Futebol

Gestão de Carlo Ancelotti em partidas na Copa do Mundo de 2026 – como ele vira o jogo

Quando no Brasil criticam Carlo Ancelotti, em algum lugar Jürgen Klopp fica triste:

«Se eu fosse brasileiro e me pedissem para nomear o treinador ideal para a seleção, eu responderia sem dúvidas: Ancelotti. E não há pessoa mais adequada para ajudá-los a melhorar. Ele pode comandar qualquer seleção, basta levantar uma sobrancelha».

Levantando a sobrancelha…

O próprio Carlo responde aos críticos de forma tática: “Eu me preparei para mais de 1400 partidas. Talvez isso não seja suficiente para entender futebol, mas é uma boa experiência. Apenas uma pessoa se preparou mais do que eu – Alex Ferguson, com 2000 partidas. Eu aceito conselhos de todos, mas ele é o único que realmente pode me aconselhar. Acho que não sou um gênio, mas sei que também não sou um tolo”.

Mas há um aspecto em que Ferguson também ouviria o conselho de Carlo – o gerenciamento de partidas. Parece ser o ponto forte do Ancelotti mais recente, que também é observado na Copa do Mundo de 2026 – vamos analisar.

Vamos deixar de lado as partidas contra Haiti e Escócia, que ofereceram quase nenhuma resistência.

1. Marrocos. Ancelotti errou no plano inicial: o esquema 3-2-5 com posse de bola foi um fracasso:

Três movimentos estranhos que Carlo fez no intervalo:

1. Raphinha como segundo ponta pela esquerda: em teoria, apoio a Vinícius, na prática, atrapalhou;

2. o truncado Roger Ibañez como lateral-direito, em vez de Danilo;

3. Lucas Paquetá mais à direita no meio, mesmo que desconfortável. Resultado: flanco direito neutralizado.

O equilíbrio nas alas foi quebrado, e o Marrocos se aproveitou: dominou o centro e neutralizou Casemiro–Guimarães. O Brasil foi forçado a jogar em zonas que foram comprometidas por suas próprias decisões.

Em meia hora, Raphinha já foi deslocado para a direita. Este foi o primeiro e mais claro reconhecimento do erro.

No segundo tempo, Ancelotti mudou para o 4-3-3, colocando Paquetá na esquerda. Substituiu Casemiro por Fabinho, que ajudou a recuperar o controle no meio-campo. Pediu a Rodrygo e Douglas Santos que ficassem mais recuados, transferindo toda a criação para os pontas. O Brasil limitou o adversário, deixando uma impressão mista.

Após a partida, Carlo parecia irritado, mas logo apresentou uma análise equilibrada: “Começamos o jogo mal e de forma passiva. Estávamos um pouco tensos, perdemos muitas bolas e muitos duelos – um primeiro tempo ruim. Eles saíam com facilidade da pressão e lançavam contra-ataques perigosos. Podíamos ter controlado melhor o jogo, mas o Marrocos é uma equipe forte. Estou satisfeito com o empate, mesmo que seja assim”.

2. Japão. Carlo enfrentou um adversário organizado, preparado e calmo.

Ao contrário do jogo contra o Marrocos, o técnico não corrigiu, mas buscou soluções. Durante a Copa do Mundo, o foco do ataque mudou das alas para o centro – aparentemente, em grande parte devido à lesão de Raphinha. O Brasil enfrentou dificuldades. Sem a posse de bola intencional, o Japão jogou no 5-4-1, mantendo-se extremamente compacto em todas as linhas.

Com a bola, o esquema mudava para 3-2-4-1, mas quase não vimos isso. O Japão não planejava atacar muito, mas apostou na solidez. Esse é o seu trunfo.

Ancelotti entendia isso, mas, provavelmente, não estava preparado para tamanha organização. O Brasil faltava amplitude, e Matheus Cunha e Paquetá, que com seus movimentos poderiam compensar isso, tiveram uma atuação mediana. Após o jogo, Carlo enfatizou: a equipe não se perdeu, mas buscou soluções.

Ele encontrou respostas. Após o intervalo, Endrick entrou. Talvez ele não tenha ajudado com um gol. Mas, em primeiro lugar, se tornou um alvo adicional para passes. Em segundo lugar, fortaleceu o flanco direito com constantes deslocamentos e rotações com o ponta Ryan. O Brasil passou a atacar com mais variedade e, o mais importante, com muito mais amplitude.

Além disso, após o intervalo, passaram a pressionar mais. O Japão desmoronou sob a pressão, sem oferecer muita resistência. Ancelotti acertou ao colocar Gabriel Martinelli: ele se destacou na marcação sobre Vinícius. Martinelli aproveitou o fato de terem decidido marcar Júnior quando empurrou a bola para o gol da vitória.

“Acho que foi o nosso jogo mais completo”, avaliou Carlo. – No primeiro tempo, tivemos dificuldades para criar oportunidades. O Japão se defendia bem. Após o intervalo, buscamos soluções: cruzamentos, jogadas na área. Comparando com a partida contra o Marrocos, o progresso é evidente. Tentamos ganhar vantagem no meio-campo com quatro jogadores, buscamos jogadas entre as linhas e passamos a bola para os atacantes com frequência. Isso não funcionou, pois o adversário estava muito compacto em sua metade do campo. No intervalo, fizemos ajustes e conseguimos resolver.

