Vinicius Coelho sobre a eliminação do Brasil na Copa de 2026: ser campeão novamente é apenas um sonho

O colunista da UOL, Paulo Vinicius Coelho, analisou a situação da seleção brasileira, que foi eliminada pela Noruega (1:2) nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 e deixou o torneio.
“Em 24 anos, o Brasil gradualmente perdeu os fundamentos para acreditar que pode ser uma potência do futebol.
O Brasil teve treinadores como Telê Santana, Zagallo, Luxemburgo no auge de suas carreiras e Felipão (Luiz Felipe Scolari). Em 2006, cinco dos 32 técnicos que comandaram seleções na Copa do Mundo eram brasileiros. Naquele time, havia três jogadores considerados os melhores do mundo: Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho.
Nos últimos 20 anos, o Brasil não teve jogadores desse nível, com exceção de Vinícius Júnior, que foi eleito o melhor jogador do mundo em 2024. A Copa do Mundo terminou com Carlo Ancelotti declarando explicitamente que é necessário buscar novos meio-campistas.
Não há mais laterais como antes, o centroavante Matheus Cunha diz que não é um camisa 9, mas um meio-campista, o goleiro foi titular em três Copas do Mundo consecutivas, e o maior número de derrotas em Copas do Mundo – 15 – ocorreu com o mesmo grupo de jogadores convocados.
Em parte, tudo isso também é resultado de um ciclo de quatro anos com quatro treinadores e dois presidentes da federação. Em parte. Porque a seleção Sub-20 foi eliminada da Copa do Mundo de 2025, terminando em último no grupo com México, Marrocos e Espanha, e perdeu para Israel nas quartas de final em 2023.
Antes, eles participaram de duas Copas do Mundo Sub-20, sem sequer competir. Sua última campanha digna foi em 2015, quando a equipe contava com a geração de Gabriel Jesus, Léo Pereira, Malcolm e Andreas Pereira. Desse quarteto, apenas Gabriel Jesus e Léo Pereira jogaram em Copas do Mundo.
Se o Brasil não revelou mais nenhum jogador de destaque nos últimos dez anos, por que Carlo Ancelotti diz que apenas essa seleção nacional pode pensar em ter 70 jogadores capazes de disputar uma Copa do Mundo? Ou ele superestimou essa geração e a capacidade de competir em pé de igualdade com qualquer outra equipe forte? Se não conseguiram vencer a Noruega, como poderiam derrotar a França?
É necessário refletir seriamente. Talvez isso já tenha começado com a declaração de Ancelotti sobre a necessidade de encontrar novos meio-campistas. O que parece essencial é organizar uma análise profunda das razões do fracasso, como fizeram os Países Baixos em 1986, após serem eliminados nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1986.
Ser campeão mundial novamente é apenas um sonho no momento. Para que isso se torne realidade novamente, é preciso trabalho duro e sério. Menos política, mas mais compreensão do que falta no desenvolvimento de jogadores, como antes. O Brasil é atualmente um celeiro de talentos? Por que a Colômbia pratica um futebol bonito e o Brasil não?
A discussão pode parecer insuficiente, mas é o primeiro passo para elaborar um conjunto de ações e um plano para os próximos dez anos. Até 2030, é fundamental ter um único treinador para todo o ciclo. Mas isso não é tudo. O Brasil precisa retomar seu papel como centro de desenvolvimento da cultura do futebol, como são hoje a Inglaterra, a Espanha e a França.
Para atingir esse nível, serão necessários dez anos. Se começarem agora, pode levar menos tempo”, escreveu Vinicius Coelho em sua coluna.





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Não quero decepcionar o colunista e piorar ainda mais a situação, mas Vinícius não foi reconhecido como o melhor do mundo em 2024, ele perdeu para Rodri