comuns nos cartórios na época. Na minha família, me tornei Magomedov. Deveria ser Alidadayev. Mas, na escola, sempre havia 5 ou 6 Magomedov na sala de aula.

– Como você passou 11 meses sem lutas?

– Treinei constantemente. Pensava que o torneio aconteceria a qualquer momento. Por isso, estava sempre em processo de treinamento. Depois, surgiu a proposta de participar de lutas de grappling e comecei a me preparar para elas. Passei cerca de um mês em Gunib. Fui convidado para um torneio de grappling em Erevan. Lembro-me de ter ido ao aeroporto em Makhachkala, pensando que seria apenas uma semana e voltaria, até deixei o carro no aeroporto para não precisar ligar para ninguém ou ser buscado. Voei e ainda estou voando de volta. Minha viagem já dura mais de meio ano.

– É verdade que as lutas de grappling midiáticas pagam quase o mesmo que as lutas de MMA?

– No meu caso, o pagamento é muito próximo ao que recebo no UFC. Para alguns, pode haver apenas o interesse esportivo: lutar, competir. Mas meu interesse é ganhar dinheiro e fortalecer a visibilidade do torneio para os organizadores, atraindo um grande público.

– Alguns lutadores dizem que, ao entrar no UFC, você ganha tanta popularidade que isso rende mais dinheiro do que as próprias lutas. Você está competindo desde outubro de 2023. O que acha, ganhou mais com as lutas ou com o status de lutador do UFC, que trouxe filmes e convites para lutas de grappling?

– Não, minha maior fonte de renda é o meu contrato, e por isso agradeço ao Dana White. Sempre me concentrei nas lutas e continuo focado nelas.

– No filme UFC Eurasia, você disse que se dispersava muito com pedidos e ajuda às pessoas. O que te pedem?

– Há muitos exemplos. Às vezes, pessoas que não conheço chegam e dizem: “Ajude com isso, com aquilo”. E acabo gastando tempo e dinheiro para ajudar. Me envolvo nas situações das pessoas porque já passei por dificuldades e sinto que preciso responder. Meus gastos pessoais por mês são provavelmente um terço do que gasto para ajudar os outros.

– Com que emoção você assistiu à luta entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland?

– Fiquei decepcionado, mas o que fazer: lutas acontecem, e derrotas também. Ele também é um lutador do Cáucaso, então você se envolve emocionalmente, ainda mais quando o oponente é um americano. Às vezes, o corpo falha. Isso pode acontecer com qualquer lutador, porque ao longo da carreira todos temos entre 30 e 40 lutas profissionais. E em um dia, o corpo pode não responder como deveria.

– Como você lutaria contra Strickland se a luta fosse apenas em pé?

– Acho que dominaria. Não acredito que Strickland me supera em nada. Claro, admiro sua resistência, ele é como um boneco inflável – você bate nele, e ele continua firme. Você o derruba, bate, derruba, bate, e ele resiste e contra-ataca. E pode resistir até o ponto em que você já está cansado, mas ele ainda tem energia.

– Como você o derrotaria?

– Eu o encararia como um lutador sério e executaria meu plano ronda após ronda. Aliás, teria um plano diferente para cada ronda. No final, isso me traria o que eu busco ao entrar no octógono.

– Na Arábia Saudita, antes da última luta, apareceu um vídeo do seu encontro com Cristiano Ronaldo. Você está acompanhando ele e a Copa do Mundo de alguma forma?

– Estou assistindo. Vi quando eles cobraram uma falta contra o Uzbequistão, e um jogador simplesmente deitou na barreira. Eu nem sabia que isso podia ser feito em campo. Acompanho o Cristiano há muito tempo, e acho que quando ele era mais jovem, ele puxava muito a responsabilidade para si. Podia não dar passes, assumia o jogo sozinho, mas agora é um jogador muito coletivo. Um futebolista experiente e sábio.

Ao mesmo tempo, você vê os truques incríveis que ele faz nessa idade e se surpreende. Ele dá motivação para muitos jovens, mostrando que, se você cuida de si mesmo e mantém o foco na carreira, é possível jogar em alto nível mundial e alcançar esses resultados mesmo nessa idade.

– Você começou como goleiro de futebol. Ouviu que, na Copa do Mundo, o goleiro de Cabo Verde ganhou 10 milhões de seguidores em uma única partida?

– Não ouvi essa história. Acho que esse é o barato das Copas do Mundo. Lá, jogadores que ninguém conhece podem se destacar. E não são só os seguidores, mas também o valor deles pode aumentar várias vezes.

Yara Brito

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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5 Comentários

  1. Pirata é um lutador espetacular e uma pessoa divertida!
    Mas, objetivamente, não há chances de cinturão quando um MVP de quase quarenta anos o supera – isso é um indicativo.
    Ainda assim, tenho certeza de que ele construirá uma ótima carreira no UFC, seus combates virarão destaques, ele ganhará dinheiro, enfim, tudo dará certo! Só precisa de saúde e um pouco de sorte!

    1. Um MVP de quase 40 anos praticamente supera qualquer um em pé. Até o Garry tentou dominá-lo.

  2. Um bom lutador.
    Com sincera gratidão ao UFC pela oportunidade.
    Seus combates são interessantes de assistir devido ao amor pela arte dos golpes.
    Não é do nível do Page, claro, mas também é interessante e envolvente.

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