Futebol

Granit Xhaka – o treinador da Suíça em campo: toques de Kroos no jogo do capitão

Lukumsky fala sobre os toques de Kroos no jogo do capitão da Suíça.

Na partida entre Suíça e Canadá (2:1), houve um herói evidente – Joan Manzambi. O meia de 20 anos do “Friburgo” recebeu uma chance merecida no time titular e fez 1+1. Já destacamos sua influência na equipe após a vitória sobre a Bósnia. Ele adiciona imprevisibilidade e brilho no campo adversário.

Desta vez, gostaria de destacar a pessoa que controla o jogo da Suíça e organiza a equipe durante as partidas. O confronto foi uma excelente demonstração da importância de Granit Xhaka.

No esquema inicial, houve um confronto muito específico entre os pontos fortes das equipes. A Suíça insiste fanaticamente em jogadas curtas e pacientes, buscando o controle do meio-campo. O Canadá, sob o comando de Jesse Marsch, especializa-se em bloquear a zona central no esquema 4-4-2, que às vezes é fixado como 4-2-2-2 devido aos papéis estreitos dos pontas na defesa:

Ambas as equipes são boas no que fazem. A Suíça trocava passes com paciência, mas no início avançava pouco. Os canadenses mantinham o esquema e esperavam o momento para pressionar alto, mas quase não conseguiam recuperar a bola, já que os suíços seguravam bem a posse.

O desenho tático praticamente armava uma armadilha para Jaki na zona onde ele está acostumado a controlar o jogo e dar passes progressivos.

Granit leu o esquema e encontrou a solução. Ele se posicionava nas zonas próximas aos zagueiros centrais e controlava o jogo de lá. No campo adversário, também utilizava as zonas próximas às laterais:

O movimento de Xhaka forçava o esquema do Canadá a se esticar de maneira atípica, ou a dar liberdade ao melhor passador em campo.

Na prática, funcionava mais ou menos assim. Xhaka no slot de zagueiro central pela esquerda – a dupla de atacantes não o marca, e o ponta Tajon Buchanan avança com atraso:

Granit consegue preparar a parede e avança a partir do espaço que, normalmente, estaria coberto:

A pressão é quebrada. Mansambi recebe a bola sozinho com algumas opções para continuar:

Aqui, o Jack já está na parte direita do campo. Agora, fora da zona opressiva, ele não recebe liberdade para se preparar para o passe construtivo, que literalmente divide o esquema do Canadá:

Quanto mais o tempo passava, mais brechas Xhaka encontrava. O plano inicial era minimizar sua influência. Por um tempo, até se poderia elogiar o Canadá pela execução da estratégia. Mas Granit leu o jogo e retomou o controle, o que lhe rendeu o maior elogio possível: nesta atuação, Xhaka mostrou toques de Toni Kroos.

Exatamente Kroos, e não Pirlo, Busquets, Rodri ou qualquer outro grande volante passador. Toni tinha uma característica essencial: ele é o melhor da história moderna em ler o esquema do adversário e exercer uma influência quase de técnico no jogo. Outros podiam engrandecer o sistema, tornar todos ao redor melhores dentro da sinergia da equipe, mas Kroos definia o ritmo e, com mais graça que qualquer um, moldava o jogo ao seu estilo.

O Xhaka da fase atual incorporou essas qualidades. Talvez seja possível destacar dois pontos de virada.

O primeiro: a parceria com Xabi Alonso no Bayer. O espanhol não apenas devolveu Granit ao papel de volante articulador, mas também revelou todo o seu potencial em um sistema favorável. O Bayer campeão dominava o controle, mantinha a posse de bola até mais que o Bayern e distribuía passes pela zona central.

A qualidade do passe de Xhaka sempre esteve lá, mas a maturidade surgiu exatamente nessa fase da carreira, sob a influência de Alonso. Foi nessa época que Granit contou que estudava intensivamente os jogos de Kroos.

“Claro, gosto de estudar grandes jogadores. Sou um grande fã do Toni Kroos. Há um movimento dele que acho particularmente útil – como ele usa os movimentos das mãos e do corpo para indicar que vai passar para a direita, mas passa para a esquerda”, mencionou Xhaka em 2025.

O suíço copiou esse movimento de forma intencional, mas durante o estudo, aprendeu muitos outros truques úteis. Na última temporada de Kroos no Real, Xhaka esteve ao lado dele em precisão de passes sob pressão – 91,8% para Toni e 91,6% para Granit. Já naquela época, Xhaka havia se reinventado (é uma pena que alguns ainda o avaliassem com base em estereótipos antigos).

O segundo ponto importante: a formação como treinador. Xhaka começou isso ainda no Arsenal, junto com Cédric Soares, Mohamed Elneny e Rob Holding. O iniciador foi Soares. Os jogadores abordaram Arteta e perguntaram se deveriam começar já. Arteta apoiou.

Na Alemanha, Xhaka não foi apenas jogador do Bayer, mas também treinador do Union Nettetal, da Oberliga Niederrhein, que é o quinto nível na hierarquia das ligas alemãs. Ele trabalhou lá opcionalmente como parte de sua formação para a licença de treinador A.

“Minha mentalidade mudou completamente. Agora, quando entro em campo, avalio o que está acontecendo tanto do ponto de vista do jogador quanto do treinador. É ótimo”, refletiu Xhaka.

E isso é o que ele disse sobre seu estilo de jogo na fase final de sua carreira: “Mudei muito ao longo dos anos. Minha mentalidade é completamente diferente. Agora estou muito mais calmo. Meu jogo tem mais clareza e planejamento. Sei quando preciso avançar para pressionar e quando recuar. Sei quando acelerar o jogo e quando desacelerar”.

A partida contra o Canadá é um bom exemplo. Xhaka leu a intenção do adversário, a interpretou quase como um problema geométrico, propôs uma solução rápida e organizou os companheiros ao seu redor para executá-la.

O futebol moderno sente muita falta de Kroos. Nunca haverá outro como ele. O que Xhaka fez contra o Canadá, Toni era capaz de fazer em qualquer nível, incluindo finais da Liga dos Campeões. Ele é insubstituível. Assistir ao seu jogo é um privilégio. Decifrá-lo é um prazer intelectual.

Resta apenas sentir nostalgia ao observar Xhaka e reconhecer em seu jogo toques de um grande. Ele não é Kroos, mas às vezes merece ser mencionado ao lado dele no mesmo texto.

Iara Sousa

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

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