Hóquei

Mikhail Sergachev mostrou sua cidade natal, Shchuchye, e a invenção do pai para patinação

Há alguns dias, estreou o filme “Férias com Sergachev”, que foi gravado na minha aldeia, Shchuchye, para onde vou todo verão.

Os rapazes da empresa Playmaker me procuraram: “Queremos gravar você no primeiro episódio. Vamos passar uma semana em Altai ou em algum outro lugar?”.

Eu disse: “Infelizmente, não poderei, justamente nessa semana vou para a aldeia”.

– Então vamos todos juntos e gravamos lá.

Pensei que seria uma ótima oportunidade para mostrar a aldeia onde cresci e para guardar essa lembrança em vídeo, em formato digital. Para que, quando sentisse muita saudade, pudesse simplesmente assistir ao filme novamente. Lembrar da minha aldeia, curtir o momento.

Nem imaginava que as gravações seriam em um formato tão legal e amigável. Os rapazes são abertos – produtores, equipe de filmagem, apresentadores. Nem parecia uma gravação – apenas andávamos pela aldeia e conversávamos. Às vezes, o operador se aproximava, e eu falava sobre o lugar que amo de todo o coração.

Meus avós também participaram. No início, não queriam, mas depois eles mesmos se juntaram e contaram tudo. Estou muito feliz, é simplesmente incrível.

Muito obrigado aos caras da Playmaker e aos ótimos apresentadores – Denis Kazansky, Andrey Nikolishin, Igor Jabrailov. Pela primeira vez na vida, fiquei feliz que uma câmera estivesse nos seguindo.

Gravamos, na minha opinião, cerca de nove horas de conteúdo. O filme ficou com 53 minutos – os caras prometeram fazer uma versão estendida para mim, de uma hora e meia a duas horas. Nossa família terá um filme tão acolhedor sobre o nosso lugar.

É aquela vila do primeiro post, na região de Voronej, distrito de Ertil. Foi lá que meu pai cresceu e estudou. Todas as minhas tias e tios são de lá, e sempre íamos visitá-los. Eu comecei a ir quando tinha uns seis anos. Todo verão, eu mal podia esperar para deixar Nizhnekamsk e ir para lá, para ficar com meus avós.

No verão, éramos cerca de vinte pessoas, ou talvez mais – todos morando na mesma casa, uma grande turma, nos divertindo muito. Minha infância foi alegre.

Foi lá que conheci amigos com quem ainda mantenho contato. Nadávamos no rio, descansávamos, construíamos cabanas. É exatamente sobre isso que falo no filme.

Claro, também treinava lá. Meu pai e eu montamos um gol de hóquei, ele colocou uma tábua onde eu praticava meus chutes. Comprávamos os discos em Ertil, uma cidade a 30 quilômetros de distância.

Eu também tinha problemas com o patinação, e quando me mudei para o “Vityaz”, aos 12-13 anos, os treinadores me obrigavam a fazer uma posição mais baixa, a me agachar mais – porque eu patinava com as pernas retas. Meu pai fez um dispositivo, que mostramos no filme, e foi com ele que treinei o verão inteiro.

Meu pai é uma pessoa muito criativa e habilidosa, sempre inventava algo para mim. Fez um disco de ferro para eu treinar o chute – eu brincava com ele, tentava chutar, fortalecia os pulsos. Depois, inventou esse dispositivo para eu agachar um pouco mais. Criou inserções de ferro para os tacos, para que não quebrassem com os chutes.

Aqui eu já tinha uns 18 anos, foi quando me transferi do “Montreal” para o “Tampa” e estava me preparando para a temporada assim – algumas semanas antes de partir para a cidade.

Naquele momento, eu não valorizava toda essa ajuda como valorizo agora. Hoje entendo que tanto meu pai quanto minha mãe investiram em mim com todo o coração e todas as possibilidades que tinham.

Pai, mãe, obrigado.

Yara Brito

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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