Tênis

Khachanov se posiciona contra Masters de duas semanas e os compara a Monte Carlo

Karen Khachanov e Yevgeny Kafelnikov discutiram os problemas dos “Masters” de duas semanas e os prêmios dos tenistas.

Khachanov: “Pessoalmente, sou contra os ‘Masters’ de duas semanas. Não é necessário ter nove ‘Masters’ mais os quatro ‘Slams’ – 13 torneios no formato de duas semanas. Em Monte Carlo, o torneio é perfeito – um dos ‘Masters’ opcionais. Ainda são oito dias: começam e terminam no domingo. Poderia ser nove dias, mas não 11, nem 12.

Kafelnikov: “Alguém perguntou sua opinião?”

Khachanov: “Perguntam, mas no final tudo se resume a finanças e ao que a ATP decide. Há um conflito de interesses entre o Conselho de Jogadores e a ATP. Quem está na administração é responsável pelos torneios. Eles não vão votar contra si mesmos. Quando se discutiu o aumento dos prêmios, concordou-se que isso só poderia ser alcançado reduzindo os torneios menores. Assim, os ‘Masters’ se tornam mais longos, eles ganham mais, nós ganhamos mais – e todos ficam satisfeitos.

Kafelnikov: “Mas você diz que não está satisfeito com os ‘Masters’ de duas semanas. Isso tira de vocês dois meses extras por ano, que poderiam ser usados para treinamento e descanso.

Khachanov: “Vou além – é uma completa bobagem que não se possa colocar um torneio de categoria 250 na segunda semana de um ‘Master’, mas colocam ‘Challengers’ de 175, onde se pode ganhar 175 pontos. Os jogadores têm a oportunidade de jogar, mas apenas nos ‘Challengers’.

Kafelnikov: “Certo, nessa situação vocês não têm direito a voto. Mas, por outro lado, vocês dizem que podem boicotar os ‘Slams’ – ou seja, a possibilidade existe. Onde está o limite?”

Khachanov: “Não existe (ri). O tênis é um esporte individual, cada um cuida de si mesmo. Sempre foi assim.

Kafelnikov: “Então, para que as conversas sobre boicote, sobre reduzir o contato com a imprensa para 15 minutos? Isso é absurdo.

Khachanov: “Concordo. A ATP e os ‘Slams’ são associações diferentes, não dependem uma da outra. A ATP teve a ideia de tornar os ‘Masters’ maiores – em dinheiro e duração – e, assim, adicionar bônus aos tenistas no final do ano. Paralelamente, eles planejavam pressionar os ‘Slams’ para que também houvesse mudanças – por exemplo, para que o lucro fosse dividido 50 a 50, profit share e assim por diante. Mas isso não acontece há três anos, e os jogadores enviam cartas pedindo que isso seja feito.

Ninguém fala em 50 a 50. Mas por que, do que os ‘Slams’ ganham conosco, recebemos, se não me engano, 15-17%? Não é o negócio mais justo”, disseram os tenistas durante o programa “Hardcourt” no canal First&Red.

Yara Brito

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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