Futebol

«Eles jogam como se tivessem 7 ou 8 anos». O grande retorno da Argentina de perto – Cozinha da Alma

Romantsov transmite de Atlanta.

Antes do jogo, estava tão quente que uma pessoa na fila de jornalistas tirou a camisa. Este é Massimo Ambrosini, que trabalha aqui como especialista da Dazn. Na entrada do estádio, ele finalmente vestiu a camisa e informou aos repórteres asiáticos e europeus que o cercavam que esperava um jogo extremamente agressivo.

E acabou sendo tão preciso quanto o corte com a tesoura no jogo contra a Fiorentina em 2001. No primeiro tempo, houve muito mais disputa e dureza proposital do que momentos brilhantes no gol.

Para um melhor equilíbrio e contenção do adversário, Scaloni deixou De Paul no banco, escalando Paredes no meio-campo. Como resultado, ambas as equipes se concentraram em uma pressão intensa e na destruição durante o primeiro tempo.

Os argentinos, em modo de marcação como no hóquei, lidavam com Bellingham, enquanto os ingleses (especialmente Elliot Anderson) cometiam faltas pequenas para frear a inspiração de Messi. A Argentina tinha uma leve iniciativa, mas a Inglaterra controlava bem o espaço.

Após o intervalo, a Argentina voltou mais agressiva, com chutes mais precisos, mas foi a Inglaterra que abriu o placar, pegando o adversário em uma rápida transição da defesa para o ataque. Kane recuou e fez um passe para Rodgers, que cruzou perfeitamente para o segundo poste, onde Anthony Gordon se antecipou a Nahuel Molina e marcou.

Depois, a Inglaterra recuou e, com as substituições de Gordon e Rice, parecia esperar pelo ataque argentino.

Scaloni, ainda no meio do segundo tempo, substituiu Paredes por González, alongando a defesa inglesa. De Paul, que entrou no lugar de Simeone, acrescentou dinamismo e cruzamentos perigosos. Por fim, a entrada de Lautaro no lugar de Tagliafico parecia ter confundido completamente os ingleses, em termos de marcação.

Devido ao bloco defensivo muito recuado e ao caos tático, a Inglaterra ficou vulnerável, e após um escanteio aos 85 minutos, Messi ganhou espaço para manobrar: aproximou-se de Spence, deslocou-se para o canto da área e cuidadosamente rolou a bola para Fernández, que vinha de trás.

A área na frente da grande área estava vazia (após as substituições, os ingleses faltaram entrosamento e compactação), e Enzo chutou com precisão: parece que as costas dos jogadores ingleses impediram Pickford de defender o chute.

Cinco minutos depois, Mac Allister acertou a trave, e Messi foi o primeiro a se posicionar no rebote, pegou a bola e apareceu no flanco direito do ataque. Os defensores da Inglaterra estavam agrupados no centro, esperando um cruzamento para a área, e perderam o movimento de Lautaro, que sabiamente recuou e se desvinculou dos adversários na trave oposta.

Messi fez um passe suave para lá, e Lautaro colocou a Argentina na final.

E houve abraços, lágrimas de felicidade e beijos – tudo o que é indispensável nas vitórias da equipe de Scaloni.

– O povo argentino quer abraçar e agradecer a vocês, – disseram ao técnico na coletiva de imprensa. – Dizem que a Argentina sempre vence com sofrimento, mas desta vez houve também um excelente jogo. Este é um passo fundamental. O que você diria às pessoas que estão celebrando nas ruas agora?

– Que celebrem e aproveitem este momento. Quero que agradeçam aos jogadores. Este grupo é difícil de descrever em palavras, minha voz até falha de emoção. É um exemplo de irmandade, eles lutam até o fim. Faremos de tudo para vencer a final.

– Estamos todos chorando de emoção, já são 40 dias longe de casa. Em torneios passados, derrotamos a França de forma incrível, mas hoje foi uma demonstração de caráter, força e futebol, especialmente nos últimos 40 minutos. Você não achou que, nesse momento, nós [argentinos] simplesmente passamos por cima da Inglaterra, apesar de todos os comentários de que a Argentina recebe ajuda?