Carlo, na Copa do Mundo, não apenas corrigiu seus erros, mas também jogou um xadrez tático. Houve decisões estranhas, mas é claro que o treinador entende os recursos que tem à disposição – e os utiliza de forma extremamente eficaz. Ancelotti constrói essa seleção brasileira com sua habitual dependência dos jogadores, mas ninguém se destaca tanto quanto o treinador. Talvez apenas Vinícius, mas ele também floresce tanto justamente sob o comando de Carlo.

Ancelotti não tem uma receita específica, mas conhecemos suas estratégias. Seu assistente de longa data, Paul Clement, contou que o primeiro tempo com Carlo é frequentemente dedicado à análise, a partir da qual são feitas ajustes. No segundo tempo, se o roteiro exigir, o treinador se adapta às jogadas do adversário.

Estritamente falando, uma partida de Ancelotti pode ser dividida em três etapas principais:

1. primeiro tempo: avaliação do adversário e da eficácia do plano inicial.

2. início do segundo tempo: adaptações e correção dos principais erros;

3. segunda metade do segundo tempo: mais uma série de adaptações táticas.

Em todas as etapas, Ancelotti é um maestro da flexibilidade. Carlo é ajudado por sua capacidade de sentir sutilmente todas as suas equipes. Isso é resultado de uma filosofia cuja base sempre permanece nos jogadores, e não no treinador, mesmo um tão grandioso. Ele conhece profundamente as qualidades de seus jogadores e faz ajustes eficazes.

Um aspecto subestimado do gerenciamento de partidas de Carlo são as cinco substituições. Ele usa todos os slots e não se envergonha disso. Ancelotti não se adaptou imediatamente às novas realidades, mas foi ajudado por seu assistente e filho, Davide. Juntos, concluíram que é mais correto fazer 2-3 substituições até o 70º minuto e, se necessário, usar as restantes. Ele segue esse esquema ao longo de todo o campeonato.

E o mais importante.

Ancelotti está sempre calmo. Sempre. Thibaut Courtois contou que, durante o tempo em que trabalharam juntos no Real Madrid, o treinador nunca gritou ao falar sobre as dificuldades do primeiro tempo. Ele permanece tático e explica, em vez de expor suas jogadas. A confiança é transmitida aos jogadores: por exemplo, Rodrygo lembrou que não estava nervoso ao entrar em campo na histórica partida contra o Manchester City no Bernabéu:

“O técnico sempre sabe o que está fazendo”.

Matias Pereira

João Silva é um renomado jornalista esportivo português, formado pela… More »

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12 Comentários

  1. O treinador perfeito para o Brasil. Espero que Klopp se torne o mesmo para a Alemanha. Aliás, acho que Pep se encaixaria muito bem na Inglaterra.

  2. Por enquanto, seu Brasil parece mediano. Mas é possível que para essa seleção, apenas o primeiro tempo tenha passado. Hoje, continuando a usar a bela analogia do autor, ‘começo do segundo tempo: adaptação e trabalho nos principais erros’. Já está na hora.

  3. Com todo o respeito a Ancelotti, não diria que sua gestão na partida contra os japoneses deixou uma impressão clara.
    Primeiro, sofreram os gols iniciais – e só foram para frente aos 90+5.
    Foi perigoso.
    E ainda há adversários mais fortes pela frente.

  4. O jogo contra o Japão foi decidido justamente pela escolha envolvendo o Vinícius, no segundo tempo ele ficou preso à linha lateral, não invadiu o centro como no primeiro tempo, Douglas foi liberado para avançar e ajudá-lo, o que esticou a já cansada defesa japonesa. Então, Ancelotti jogou bem seu único trunfo (com todo respeito a Endrick e outros).
    Vai ser interessante ver se o treinador conseguirá continuar usando sua peça valiosa com sucesso.

  5. Não há seleção mais perfeita para Guardiola do que a Espanha. Eles já estão jogando o futebol do Pep, até o falso 9 está lá

  6. Quem se beneficiou muito da pausa para hidratação foram os próprios marroquinos, que no final do primeiro tempo foram pressionados pela Brasil na área justamente após pequenas mudanças táticas no intervalo. No segundo tempo, a Brasil dominou completamente, como ninguém tinha feito contra o Marrocos nessa Copa.

  7. Sim, mas ir para a seleção espanhola não é a decisão mais óbvia para o Pep. Primeiro, por causa de suas visões políticas. Segundo, há o risco de repetir o cenário de Munique, quando ele assumiu o lugar de Heynckes, que construiu uma máquina perfeita. Esse período é parecido com o tempo de Mourinho no Real – montou um time incrível, criou uma base tática para o futuro, mas nunca ganhou a Champions, então o trabalho não pode ser chamado de triunfal. Os espanhóis já são bem-sucedidos sem o Pep, com Guardiola teoricamente podem dominar por muitos anos, mas também podem falhar no momento decisivo. Até uma semifinal de Copa do Mundo ou Eurocopa com Pep pareceria um fracasso para os espanhóis. Já a Inglaterra é outro caso. Se ganhar um troféu, será um herói nacional. Se não, bem, é a Inglaterra, né)) Aliás, Portugal também se encaixa bem no geral

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