– Os rumores de “ajuda” sempre existirão, eles não me afetam. Com o sistema VAR, agora é praticamente impossível ajudar alguém de forma secreta. Mas, falando sobre o jogo em si: esta equipe mostra seu melhor futebol justamente quando enfrenta dificuldades. Basta o adversário hesitar um pouco, sentimos o cheiro de sangue e vamos até o fim.

Lembra quando, depois do jogo contra o Egito, pensamos que aquele era o limite das emoções? Mas hoje superou tudo. Pelo nível do jogo, foi incrível, considerando que era uma semifinal. Que eles celebrem hoje, são momentos raros de pura felicidade, porque amanhã de manhã começa o que chamamos de ressaca e rotina.

– Depois do Egito, você nos ajudou com os títulos, chamando o jogo de “épico”. Os epítetos estão acabando, que palavra você escolheria para o jogo de hoje?

– Algo também como “épico” ou “histórico”. Eu conheço esses caras [jogadores], eles são como índios, no bom sentido. Cresceram em um ambiente de competição acirrada, onde não tinham medo de ninguém nem de nada, eram os melhores em tudo desde a infância. A responsabilidade não os pesa.

Olhe para o Messi nos últimos 20 minutos: ele simplesmente pegava a bola e controlava o jogo. Montiel entrou como se não houvesse amanhã. Eles jogam como se tivessem 7 ou 8 anos, sem pensar: “E se eu errar e a gente for eliminado da semifinal?”. Eles simplesmente jogam futebol. Se você vence, sai feliz. Se não, com a sensação de que deu o melhor de si. Isso me enche de orgulho.

Foto: Gettyimages /Shaun Botterill, Buda Mendes; Denis Romantsov

Yara Brito

Ela é uma renomada jornalista esportiva, formada pela Faculdade de… More »

Artigos relacionados

10 Comentários

  1. Heróis!!! Isso foi o futebol da minha infância no campinho. Só que os moleques cresceram, mas é uma alegria ver isso….!!!!!

  2. Torço para o United e para o Real desde 97, então na disputa entre Ronaldo e Messi sempre simpatizei mais com o português, especialmente o mais jovem. Mas só uma pessoa insensata não reconheceria que Messi é o melhor jogador da história do futebol. O que torna ainda mais valioso o fato de que Ronaldo, em seus melhores momentos, teve temporadas mais fortes que o próprio Deus do futebol. A grandeza de Messi é inquestionável, ele constrói o jogo da Argentina. Independentemente de como a final termine, Messi já me fez chorar duas vezes neste Mundial, e olha que sou um cara adulto. Faz tempo que não sentia emoções assim com o futebol! Obrigado, Messi, obrigado, Argentina! Vou torcer de coração por eles na final, com todo respeito à Espanha!

    1. Não se pode chamar ninguém de melhor jogador da história do futebol e comparar, digamos, Messi com Pelé ou Puskás, como isso é possível? E os jogadores da primeira metade do século 20? Nós os vimos ou podemos julgar aquele futebol? Não bastaria dizer: o melhor jogador do século 21?

    2. Aqui está um ranking: No resultado da eleição do ‘Futebolista do Século’, organizada em 2000 pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), a lista dos melhores jogadores do século XX incluiu: Pelé (Brasil). Johan Cruyff (Holanda). Franz Beckenbauer (Alemanha). Alfredo Di Stéfano (Argentina, Espanha). Diego Maradona (Argentina). Ferenc Puskás (Hungria). Michel Platini (França). Garrincha (Brasil). Tudo bem, pelo menos cinco eu vi na televisão )) Mas que tipo de ranking é esse em 2000, considerando jogadores desde 1901? Como isso é possível?

  3. Parece que eles têm 7 ou 8 anos, depois do gol os ingleses começaram a jogar exatamente como crianças.)

  4. Argentina é poder! Garra de campeã em cada partida. Só que eles aumentam os cabelos brancos dos torcedores, e não é pouco :))

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo